{"id":230,"date":"2012-03-18T14:19:44","date_gmt":"2012-03-18T18:19:44","guid":{"rendered":"http:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/?p=230"},"modified":"2016-03-06T09:53:20","modified_gmt":"2016-03-06T13:53:20","slug":"serpente-o-simbolo-da-medicina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/?p=230","title":{"rendered":"SERPENTE: O S\u00edMBOLO DA MEDICINA"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\">PROF.DR.HC JO\u00c4O BOSCO L.BOTELHO<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 &#8221; Uma palavra ou uma imagem \u00e9 simb\u00f3lica quando implica alguma coisa al\u00e9m do seu significado manifesto e imediato.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Carl G.Jung<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A elabora\u00e7\u00e4o do universo religioso do curador primordial foi processada,no primeiro momento,no \u00e2mago do conhecimento emp\u00edrico da natureza circundante,e,no sequinte,pela transforma\u00e7\u00e4o imposta a ela pelo homem,para obter o alimento e o abrigo.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A primitiva rela\u00e7\u00e4o com o bicho que gerou a f\u00edgura m\u00edtica do SENHOR DO ANIMAL foi sicretisada com outros s\u00edmbolos,nascidos pela posse da terra cultiva,dando como fruto o mito da M\u00c4E\u2011TERRA. A utiliza\u00e7\u00e4o emp\u00edrica do vegetal,indispens\u00e1vel para a sobre\u00adviv\u00eancia,se processou em complexa compreens\u00e4o m\u00edtica da realidade.Foi marcada pelas explica\u00e7\u00f6es que se sucederam no tempo para dar sentido \u00e0 vida,onde a busca da sa\u00fade e do conforto se colocaram entre o SER e o N\u00c4O SER.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ao sentir a sua pequenez frente \u00e0 impossibilidade de vencer o seu destino mortal,o homem estabeleceu alian\u00e7as com as divindades mais fortes,como a cirurgia de fimose feita pelos judeus no s\u00e9timo dia ap\u00f3s o nascimento,marcando na pr\u00f3pria carne a prova da obedi\u00eancia ( Ge 17,9\u201114 ).<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 KOLAKOWSKI colocou com precis\u00e4o o p\u00e2nico sentido pelo homem ao tomar consci\u00eancia do que representa para ele a morte inevit\u00e1vel: &#8220;Fugimos da antecipa\u00e7\u00e4o da morte,que \u00e9 para n\u00f3s uma fonte de sofrimen\u00adto,mas n\u00e4o o fazemos para domestic\u00e1\u2011la,e sim para afast\u00e1\u2011la do campo da nossa aten\u00e7\u00e4o,para expulsar da vida o choque com as perguntas que dizem respeito ao horizonte \u00faltimo,dissolvendo\u2011nos no imediatismo da exist\u00eancia&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00c9 poss\u00edvel situar a elabora\u00e7\u00e4o dos mitos cosmog\u00f4nicos na organiza\u00e7\u00e4o do pensamento do tipo tese\u2011ant\u00edtese\u2011s\u00edntese,onde a VIDA representa o SER em oposi\u00e7\u00e4o a MORTE como N\u00c4O SER.A regra bin\u00e1ria de opostos \u00e9 estruturads no coletivo como um jogo dial\u00e9tico de luta per\u00admanente pela renova\u00e7\u00e4o do SER,onde o animal e vegetal,tornados sagra\u00addos pelo homem,passaram a ter os papeis principais.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Com a melhor compreens\u00e4o da escrita,utilizada nos primeiros povoamentos urbanos organizados pr\u00f3ximos das terras f\u00e9rteis dos rios e lagos,foi poss\u00edvel esfregar a hist\u00f3ria para tirar algumas informa\u00e7\u00f6es que mostram o quanto \u00e9 forte a heran\u00e7a cultural simb\u00f3lica\u00a0 nas pr\u00e1ti\u00adcas de cura.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Nas sociedades antigas que se desenvolveram e prosperaram,h\u00e1 5.000 anos, ao longo dos vales dos rios Tigre,Eufrates,Nilo e Ganges,o sincretismo entre o SENHOR DO ANIMAL e a M\u00c4E\u2011TERRA estava claramente presente no cotidiano\u00a0 do curador.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A adivinha\u00e7\u00e4o na sociedade babil\u00f4nica englobava uma por\u00e7\u00e4o muito importante das rela\u00e7\u00f6es sociais.Era utilizada por todos as pes\u00adsoas ricas e poderosas,pobres e miser\u00e1veis,para saber da sorte,da sa\u00fade,da doen\u00e7a e da morte.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 As t\u00e9cnicas divinat\u00f3rias eram feitas com o aux\u00edlio do exame das v\u00edsceras dos animais sacrificados,principalmente o f\u00edgado,o pul\u00adm\u00e4o,o ba\u00e7o e os rins,traduzindo tra\u00e7os,muito mais antigos,da rela\u00e7\u00e4o do homem com a for\u00e7a do animal.