{"id":1111,"date":"2013-09-21T00:00:00","date_gmt":"2013-09-21T04:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2016-03-06T08:36:49","modified_gmt":"2016-03-06T12:36:49","slug":"tabagismo-do-sagrado-ao-profano-6","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/?p=1111","title":{"rendered":"TABAGISMO: DO SAGRADO AO PROFANO"},"content":{"rendered":"<p>NO ESPA\u00c7O SAGRADO<br \/>\nA cren\u00e7a no poder m\u00e1gico da fuma\u00e7a, produzida pela a\u00e7\u00e3o do fogo em alguns vegetais, foi constante desde tempos imemo\u00acriais, no universo m\u00edtico de muitas sociedades. Esse aspecto das rela\u00e7\u00f5es sociais n\u00e3o pode ser simples coincid\u00eancia. Certos pontos comuns ligam esse imagin\u00e1rio entre cultiras distantes milhares de quil\u00f4metros entre si.<br \/>\nOs relatos dos cronistas, no Brasil Col\u00f4nia, muitos acompanha\u00acdos de icnogravuras, narraram o uso do tabaco nos ritos terap\u00eauticos e divinat\u00f3rios. Os paj\u00e9s se comunicavam com os esp\u00edritos, para curar e adivinhar, atrav\u00e9s da for\u00e7a embriagadora da fuma\u00e7a do tabaco queimado.<br \/>\nOs registros dispon\u00edveis, at\u00e9 1700, n\u00e3o evidenciam a utiliza\u00e7\u00e3o do tabaco, sob nenhuma forma, em muitas \u00e1reas do Brasil e Am\u00e9rica do Sul.<br \/>\nNO ESPA\u00c7O PROFANO<br \/>\nA passagem do tabagismo do espa\u00e7o sagrado para o profa\u00acno se deu, no Brasil, com a chegada do colonizador. O v\u00edcio de fumar, por homens e mulheres, como instrumento de prazer foi imediatamente percebida ainda nos primeiros contatos e cristalinamente assinalado por Cardim, no s\u00e9culo 16: ?Costumam esses gentios beber fumo de petigma (tabaco) por, outro nome erva santa&#8230; fica como canudo de cana cheio desta herva, e pondo lhe fogo na ponta metem o pau grosso na boca e assim chu\u00acpando e bebendo aquele fumo, e o tem por grande mimo e regalio?.<br \/>\nDurante a ocupa\u00e7\u00e3o holandesa do Nordeste brasileiro, na primeira metade do s\u00e9uclo 16, pelas tropas de Jo\u00e3o Maur\u00edcio de Nassau, o m\u00e9dico Guilherme Piso, chefe dos servi\u00e7os m\u00e9dicos das Indias Ocidentais, fez um registro fundamental para que se possa entender a sedu\u00e7\u00e3o que o tabagismo exerceu no continente america\u00acno: ?A c\u00e9lebre erva Tabaco ou Petum, chamada pelos brasileiros Pet\u00fame, em quase todas as Indias Ocidentais \u00e9, desde remotos tempos, estimada pelos pr\u00f3prios \u00edncolas para sarar feridas. Logo que os europeus souberam disto, pesquisando lhe as virtudes rec\u00f4nditas, aplicaram as folhas frescas, bem como o sumo das mesmas, a usos humanos;depois secas, nos abusos e prazeres tamb\u00e9m. De sorte que agora, como o vento hibernal, o fumo do tabaco vicia o orbe universal?.<br \/>\nO consumo, em 1920, quase nulo no sexo feminino, alcan\u00e7ou a fant\u00e1stica cifra, em 1970, de duas mil unidades por adulto. A aten\u00e7\u00e3o das autoridades mundiais de sa\u00fade p\u00fablica foram alertadas, pela primeira vez, pelo Relat\u00f3rio de Hammond e Horn, em 1954, financiado pelo American Cancer Society, seguido pelo do Royal College of Phisicians, da Inglaterra, em 1962, descrevendo a nocividade do fumo. Hoje existem mais de setenta mil publica\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis sobre o assunto.<br \/>\nAs pol\u00edticas de sa\u00fade, no mundo, desde os \u00faltinos anos do s\u00e9culo 20,  se empenham no combate ao fumo: leis proibem de as pessoas fumarem em lugares p\u00fablicos.<br \/>\nO mundo conseguiu, nos anos oitenta, colocar o cigarro sob fogo cruzado. Mais de setenta na\u00e7\u00f5es est\u00e3o unidas, pelo menos aparentemente, para varrer o tabaco do planeta. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>NO ESPA\u00c7O SAGRADO A cren\u00e7a no poder m\u00e1gico da fuma\u00e7a, produzida pela a\u00e7\u00e3o do fogo em alguns vegetais, foi constante desde tempos imemo\u00acriais, no universo m\u00edtico de muitas sociedades. Esse aspecto das rela\u00e7\u00f5es sociais n\u00e3o pode ser simples coincid\u00eancia. 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