{"id":219,"date":"2012-03-18T14:06:45","date_gmt":"2012-03-18T18:06:45","guid":{"rendered":"http:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/?p=219"},"modified":"2016-03-06T09:53:48","modified_gmt":"2016-03-06T13:53:48","slug":"mitos-do-eterno-retorno","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/?p=219","title":{"rendered":"MITOS DO ETERNO RETORNO"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\">MITOS DO ETERNO RETORNO<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0Prof.Dr.HC Jo\u00e3o Bosco Botelho<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 N\u00e3o tem sido f\u00e1cil para o Homem, ao longo do seu processo de transforma\u00e7\u00e3o s\u00f3cio-cultural, compreender o ritmo c\u00edclico que move a Natureza, como a moite e o dia, as flores da primavera depois do gelo do inverno, as fases da lua, as estrelas do c\u00e9u, a vida e a morte.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Mesmo com toda a tecnologia dispon\u00edvel na atualidade, que incluem os sat\u00e9lites artificiais e as gigantescas esta\u00e7\u00f5es metereol\u00f3gicas, \u00e9 imposs\u00edvel prever com seguran\u00e7a\u00a0 os terremotos, os maremotos\u00a0 e as tempestades que causam modifica\u00e7\u00f5es significativas no volume dos rios.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Desse modo, \u00e9 facil imaginar o que significou esse fato nos grupos sociais que viveram h\u00e1 centenas e mesmo\u00a0 milhares de anos atr\u00e1s quando a oncorr\u00eancia dos imprevistos da Natureza poderiam acarretar a morte dos seus membros pela destrui\u00e7\u00e3o das colheitas e das cidades.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Para que se alcance a compreens\u00e3o da import\u00e2ncia do ritmo da Natureza no incosciente coletivo \u00e9 necess\u00e3rio repassar as primitivasa rela\u00e7\u00f5es do Homem com os outros animais e com a M\u00e3e-Terra.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A partir do tempo em que os nossos ancestrais conseguiram modificar o curso da Terra, transformando-a na sua rela\u00e7\u00e3o com o Tempo, o fruto desta conquista foi incorporado ao ritmo c\u00edclico da pr\u00f3pria natureza.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A chegada da primavera, ano ap\u00f3s ano, significava sempre do eterno retorno do Homem \u00e0 terra.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Nessa evolu\u00e7\u00e3o lenta, consolidada ao lado da luta pela sobreviv\u00eancia, as primeiras rela\u00e7\u00f5es que o homem teve com os outros animais foram substitu\u00eddas pela nova intimidade com a Terra. O sangue e a ocra vermelha qque simbolizavam a ess\u00eancia da Vida, cederam lugar para a semente e ao esperma, quando a M\u00e3e-Terra era penetrada e germinada pelo arado.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A colheita do fruto vindo da M\u00e3e-Terra passou a ser celebrada do mesmo modo que o nascimento dos filhos que nasciam da M\u00e3e-Mulher.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00c9 evidente que\u00a0 essas concep\u00e7\u00f5es metaf\u00edsicas do mundo arcaico nem sempre foram formuladas numa linguagem te\u00f3rica, mas o s\u00edmbolo, o mito e o rito podem exprimir um complexo sistema de valores coerentes entre si.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 n\u00e3o teremos \u00eaxito de tentarmos\u00a0 procurar nas l\u00ednguas antigas os termos que hoje utilizamos para designar alguns eventos coletivos. Entretanto, a falta da palavra tal como\u00a0 entendemos hoje, n\u00e3o deve significar a nega\u00e7\u00e3o do fato.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Pode ter sido sobre esse antecedente que o homem absorveu e se integrou no r\u00edtmo c\u00edclico da Natureza dando \u00e0s coisas um valor intrinseco.