{"id":1395,"date":"2014-10-09T22:31:47","date_gmt":"2014-10-10T02:31:47","guid":{"rendered":"http:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/?p=1395"},"modified":"2016-01-28T08:20:30","modified_gmt":"2016-01-28T12:20:30","slug":"arqueologia-do-curador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/?p=1395","title":{"rendered":"ARQUEOLOGIA DO CURADOR"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Prof.Dr.HC Jo\u00e3o Bosco Botelho<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">O homem contempor\u00e2neo pertence \u00e0 subesp\u00e9cie <em>Homo sapiens<\/em>, que possui caracter\u00edsticas exclusivas entre mais de quatro mil e duzentas esp\u00e9cies de mam\u00edferos existentes no planeta: b\u00edpede, pelado e transforma a natureza ao sabor da sua vontade. Ele se envaide de possuir o maior c\u00e9rebro entre todas as esp\u00e9cies: 1.500 gramas no adulto jovem, basicamente, especializado em receber e estocar informa\u00e7\u00f5es e enviar ao corpo as instru\u00e7\u00f5es para manter a vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Coordenadas pelo c\u00e9rebro, a fuga da dor e a busca de mecanismo para empurrar os limites da morte est\u00e3o entre essas fun\u00e7\u00f5es essenciais do homem. No intervalo de tempo entre o in\u00edcio e o fim da vida, convive com a certeza da doen\u00e7a e da morte. Nas poucas dezenas de anos que consegue viver, gasta grande parte na procura incessante da sa\u00fade e do prazer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois de estabelecidas ao longo de milhares de anos as rela\u00e7\u00f5es sa\u00fade-doen\u00e7a e vida-morte, o homem desenvolveu e acumulou conhecimento objetivando o equil\u00edbrio entre esses dois bin\u00f4mios favorecendo o aumento do tempo de vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa constru\u00e7\u00e3o da ontog\u00eanese \u00e9 recente se comparada aos anos que o homem, e, provavelmente, representa a mais importante\u00a0 especializa\u00e7\u00e3o que deu origem a procura do conforto e da sa\u00fade, em consequ\u00eancia, \u00e0 sobreviv\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se pensarmos que somente um por cento das esp\u00e9cies antes existentes conseguiram permanecer vivas, nada pode garantir que o homem viver\u00e1 na Terra indefinidamente. Esta afirma\u00e7\u00e3o \u00e9 t\u00e3o verdadeira como \u00e9 o comportamento destruidor que o homem sempre teve, capaz de determinar altera\u00e7\u00f5es significativas em quase todos os sistemas ecol\u00f3gicos do planeta, formados ao longo de milh\u00f5es de anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que talvez mais contribua para esta atitude desorganizadora da natureza seja a id\u00e9ia falsa da imut\u00e1vel estabilidade do mundo. Nada pode ser mais enganador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O processo que culminou com o homem contempor\u00e2neo foi lento. H\u00e1 600 milh\u00f5es de anos a vida come\u00e7ou e ficou restrita aos mares nos 400 milh\u00f5es de anos seguintes. Seguiu-se o aparecimento e o desaparecimento dos r\u00e9pteis gigantes, per\u00edodo que durou 200 milh\u00f5es de anos, sendo acompanhado de significativas altera\u00e7\u00f5es na fauna e na flora marinhas em conseq\u00fc\u00eancia do aumento da salinidade nos mares. Os \u00faltimos milh\u00f5es de anos foram marcados pela gradativa ascens\u00e3o dos mam\u00edferos at\u00e9 o aparecimento dos nossos ancestrais mais distantes: <em>Australop\u00edtecos<\/em>, \u00a02.500.000 anos; Homo habilis, 1.000.000 anos; Homo erectus, 500.000 anos; Homo sapiens neanderthalensis, 100.000 anos; <em>Homo sapiens<\/em>, 40.000 anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O cuidado com a sa\u00fade pode te come\u00e7ado em qualquer ponto dos \u00faltimos 40.000 anos e certamente se iniciou na fuga da dor e na procura do conforto. A retirada de espinhos e parasitas da pele em forma individual ou coletivamente com a ajuda de outros membros da comunidade pode ser considerada a primeira forma de cura. Esta assimila\u00e7\u00e3o de conduta social foi fundamental ao desenvolvimento e \u00e0 sobreviv\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O espa\u00e7o de tempo, cerca de 40.000 anos, no qual a nossa esp\u00e9cie est\u00e1 vivendo, foi suficiente para a transforma\u00e7\u00e3o predat\u00f3ria da natureza, mas insuficiente para o homem compreender que ele \u00e9 somente uma\u00a0 esp\u00e9cie biol\u00f3gica como foram outras que desapareceram.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os estudos dos f\u00f3sseis neol\u00edticos evidenciam preocupa\u00e7\u00e3o pelo conforto f\u00edsico e para aumentar o tempo de vida. Esses fatos teriam provocado a especializa\u00e7\u00e3o de alguns membros do grupo, que se interessaram por esses problemas concretos: a arqueologia do curador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Prof.Dr.HC Jo\u00e3o Bosco Botelho O homem contempor\u00e2neo pertence \u00e0 subesp\u00e9cie Homo sapiens, que possui caracter\u00edsticas exclusivas entre mais de quatro mil e duzentas esp\u00e9cies de mam\u00edferos existentes no planeta: b\u00edpede, pelado e transforma a natureza ao sabor da sua vontade. &hellip; <a href=\"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/?p=1395\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[12],"tags":[],"class_list":["post-1395","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-eticamedicabioetica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1395","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1395"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1395\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1397,"href":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1395\/revisions\/1397"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1395"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1395"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1395"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}