{"id":1320,"date":"2014-03-11T21:31:21","date_gmt":"2014-03-12T01:31:21","guid":{"rendered":"http:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/?p=1320"},"modified":"2016-03-05T12:20:42","modified_gmt":"2016-03-05T16:20:42","slug":"evolucionismo-como-escolha-na-medicina-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/?p=1320","title":{"rendered":"EVOLUCIONISMO COMO ESCOLHA NA MEDICINA"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Prof.Dr.HC Jo\u00e3o Bosco Botelho<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">A genialidade da teoria de Darwin, na \u00e9poca da publica\u00e7\u00e3o, desvinculada dos saberes da gen\u00e9tica, embutia o pressuposto de as mudan\u00e7as impostas ao corpo, ditadas pela adapta\u00e7\u00e3o ao meio e \u00e0 sobreviv\u00eancia dos seres, serem repassadas \u00e0 descend\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De certa forma, as id\u00e9ias de Darwin fomentaram a leitura evolucionista de Jean<em> <\/em>Baptiste Lamark. Esse not\u00e1vel bot\u00e2nico franc\u00eas negou a imobilidade dos seres vivos e os organizou como numa escada rolante, das formas menores e mais simples \u00e0s maiores e mais complexas. Tamb\u00e9m acreditou que a mudan\u00e7a dos corpos era regida pelas necessidades de cada ser vivente, por meio do uso e<em> <\/em>do desuso das fun\u00e7\u00f5es org\u00e2nicas e dos sentidos natos e que essas transforma\u00e7\u00f5es seriam herdadas pelas novas gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contrariamente ao pensamento corrente, Darwin n\u00e3o descreveu a teoria evolucionista. O maior m\u00e9rito desse cientista foi enfatizar um modelo particular de sele\u00e7\u00e3o natural, para explicar a transforma\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies. Esse modelo, dito seletivo, compreende certo per\u00edodo de tempo, durante\u00a0 o qual podem ocorrer varia\u00e7\u00f5es\u00a0 morfol\u00f3gicas, produzidas aleatoriamente entre os seres vivos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao contr\u00e1rio, o modelo de Lamarck \u00e9 composto de dois componentes: o primeiro, voltado ao organismo em si mesmo, no qual todos os organismos vivos possuem a tend\u00eancia de evoluir do menos para o mais complexo; o segundo, relacionado ao meio ambiente, no qual todos os seres vivos sofrem a influ\u00eancia na natureza circundante e gra\u00e7as a essa intera\u00e7\u00e3o ocorre a diversidade das esp\u00e9cies.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O exemplo da girafa pode, perfeitamente, contribuir para diferenciar os dois modelos:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No de Darwin, seletivo, em todos os animais podem ocorrer varia\u00e7\u00f5es em todos os sentidos, sem interfer\u00eancia da natureza circundante. Assim, somente as girafas com o pesco\u00e7o mais longo poder\u00e3o alimentar-se de forma mais adequada e, consequentemente, se reproduzir;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No de Lamark, pressup\u00f5e a rela\u00e7\u00e3o entre a necessidade da sobreviv\u00eancia-reprodu\u00e7\u00e3o e a mudan\u00e7a da forma do corpo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para a biologia molecular, os seres vivos s\u00e3o constitu\u00eddos por dois tipos principais de mol\u00e9culas: os \u00e1cidos nucl\u00eaicos (AND e ARN) e as prote\u00ednas. Cada prote\u00edna \u00e9 elaborada a partir de um gene. Esse gene \u00e9, inicialmente, recopiado em ARN (transcripta\u00e7\u00e3o), para, em seguida, a partir da c\u00f3pia, estruturar a s\u00edntese da prote\u00edna (tradu\u00e7\u00e3o). Dessa forma, a biologia molecular est\u00e1 estruturada sob esse dogma fundamental que sustenta como sendo unidirecional na elabora\u00e7\u00e3o das prote\u00ednas, isto \u00e9, s\u00f3 o gene\u00a0 determina a s\u00edntese das prote\u00ednas e nunca o contr\u00e1rio. Contudo, \u00e9 poss\u00edvel que esse mecanismo n\u00e3o esteja engessado e, contrariamente, possua certa plasticidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Considerando a infinita complexidade dos seres vivos, \u00e9 mais poss\u00edvel que a rela\u00e7\u00e3o entre gene e prote\u00edna seja regida pela plasticidade e n\u00e3o imobilizada pelo determinismo gen\u00e9tico, isto \u00e9, os humanos seriam produtos das\u00a0 rela\u00e7\u00f5es entre a natureza circundante x os copos x as mol\u00e9culas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 desnecess\u00e1rio repetir a resist\u00eancia \u00e0s novas id\u00e9ias evolucionistas darwinianas, contudo a ruptura com o imobilismo do G\u00eanese b\u00edblico estava claramente iniciada. Darwin<em> <\/em>trouxe \u00e0 baila as vari\u00e1veis da sele\u00e7\u00e3o natural frente \u00e0 capacidade de sobreviv\u00eancia do animal, ligadas \u00e0s fontes de alimentos, em ambiente espec\u00edfico, como o ponto fundamental das transforma\u00e7\u00f5es biol\u00f3gicas. Na depend\u00eancia da comida dispon\u00edvel, os mais adaptados ao meio viver\u00e3o e os outros, menos aptos, ser\u00e3o eliminados pela sele\u00e7\u00e3o natural.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Prof.Dr.HC Jo\u00e3o Bosco Botelho A genialidade da teoria de Darwin, na \u00e9poca da publica\u00e7\u00e3o, desvinculada dos saberes da gen\u00e9tica, embutia o pressuposto de as mudan\u00e7as impostas ao corpo, ditadas pela adapta\u00e7\u00e3o ao meio e \u00e0 sobreviv\u00eancia dos seres, serem repassadas &hellip; <a href=\"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/?p=1320\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[12],"tags":[],"class_list":["post-1320","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-eticamedicabioetica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1320","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1320"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1320\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1730,"href":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1320\/revisions\/1730"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1320"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1320"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1320"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}