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 a pedra banal, a p\u00e9rola achada no fundo do mar dentro da concha e a \u00e1rvore s\u00f3 ter\u00e3o o valor simb\u00f3lico se assim o homem determinar. Nesta sacriliza\u00e7\u00e3o dirigida pela vontade do homem<strong> a coisa \u00e9 transformada em ser<\/strong>, assumindo o lugar que ele pr\u00f3prio n\u00e3o alcan\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Um dos exemplos que nos ffanscinou foi na velha e milenar Jerusal\u00e9m. No centro da Igreja que envolve o Santo Sepulcro tem um peda\u00e7o de m\u00e1rmore branca intensamente gasta pelo atrito das m\u00e3os de milh\u00f5es de crist\u00e3os que acreditam existir nele uma for\u00e7a divina porque sobre ele teria sido colocado o corpo de jesus, o Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Nessa ocasi\u00e3o, conersamos longamente com um dos religiosos jesu\u00edtas que est\u00e1 em permanente vig\u00edlia no Lugar Santo. Ficamos sabendo n\u00e3o existir qualquer documento hist\u00f3rico daquele pequeno sepulcro ter sevido a Jesus depois que foi retirado da cruz.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Esta d\u00favida da veracidade n\u00e3o tem qualquer import\u00e2ncia para os crist\u00e3os. Eles transformaram a coisa &#8211; o m\u00e3rmore &#8211; em ser.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Entretanto, alguns atos humanos que n\u00e3o dependem do simples automatismo, envolvem\u00a0 na sua realiza\u00e7\u00e3o o simbolismo da repeti\u00e7\u00e3o do primeiro ato m\u00edtico que se perdeu no tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A alimenta\u00e7\u00e3o significa para o homem muito mais que o mecanismo de engolir o alimento. Ela \u00e9 a comunh\u00e3o do homem com a M\u00e3e-terra produtora do p\u00e3o e do vinho. N\u00e3o \u00e9 sem motivo que as celebra\u00e7\u00f5es\u00a0 que se\u00a0 perpetuaram eram feitas durante as refei\u00e7\u00f5es simb\u00f3licas, onde o p\u00e3o e o vinho, ambos filhos da M\u00e3e-Terra, est\u00e3o sempre presentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 o homem na sua ignor\u00e2ncia do todo , reproduz eternamente as a\u00e7\u00f5es que j\u00e1 foram vividas antes por outro. tudo o que ele faz j\u00e1 foi feito.\u00a0 A sua vida \u00e9 uma repeti\u00e7\u00e3o dos gestos inaugurados anteriormente.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00c9 poss\u00edvel dividir a documenta\u00e7\u00e3o que possibilita demonstrar esta teoria em tr\u00eas grupos.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 1. Achados que mostram o homem arcaico acreditando na realidade como fun\u00e7\u00e3o da <strong>imita\u00e7\u00e3o<\/strong> de um\u00a0 arqu\u00e9tipo celeste;<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 2. Fatos que\u00a0 mostram como a <strong>realidade<\/strong> \u00e9 dada atrav\u00e9s da participa\u00e7\u00e3o no<strong> simbolismo do centro<\/strong>: cidades, templos, casas, tornam-se <strong>reais<\/strong> pelo fato de serem identificados com o <strong>centro do mundo.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 3. Os rituais e os gestos profanos significativos que s\u00f3 assumem o valor que lhes \u00e9 atribu\u00eddo por repetirem deliberadamente os mesmos atos feitos na origem pelos deuses, her\u00f3is e antepassados.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Todas as religi\u00f5es conhecidas t\u00eam nas suas cosmovis\u00f5es os ritos, mitos e s\u00edmbolos que podem se enquadrar nestas alternativas.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 S\u00f3 muito raramente podemos testemunhar a transforma\u00e7\u00e3o de um acontecimento em mito. Este torna-se mais verdadeiro na medida em que confere ao evento um sentido mais profundo e mais rico no conjunto s\u00f3cio-cultural onde se efetiva.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Durante centenasa de anos atr\u00e1s o dia 25 de dezembro era a festa de comemora\u00e7\u00e3o do solt\u00edscio do inverno, consgrado ao Sol, cuja luz e calor come\u00e7avam a prevalecer sobre a noite e modificar a M\u00e3e-terra. a festa paga do <strong>\u00a0dies solts invicti natalis<\/strong>, ou seja, o dia do nascimento do Sol invicto, era celebrada no dia em que coincidia com os meados da saturn\u00e1lia ou a esta\u00e7\u00e3o durante a qual os trabalhos paravam. nesse dia, quando o Sol come\u00e7ava a se dirigir para o Norte, as casas eram decoradas com \u00e1rvores, presentes eram trocados entre amigos e parentes, ceias e prociss\u00f5es eram realizadas entre os povos pag\u00e3os em homenagem ao Sol.