DÁDIVA: CONSTRUINDO PRAZERES

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Prof.Dr.HC João Bosco Botelho

A ciência e a tecnologia caminham velozmente na direção das menores dimensões da matéria viva aderidas aos claros propósitos de aumentar os limites da vida.

O desvendar do genoma, formado pelos genes que controlam a vida a e morte de todos os seres vivos, tem sido o caminho para entender também as emoções agradáveis e as dolorosas capazes de interferir nesse processo.

É bom receber presentes! Tão prazeroso que ata nós!

Os estudos sugerem que os prazeres sentidos ao se receber as dádivas mantêm semelhanças em muitas espécies animais.

O ato de receber presente assume maior importância quando é acompanhado de artefatos e meios que se pressupõem capazes de interferir para viver melhor e com menos esforço.

Desde milhares de anos, no cérebro ancestral, parece que essa complexa adaptação genética percorre caminhos semelhantes ligados ao sistema de recompensa. Nos últimos anos, a dopamina é identificada como o principal mensageiro químico.

É importante ressaltar que todas as drogas (cigarro, álcool, cocaína, heroína, maconha) determinam aumentos na concentração da dopamina, o hormônio do prazer.

Existem questões desconhecidas em muitos aspectos das sensações prazerosas, em especial, a determinada pelo alimento exagerado, que pode causar obesidade mórbida. Alguns estudos sugerem que, a dopamina só seria liberada acima do normal se o consumo for esperado, isto é, ligada ao desejo.

Sob a perspectiva neurológica do sistema de recompensa, é possível falar de uma “neurobiologia do prazer”. Por essa razão é justificável pensar que os presentes, tanto os honestos quanto os que mantêm a corrupção dos valores sociais, estejam ligados à genética do sistema nervoso central, determinando a liberação maior ou menor de dopamina nos que oferecem e recebem as dádivas.

É razoável pressupor que quando for possível interferir para diminuir a liberação da dopamina, será factível encerrar as quimiodependências e os prazeres dos corruptos.

 

 

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