{"id":1361,"date":"2014-05-01T10:02:56","date_gmt":"2014-05-01T14:02:56","guid":{"rendered":"http:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/?p=1361"},"modified":"2016-01-28T10:08:42","modified_gmt":"2016-01-28T14:08:42","slug":"inluencia-da-astrologia-na-medicina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/?p=1361","title":{"rendered":"INLUENCIA DA ASTROLOGIA NA MEDICINA"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Prof.Dr.HC Jo\u00e3o Bosco Botelho<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Na Mesopot\u00e2mia, dos anos 1700 a.C., existiu forte presen\u00e7a de pr\u00e1ticas de adivinha\u00e7\u00e3o, descritas nas t\u00e1buas de argila, com escrita cuneiforme, e em v\u00e1rias passagens do Antigo Testamento. De modo geral, os adivinhos atuavam em duas vertentes: a astrologia e a hepatoscopia (aspecto do f\u00edgado) dos carneiros sacrificados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A astrologia mesopot\u00e2mica pretendeu estabelecer a rela\u00e7\u00e3o entre os movimentos dos astros e as doen\u00e7as. A aceita\u00e7\u00e3o coletiva gerou formid\u00e1vel ex\u00e9rcito de especialistas capazes de interpretar os movimentos dos astros como sinais de diagn\u00f3stico e progn\u00f3stico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 poss\u00edvel que a hepatoscopia estivesse atada \u00e0s primitivas rela\u00e7\u00f5es pr\u00e9-hist\u00f3ricas com o sangue. O f\u00edgado, como o mais sang\u00fc\u00edneo dos \u00f3rg\u00e3os, era identificado como o centro da vida. Assim, quem pudesse interpretar as mensagens contidas no f\u00edgado dos animais sacrificados, estaria mais pr\u00f3ximo de saber onde, quando e como as doen\u00e7as acometeriam as pessoas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Parece que o mais antigo deus protetor da Medicina, na Mesopot\u00e2mia, foi representado pela Lua, com o nome de Sin. Essa divindade noturna governava o crescimento das ervas medicinais, por esse motivo, n\u00e3o poderiam ser expostas aos raios do sol.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre os mais poderosos deuses do pante\u00e3o mesopot\u00e2mico, protetores dos adivinhos e dos m\u00e9dicos, capazes de provocar doen\u00e7a e garantir a sa\u00fade se destacam: Marduk, o grande deus curador; Ninib, filho de Enlil, deus protetor; Nabu, deus das ci\u00eancias e da arte de curar; Ninchursag, deus ligado a oito divindades, cada uma com poder de curar uma doen\u00e7a espec\u00edfica; Ninurta, deus dos m\u00e9dicos; Gula, mulher de Ninurta; Ningischzida, filho de Ninurta, representado pelas duas serpentes enroladas no bast\u00e3o; Sachan, a deusa-serpente; Ishtar, a deusa da gra\u00e7a, da fecunda\u00e7\u00e3o e criadora da libido no homem e na mulher.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m desses deuses deusas, os dem\u00f4nios respons\u00e1veis pela dor e doen\u00e7as: Nergal, da febre; Ashakku, do pulm\u00e3o; Tiu, dor de cabe\u00e7a; Namtaru, da boca, do nariz e das orelhas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os adivinhos, valorizados e bem pagos, se constru\u00edram junto ao convencimento coletivo da capacidade de empurrarem os limites da morte. Por outro lado, a medicina mesopot\u00e2mia se aderia \u00e0 astrologia, onde a presen\u00e7a de deuses e dem\u00f4nios era entendida como fator importante \u00e0 obten\u00e7\u00e3o da cura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Alguns deuses, influenciados pelo movimento dos astros, poderiam se postar a favor ou contra certa doen\u00e7a, dependendo do ato cometido pelo doente: Marduk e Gula s\u00e3o os principais exem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A rela\u00e7\u00e3o da medicina mesopot\u00e2mica com a adivinha\u00e7\u00e3o tanto por meio da astrologia quanto pela hepatoscopia est\u00e1 descrita nas t\u00e1buas de argila onde \u00e9 poss\u00edvel identificar dois tipos de m\u00e9dicos: Ashipu, do diagn\u00f3stico quase sempre obtido com a ajuda dos deuses, e Asu, do tratamento com plantas medicinais usadas em determinadas conflu\u00eancias dos astros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mantendo-se as obrigat\u00f3rias margens hist\u00f3ricas, sem pretender comparar, professores e alunos da Universidade Federal do Amazonas, entre 1982 e 1984, no trabalho de extens\u00e3o, que eu tive a honra de coordenar, no munic\u00edpio do Coari, nas comunidades ao longo do rio Cope\u00e1, comprovou o quanto \u00e9 forte a rela\u00e7\u00e3o das pessoas com os astros e a cren\u00e7a coletiva de terem poder de causar doen\u00e7as mortais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em uma dessas pequenas comunidades, no alto Cope\u00e1, vimos os hansenianos com as imagens de S\u00e3o L\u00e1zaro atadas no pesco\u00e7o e ouvimos a benzedeira explicar porque algumas plantas medicinais n\u00e3o curam: colhidas na m\u00e1 influ\u00eancia da lua ou do sol. E repetiu enf\u00e1tica: s\u00f3 cura quem conhece o c\u00e9u!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Prof.Dr.HC Jo\u00e3o Bosco Botelho Na Mesopot\u00e2mia, dos anos 1700 a.C., existiu forte presen\u00e7a de pr\u00e1ticas de adivinha\u00e7\u00e3o, descritas nas t\u00e1buas de argila, com escrita cuneiforme, e em v\u00e1rias passagens do Antigo Testamento. 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