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00c9 comum encontrar entre os primeiros escritos crist\u00e3os a compara\u00e7\u00e3o de Cristo com o Sol. \u00c9 prov\u00e1vel que ambos fa\u00e7am parte do grande conjunto de religi\u00f5es de origem heliost\u00e1tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 entre os v\u00e1rios pontos comuns dessas religi\u00f5es est\u00e1 o n\u00famero doze. os romanos tinham doze grandes deuses e cada um deles presidia a um m\u00eas. os gregos e os eg\u00edpcios tamb\u00e9m tinham doze divindades e os crist\u00e3os formaram os doze ap\u00f3stolos.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Durante os primeiros s\u00e9culos da Era Crist\u00e3 se festejava em todo o Imp\u00e9rio Romano a festa do deus Mitra o deus asi\u00e1tico difundido pelas tropas romanas, no dia 25 de dezembro, como celebra\u00e7\u00e3o do mesmo renascimento do Sol.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Mitra era o <strong>Natalis Solis<\/strong>, o deus salvador e vencedor invenc\u00edvel. como os primitivos crist\u00e3os tamb\u00e9m comemoravam esta data, \u00e9 prov\u00e1vel que os te\u00f3ricos do cristianismo tenham decidido transformae o dia 25 de dezembro para representar o nascimento de Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Em 194\u00a0 d.C. Clemente de Alexandria prop\u00f4s a data de 19 de novembro do ano 3\u00a0 a.C., enquanto outros\u00a0\u00a0 pretendiam que o nascimento ocorresse em 30 de maio ou 19 de abril. enfim, n\u00e3o se tem qualquer comprova\u00e7\u00e3o para afirmar que Jesus tivese nascido nesta ou naquela data.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00c9 interessante notar que algumas seitas primitivas parecem apontar que o Cristianismo teria as suas ra\u00edzes hist\u00f3ricas no primitivo culto solar. os maniqueus diziam que o sol\u00a0 era o pr\u00f3prio Jesus. do mesmo modo qque cirilo de Jerusal\u00e9m e teodoro faziam a mesma afirma\u00e7\u00e3o. Segundo S\u00e3o Le\u00e3o, os os maniqueus colocavam que a alma tinha a subst\u00e2ncia do Sol com o seu calor e que depois da morte ela retornava para a sua origem.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O indiscut\u00edvel \u00e9 que nos Evangelhos n\u00e3o existe qualquer refer\u00eancia sobre o dia 25 de dezembro. esta cita\u00e7\u00e3o s\u00f3 foi encontrada, apesar de toda a busca dirigida pelos exegetas, entre os s\u00e9culos III e IV. Mas foi somente em 525 que Dion\u00edsio, o Pequeno, fixou o nascimento de jesus em 25 de dezemvro do ano 754\u00a0 <strong>aburbe condita<\/strong> (depois da funda\u00e7\u00e3o de Roma).\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 (depois da funda\u00e7\u00e3o de Roma).<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Os arm\u00eanios ficaram durante muitos anos resistentes a esta determina\u00e7\u00e3o e chegaram a chamar os membros da Igreja romana de idolatras por estarem adorando o solst\u00edcio do inverno. Na inglaterra, o Parlamento, sob forte influ\u00eancia puritana, proibiu em 1644 as comemora\u00e7\u00f5es do Natal.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Nos pa\u00edses com tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3 foi acrescentado \u00e0 festa pag\u00e3 do solst\u00edcio do inverno, o h\u00e1bito de dar presentes, como repeti\u00e7\u00e3o do ato dos reis Magos que deram presentes ao rec\u00e9m-Nascido.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Na tradi\u00e7\u00e3o francesa \u00e9 o <strong>bonhomme Noel<\/strong>, correspondente ao Papai Noel, quem desce do c\u00e9u trazendo presentes para as crian\u00e7as boas, enquanto o seu companheiro <strong>P\u00e8re Fouettard<\/strong>, deixa a\u00e7oites para as m\u00e1s. \u00c0s vezes \u00e9 o pr\u00f3prio menino Jesus quam distribui os presentes. Noutros pa\u00edses \u00e9 S\u00e3o Nicolau ou Santa Claus.