{"id":1353,"date":"2014-05-01T09:59:58","date_gmt":"2014-05-01T13:59:58","guid":{"rendered":"http:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/?p=1353"},"modified":"2016-01-28T10:09:34","modified_gmt":"2016-01-28T14:09:34","slug":"serpente-como-simbolo-da-cura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/?p=1353","title":{"rendered":"SERPENTE COMO SIMBOLO DA CURA"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Prof.Dr.HC Jo\u00e3o Bosco Botelho<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Os professores das faculdades de medicina que convivem com os alunos dos primeiros per\u00edodos percebem, sem dificuldade, nas express\u00f5es gestuais, o imenso orgulho de eles estarem na faculdade, e, especialmente, o cuidadoso uso das batas brancas com a serpente enrolada no bast\u00e3o bordada no bolso ou na manga. Os mais entusiasmados ainda exibem as canetas e chaveiros enfeitados com a serpente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ancestral rela\u00e7\u00e3o, datando de 2500 anos, da serpente como s\u00edmbolo de cura, j\u00e1 estava presente na teogonia e na teofania mesopot\u00e2micas. No complexo pante\u00e3o de deuses e deusas curadores, se destacam: Ningischzida, filho de Ninurta, representado pelas duas serpentes enroladas no bast\u00e3o e Sachan, e a deusa-serpente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Simultaneamente, talvez como sequ\u00eancia teog\u00f4nica, a narrativa m\u00edtica do her\u00f3i Gilgamesh, o rei sum\u00e9rio, da cidade-estado de Uruk (hoje em dia Warka, no Iraque), a serpente se relaciona \u00e0 vida eterna. Essa extraordin\u00e1ria narrativa, recuperada na tradu\u00e7\u00e3o de doze t\u00e1buas de argila, infelizmente incompletas, encontradas por arque\u00f3logos, em N\u00ednive, na antiga Ac\u00e1dia, escrita em linguagem ac\u00e1dia, durante o reinado de Assurbanipal (668-627 a.C.).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A descri\u00e7\u00e3o desse \u00e9pico explica, inicialmente, a natureza de Gilgamesh como sendo mais divino que humano, mas tamb\u00e9m \u00e9 reconhecido como construtor e guerreiro, simultaneamente, tirano e desp\u00f3tico. Os deuses atendendo \u00e0s s\u00faplicas do povo enviaram Enkidu, para matar Gilgamesh. A luta tit\u00e2nica n\u00e3o resultou em vencedor e vencido. Ao contr\u00e1rio, os dois tornam-se amigos e partiram para novas aventuras. Longe de Uruk, enfrentam Huwawa, o guardi\u00e3o divino dos bosques de Cedro. Apesar de faltarem partes das t\u00e1buas que contam parte da hist\u00f3ria, \u00e9 poss\u00edvel deduzir que Gilgamesh derrota Huwawa. Voltando para Uruk, Ishtar, a deusa do amor e da fertilidade prop\u00f5e-lhe casamento. Gilgamesh sabendo do triste destino dos homens que se uniram a ela recusa o convite. Ishtar, enciumada e col\u00e9rica, convence o pai para enviar o touro celestial para matar Gilgamesh. Ele e Enkidu enfrentam derrotam o monstro. Por ter participado do duelo, Enkidu recebe a amea\u00e7a de castigo em sonho, quando os tr\u00eas deuses, Anu, Ea e Shamah, dizem-lhe que ir\u00e1 morrer em breve. Como previsto, adoece e morre. Gilgamesh, desconsolado chora a morte de seu amigo e parte numa perigosa viagem em busca do s\u00e1bio Ut-Napishtim, \u00fanico sobrevivente do dil\u00favio, justo e piedoso no meio da barb\u00e1rie e da injusti\u00e7a, possui o segredo da imortalidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os deuses mandaram Ut-Napishtim construir um barco, no meio do deserto, e esperar o pior. Durante seis dias e seis noites, aconteceu o dil\u00favio t\u00e3o intenso que at\u00e9 os deuses se assustaram. Gilgamesh sobreviveu ao dil\u00favio e quando o n\u00edvel das \u00e1guas baixou, surgiu a nova Mesopot\u00e2mia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na busca da imortalidade Gilgamesh ouve do imortal Ut-Napishtim, sabendo que a planta da vida eterna est\u00e1 no fundo de um lago, parte na busca da imortalidade. Como sempre, enfrentando muitos desafios, triunfa. No caminho de volta a Uruk, cansado, descansa na margem do lago e ao acordar, v\u00ea a serpente roubar a planta milagrosa e ap\u00f3s engoli-la, rejuvenesce mudando a pele. Nada mais resta a Gilgamesh a n\u00e3o ser chorar, amargamente, a perda da imortalidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desse modo, \u00e9 admiss\u00edvel estabelecer rela\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas e m\u00edticas entre as batas dos estudantes de medicina, a serpente representando \u00a0deus Ningishzida e mito de Gilgamsh, todas como metamorfoses da luta \u00e9pica contra a morte.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Prof.Dr.HC Jo\u00e3o Bosco Botelho Os professores das faculdades de medicina que convivem com os alunos dos primeiros per\u00edodos percebem, sem dificuldade, nas express\u00f5es gestuais, o imenso orgulho de eles estarem na faculdade, e, especialmente, o cuidadoso uso das batas brancas &hellip; <a href=\"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/?p=1353\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[13],"tags":[],"class_list":["post-1353","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-historiadamedicina"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1353","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1353"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1353\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1719,"href":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1353\/revisions\/1719"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1353"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1353"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1353"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}