{"id":1577,"date":"2015-10-10T09:57:56","date_gmt":"2015-10-10T13:57:56","guid":{"rendered":"http:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/?p=1577"},"modified":"2016-01-24T18:34:21","modified_gmt":"2016-01-24T22:34:21","slug":"aborto-e-o-profano-4","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/?p=1577","title":{"rendered":"ABORTO E O PROFANO"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Prof.Dr.HC\u00a0<\/span>Jo\u00e3o Bosco Botelho<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">A aus\u00eancia de proibi\u00e7\u00e3o do aborto como m\u00e9todo anticoncepcional nos livros sagrados sugere que a pr\u00e1tica n\u00e3o causava transtorno social. Igualmente, os legisladores do polite\u00edsmo no Oriente e no Ocidente n\u00e3o empunhavam restri\u00e7\u00f5es. Dois dos mais antigos textos laicos da a\u00e7\u00e3o m\u00e9dica, o C\u00f3digo de Hammu\u00adrabi e as leis de Eshnunna n\u00e3o fazem refer\u00eancia ao assunto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Houve certa indulg\u00eancia em Arist\u00f3teles (<em>Pol\u00edtica<\/em>, VII, 4) que aconselhava a interrup\u00e7\u00e3o da gravidez frente \u00e0s necessidades m\u00e9dicas, desde que o embri\u00e3o n\u00e3o tivesse recebido o sentimento e a vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois de quase dois mil anos de limita\u00e7\u00f5es impostas, ora no sagrado, ora no profano das rela\u00e7\u00f5es sociais, a estimativa do n\u00famero de abortos provocados por ano no mundo ultrapassou, em 1989, 40 milh\u00f5es. Dez por cento desse total, 4 milh\u00f5es, foram feitos no Brasil, causando a morte de trezentas mil mulheres.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade publicou que o\u00a0 Brasil j\u00e1 tem maior n\u00famero de abortos do que de nascimentos. Os estudos da OMS e de outras entidades de direitos humanos, mostram que a mortalidade e a morbidade\u00a0 s\u00e3o atenuadas com a melhor assist\u00eancia do Estado. Foi o que aconteceu nos Estados Unidos da Am\u00e9rica, a partir de 1973, quando a Suprema Corte legalizou o aborto, com severas restri\u00e7\u00f5es \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o em hospitais p\u00fablicos, em menores de idade e em gestantes com mais de dois meses de gravidez.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A tend\u00eancia pr\u00f3\u2011aborto iniciada na Europa, nos anos setenta, \u00e9 hoje mundial. Nos \u00faltimos quinze anos, pelo menos vinte pa\u00edses modificaram as suas leis.\u00a0 Na It\u00e1lia, o mais cat\u00f3lico dos pa\u00edses da Europa, a legaliza\u00e7\u00e3o do aborto provocou muito conflito. S\u00f3 depois de cinco anos de debates no Parlamento, em 1975, e com a ajuda da <em>frente laica<\/em>, reunindo os representantes de todos os partidos pol\u00edticos, foi aprovada a mudan\u00e7a. O plebiscito, realizado no papado de Jo\u00e3o Paulo II, mostrou que 70 % dos italianos aprovaram a lei.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0As proibi\u00e7\u00f5es profanas e sagradas \u00a0n\u00e3o modificaram, em quase dois mil anos, o comportamento das mulheres quando decididas em utilizar o aborto como m\u00e9todo \u00adanticoncepcio\u00adnal. Do outro lado dessa quest\u00e3o social complexa, nas sociedades com problemas de superpopula\u00e7\u00e3o, como na China, ocorre o est\u00edmulo p\u00fablico ao aborto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A impressionante mortalidade e morbidade do aborto clandestino continuar\u00e1 estimulando mudan\u00e7as nas leis, inclusive o Brasil.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Prof.Dr.HC\u00a0Jo\u00e3o Bosco Botelho A aus\u00eancia de proibi\u00e7\u00e3o do aborto como m\u00e9todo anticoncepcional nos livros sagrados sugere que a pr\u00e1tica n\u00e3o causava transtorno social. Igualmente, os legisladores do polite\u00edsmo no Oriente e no Ocidente n\u00e3o empunhavam restri\u00e7\u00f5es. 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