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A \u00c1rvore de Natal \u00e9 de origem bem mais recente. \u00c9 poss\u00edvel que tenha\u00a0 aparecido primeiramente na Alemanha, h\u00e1 cerca de cento e cinquenta aos atr\u00e1s, revivendo a festa primitiva do <strong>pinheiro de maio<\/strong>. alguns historiadores acreditam que esta celebra\u00e7\u00e3o \u00e9 uma variante da do solst\u00edcio de inverno.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A liga\u00e7\u00e3o das festas do Ano Novo com o mito do eterno retorno \u00e9 bem mais simples, porque ela ficou propositalmente ligada _\u00e0s suas ra\u00edzes pag\u00e3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O estudo de algumas sociedades com organiza\u00e7\u00e3o simples, mostra que existem nelas muitos <strong>anos novos<\/strong>. Eles s\u00e3o festejados v\u00e1rias\u00a0 vezes por ano, quando se cultivam diferentes esp\u00e9cies de cerais e frutas, cujos amadurecimentos s\u00e3o conseguidos ao longo do ano.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Isso significa que os cortes no tempo &#8211; <strong>os anos novos<\/strong> &#8211; s\u00e3o consgrados aos elementos que participam na manuten\u00e7\u00e3o da vida da comunidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O atual sentido de tempo que n\u00f3s, os ocidentais, aceitamos como verdadeiro \u00e9 muito particular da nossa \u00e9poca. Entretanto, em diferentes compreens\u00f5es da realidade, \u00e9 poss\u00edvel comprovar que ap\u00f3s cada nova medi\u00e7\u00e3o \u00e9 anulada a anterior e pr esta raz\u00e3o \u00e9 valorizado o culto ao novo tempo que vir\u00e1. Esta\u00a0 caracter\u00edstica do incosciente coletivo sempre foi fartamente manuseada nas propagandas pol\u00edticas.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A antiguidade e a uniersa\u00e7idade das cren\u00e7as relativas \u00e0 Lua s\u00e3o suficientes para confirmar a busca do homem para achar a justa medida do tempo. A lua serviu e serve at\u00e9 hoje para situar o homem junto ao cosmo inating\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Nas l\u00ednguas indo-europ\u00e9ias as palavras que designam o m\u00eas e a Lua derivam da raiz <strong>me,<\/strong> que em latim deu <strong>mensis e metior<\/strong>: medir.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 As fases da Lua, o aparecimento, crescimento, diminui\u00e7\u00e3o, desaparecimento seguido de nova reapari\u00e7\u00e3o depois de tr\u00eas dias de escurid\u00e3o, desempenharam um papel importante na fixa\u00e7\u00e3o da regularidade c\u00edclica da natureza.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00c9 esta repeti\u00e7\u00e3o &#8211; <strong>O eterno Estorno<\/strong> &#8211; que ajuda o Homem dar algum sentimento para a vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O Natal e o Ano novo s\u00e3o partes desse conjunto.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>MITOS DO ETERNO RETORNO \u00a0Prof.Dr.HC Jo\u00e3o Bosco Botelho \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 N\u00e3o tem sido f\u00e1cil para o Homem, ao longo do seu processo de transforma\u00e7\u00e3o s\u00f3cio-cultural, compreender o ritmo c\u00edclico que move a Natureza, como a moite e o dia, as flores &hellip; <a href=\"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/?p=219\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[13],"tags":[],"class_list":["post-219","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-historiadamedicina"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/219","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=219"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/219\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2278,"href":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/219\/revisions\/2278"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=219"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=219"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=219"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}