{"id":1270,"date":"2014-03-11T21:08:11","date_gmt":"2014-03-12T01:08:11","guid":{"rendered":"http:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/?p=1270"},"modified":"2016-03-06T08:30:06","modified_gmt":"2016-03-06T12:30:06","slug":"eticas-e-praticas-de-curas-interligadas-as-linguagens-culturas-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/?p=1270","title":{"rendered":"\u00c9TICAS E PR\u00c1TICAS DE CURAS INTERLIGADAS \u00c0S LINGUAGENS-CULTURAS"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Prof.Dr.HC Jo\u00e3o Bosco Botelho<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Algumas dificuldades conceituais da \u00e9tica m\u00e9dica t\u00eam sido estabelecer par\u00e2metros para separar a m\u00e1-pr\u00e1tica dos maus resultados secund\u00e1rios aos incont\u00e1veis vetores de incertezas e vari\u00e1veis que regem o funcionamento do corpo. Parece l\u00f3gico pressupor que os conceitos que entendem e julgam as m\u00e1s-pr\u00e1ticas e os maus resultados variam nos tempos e nas sociedades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os c\u00f3digos que regulavam a profiss\u00e3o m\u00e9dica, desde o segundo mil\u00eanio a.C., est\u00e3o claramente ajustados \u00e0s linguagens-cuturas. Dessa forma, a \u00e9tica m\u00e9dica \u00e9 um produto do processo hist\u00f3rico da Medicina e do m\u00e9dico, ligada \u00e0 \u00e9tica e \u00e0 moral, ao longo de mais de dois anos, como novo componente te\u00f3rico, de car\u00e1ter pedag\u00f3gico e fiscalizador, para manter o principio fundamental que deve nortear as pr\u00e1ticas m\u00e9dicas, sejam ou n\u00e3o de instrumental pesquisador: t\u00eam car\u00e1ter libertador e devem estar acompanhar as mudan\u00e7as sociais e tecnol\u00f3gicas na constru\u00e7\u00e3o de um mundo melhor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse sentido e sob essa compreens\u00e3o \u00e9 v\u00e1lido relembrar alguns aspectos hist\u00f3ricos. Na Mesopot\u00e2mia e nas culturas que se desenvolveram mais intensamente, durante no segundo mil\u00eanio a. C., no oriente, as pr\u00e1ticas m\u00e9dicas estavam claramente dependentes das id\u00e9ias e cren\u00e7as religiosas por meio de muitos deusas e deuses taumaturgos. N\u00e3o existia um processo te\u00f3rico para explicar a sa\u00fade e a doen\u00e7a fora das ideias e cren\u00e7as religiosas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse conjunto complexo, sem d\u00favida o m\u00e9dico, nominalmente reconhecido, fazia parte dos especialistas sociais. Existem fortes indicativos de um in\u00edcio consistente quanto a preocupa\u00e7\u00e3o dos m\u00e9dicos quanto:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Entender, dominar e modificar a multiplicidade din\u00e2mica das formas e fun\u00e7\u00f5es do corpo;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Estabelecer par\u00e2metros do normal e patol\u00f3gico;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Vencer as limita\u00e7\u00f5es impostas pelo determinismo da dor e da morte fora de controles.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, \u00e9 poss\u00edvel identificar curadores que conviviam simultaneamente em torno de a\u00e7\u00f5es espec\u00edficas para controlar a dor e aumentar os limites da vida vinculados \u00e0s tr\u00eas Medicinas, cujos limites eram imprecisos:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Medicina-divina: fortificada nos templos dedicados \u00e0s muitas divindades, cujos agentes, sacerdotes e sacerdotisas, com forte destaque social, ofereciam a cura por meio de rezas e encantamentos sob a guarda dos deuses e deusas curadoras. Como uma fac\u00e7\u00e3o muito forte, os adivinhos floresceram. Alguns registros, nas t\u00e1buas de escrita cuneiforme, atestam que os agentes das curas, na Mesopot\u00e2mia, al\u00e9m de encantadores, eram reconhecidos como ex\u00edmios adivinhos. Essa caracter\u00edstica dos curadores, na Mesopot\u00e2mia, n\u00e3o passou despercebida aos que redigiram alguns livros do Antigo Testamento, no per\u00edodo do cativeiro mesopot\u00e2mico, que demonstram forte influ\u00eancia da adivinha\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Medicina-emp\u00edrica: nesse grupo, apesar de os agentes, homens e mulheres do povo, n\u00e3o exercerem as pr\u00e1ticas nos templos, tamb\u00e9m com forte partilha com as ideias e cren\u00e7as religiosas, estavam parteiras, erveiros, encantadores e benzedores. de tudo e todos interrompiam a caminhada para orientar, oferecer o tratamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0&#8211; Medicina-oficial: tanto na Mesopot\u00e2mia, quanto em outras culturas que se organizaram e prosperaram, no segundo mil\u00eanio a.C., os processos dos aprendizados, amparados pelos poderes dominantes, na forma\u00e7\u00e3o do m\u00e9dico, estavam dentro dos templos das divindades curadoras mais importantes. Tamb\u00e9m por essa raz\u00e3o, \u00e9 poss\u00edvel justificar, historicamente, os estreitos la\u00e7os da Medicina-oficial com as id\u00e9ias e cren\u00e7as religiosas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Prof.Dr.HC Jo\u00e3o Bosco Botelho Algumas dificuldades conceituais da \u00e9tica m\u00e9dica t\u00eam sido estabelecer par\u00e2metros para separar a m\u00e1-pr\u00e1tica dos maus resultados secund\u00e1rios aos incont\u00e1veis vetores de incertezas e vari\u00e1veis que regem o funcionamento do corpo. 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