{"id":1511,"date":"2015-10-10T09:16:39","date_gmt":"2015-10-10T13:16:39","guid":{"rendered":"http:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/?p=1511"},"modified":"2016-01-27T09:03:15","modified_gmt":"2016-01-27T13:03:15","slug":"critica-platonica-a-medicina-do-pobre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/?p=1511","title":{"rendered":"CR\u00cdTICA PLAT\u00d4NICA \u00c0 MEDICINA DO POBRE"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Prof.Dr.HC Jo\u00e3o Bosco Botelho<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Possivelmente, a passagem de Plat\u00e3o pelo Egito foi a respons\u00e1vel pelo\u00a0 resgate\u00a0 da lenda do deus eg\u00edpcio Thot, protetor dos escribas, inventor dos n\u00fameros e dos c\u00e1lculos para criticar a substitui\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria oral j\u00e1 em curso naquele tempo na Gr\u00e9cia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A diviniza\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria, na Gr\u00e9cia, fez-se por meio da deusa Mnemosine, que lembrava aos homens os seus her\u00f3is e feitos al\u00e9m de presidir a poesia l\u00edrica.\u00a0 A mem\u00f3ria estava distribu\u00edda em fun\u00e7\u00f5es especificas pelo poeta, resgatando o passado com os cantores, e pelo adivinho, prevendo o futuro. Estava intimamente associado com a vida e colocava-se como o contr\u00e1rio do esquecimento, aqui entendido como o sin\u00f4nimo da morte desmemoriada. Desse modo, a mem\u00f3ria tamb\u00e9m apareceu como um dom aos iniciados nas doutrinas \u00f3rficas e pitag\u00f3ricas, ligadas \u00e0 cren\u00e7a da metempsicose, na qual a lembran\u00e7a das vidas anteriores, um dos pontos angulares do orfismo, vencia o esquecimento decorrente da morte e fazia renascer (reencarnar) com o conhecimento acumulado da vida anterior com o objetivo de buscar a perfei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O m\u00e9dico, at\u00e9 hoje, edifica a sua rela\u00e7\u00e3o com o paciente sobre a anamnese ou reminisc\u00eancia, buscando, nas informa\u00e7\u00f5es prestada pela mem\u00f3ria do doente, os fatos que podem ajudar a esclarecer o diagn\u00f3stico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o h\u00e1 mais d\u00favida que uma parte dos saberes m\u00e9dicos presentes na cultura grega, representa o produto sincr\u00e9tico do conhecimento dos povos, de regi\u00f5es pr\u00f3ximas, que antecederam a forma\u00e7\u00e3o da Gr\u00e9cia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com a mitologia grega, a Medicina come\u00e7ou com Apolo, filha de Zeus com Leto. Apolo \u00e9 reconhecido na literatura com dezenas de qualifica\u00e7\u00f5es, al\u00e9m de deus \u2013curador. Foi tamb\u00e9m identificado como Aplous, aquele que fala de verdade. O seu poder era transmitido a \u00e1gua dos banhos que purificava a alma, e por isso, era considerado o deus que lavava e libertava o mal. De modo geral, o her\u00f3i grego estava quase sempre associado \u00e0 arte de curar. Grande n\u00famero de deuses e personagens da mitologia grega tinham, entre seus atributos, o dom de curar doen\u00e7as e feridas de guerra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Plat\u00e3o descreveu a necessidade da nova postura do medico no livro &#8220;Pol\u00edtico&#8221;:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>&#8220;Estrangeiro: \u00c9 interessante. Dizem, com efeito, que se algu\u00e9m conhece leis melhores que as existentes n\u00e3o tem o direito de d\u00e1-las \u00e0 sua pr\u00f3pria cidade sen\u00e3o com o consentimento de cada cidad\u00e3o; de outro modo n\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>S\u00f3crates, o Jovem: Muito bem! N\u00e3o estar\u00e3o eles certos?.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Estrangeiro: Talvez. Em todo caso se algu\u00e9m dispensa esse consentimento e imp\u00f5e a reforma pela for\u00e7a, que nome se Dara a esse golpe? Mas, espera. Voltemos primeiro aos exemplos procedentes.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>S\u00f3crates, o Jovem: Que queres dizer?<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Estrangeiro: Suponhamos um m\u00e9dico que n\u00e3o procura persuadir seu doente, senhor de sua arte, imp\u00f5e uma crian\u00e7a, a um homem ou uma mulher o que julga melhor, n\u00e3o importando os preceitos escritos. Que nome se dar\u00e1 a essa viol\u00eancia? Seria por acaso o de viola\u00e7\u00e3o da arte e erro pernicioso? E a v\u00edtima dessa coer\u00e7\u00e3o n\u00e3o teria o direito de dizer tudo, menos que foi objeto de manobra perniciosas ineptas por parte de m\u00e9dicos que as puseram.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>S\u00f3crates, o Jovem: Dizes a pura verdade.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Estrangeiro: Ora, como chamar\u00edamos aquele que peca contra a arte pol\u00edtica? N\u00e3o o qualificar\u00edamos de odioso, mau e injusto?<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nunca \u00e9 demais repetir esse di\u00e1logo porque refletiu uma explos\u00e3o coletiva de consci\u00eancia, como as que seguem as rupturas com o conhecimento acumulado, a ponto de refletir precisamente a nova posi\u00e7\u00e3o social assumida pelo m\u00e9dico, capaz de poder interferir politicamente para modificar o conjunto social.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Prof.Dr.HC Jo\u00e3o Bosco Botelho Possivelmente, a passagem de Plat\u00e3o pelo Egito foi a respons\u00e1vel pelo\u00a0 resgate\u00a0 da lenda do deus eg\u00edpcio Thot, protetor dos escribas, inventor dos n\u00fameros e dos c\u00e1lculos para criticar a substitui\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria oral j\u00e1 em &hellip; <a href=\"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/?p=1511\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[12],"tags":[],"class_list":["post-1511","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-eticamedicabioetica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1511","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1511"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1511\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1512,"href":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1511\/revisions\/1512"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1511"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1511"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1511"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}