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Foi da Gr\u00e9cia,h\u00e1 2.500 anos AP (Antes do Presente) que nos chegou material historiogr\u00e1fico suficiente para tra\u00e7ar,com alguma seguran\u00e7a,um perfil da medicina ligada aos mitos cosmog\u00f4nicos,onde o sagrado e o profano est\u00e4o unidos num s\u00f3 corpo em permanente luta pelo predom\u00ednio.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">DESTAQUE<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Essa an\u00e1lise assume maior import\u00e2ncia,na medida em que as atuais pr\u00e1ticas m\u00e9dicas ocidentais,exclusivamente tecnol\u00f3gicas, passam por severas cr\u00edticas.Apesar da imposi\u00e7\u00e4o feita pela ind\u00fastria m\u00e9dico\u2011 hospitalar,fica cada vez mais claro que as antigas liga\u00e7\u00f6es da medici\u00adna com as cren\u00e7as religiosas continuam vivas na mem\u00f3ria coletiva,par\u00adticipando do conjunto cultural e da mitopoiese.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A interliga\u00e7\u00e4o do mito com a\u00a0 mem\u00f3ria coletiva \u00e9 reconhecido por LE GOFF ao assinalar nas sociedades \u00e1grafas tr\u00eas n\u00facleos de coe\u00ads\u00e4o: 1) a identifica\u00e7\u00e4o do grupo nos seus mitos de origem, 2) o pres\u00adt\u00edgio das genealogias familiares e 3) o saber t\u00e9cnico ligada \u00e0 magia e \u00e0 religi\u00e4o.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0A sociedade grega arcaica foi uma das que valorizou a fun\u00e7\u00e4o social da mem\u00f3ria com o &#8220;mnemon&#8221;.Os &#8220;mnemones&#8221; eram os utilit\u00e1rios resgat\u00e1veis da mem\u00f3ria do grupo,isto \u00e9,eles reproduziam quando solici\u00adtados os fatos que presenciaram.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A passagem da oralidade para a escrita n\u00e4o se fez sem resis\u00adt\u00eancia.PLAT\u00c4O (Fedro,274) resgatou a lenda\u00a0 do deus eg\u00edpcio Thot,pro\u00adtetor dos escribas ,inventor dos n\u00fameros e dos c\u00e1lculos para criticar a substitui\u00e7\u00e4o da lembran\u00e7a oral,j\u00e1 em curso,naquele tempo na Gr\u00e9cia.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O m\u00e9dico continua construindo a sua rela\u00e7\u00e4o com o paciente atrav\u00e9s da anamnese ou reminisc\u00eancia; busca nas informa\u00e7\u00f6es prestadas pelo doente os fatos que podem esclarecer o diagn\u00f3stico.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 N\u00e4o se tem mais d\u00favida de que grande parte dos registros hist\u00f3ricos da medicina na mitologia grega s\u00e4o o produto da miscigena\u00ad\u00e7\u00e4o com o pensamento e atitudes religiosasdos antepassadoss\u00f3cio\u2011culturais.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 De acordo com a mitologia grega,a medicina come\u00e7ou com Apo\u00adlo,filho de Zeus com Leto.Apolo \u00e9 reconhecido na literatura com deze\u00adnas de qualifica\u00e7\u00f6es al\u00e9m de deus\u2011curador.Foi tamb\u00e9m identificado como Aplous,aquele que fala a verdade.O seu poder era transmitido \u00e0 \u00e1gua dos banhos que purificava a alma e\u00a0 por isto era considerado o deus que lavava e libertava o mal.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 De modo geral,o her\u00f3i grego estava quase sempre associado \u00e0 arte de curar.Grande n\u00famero de deuses e personagens da mitologia grega tinham, entre os seus atributos,o dom de curar doen\u00e7as e feridas de guerra.BRAND\u00c4O esclarece melhor: &#8220;O her\u00f3i tamb\u00e9m \u00e9 m\u00e9dico e tal \u00e9 a conex\u00e4o entre M\u00e2ntica e a I\u00e1trica,que \u00e9 imposs\u00edvel separar os dois t\u00f3picos,a n\u00e4o ser,como fizemos por motivos did\u00e1ticos.I\u00e1trica,em grego Iatrik\u00e9&#8217; de iatr\u00f3s = m\u00e9dico,\u00e9 a arte de curar&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Um dos filhos de Apolo,Ascl\u00e9pio,foi educado pelo centauro Quir\u00e4o para ser m\u00e9dico.O centauro,metade homem e metade cavalo,possuia o completo conhecimento da m\u00fasica,magia,adivinha\u00e7\u00e4o,astronomia e da medicina,al\u00e9m de ter a maior habilidade entre todos,a ponto de manejar com igual beleza o bisturi e a lira.Ele tamb\u00e9m \u00e9 citado como o primei\u00adro a semear a Gentiana centarium,a planta medicinal primordial.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Outros disc\u00edpulos famosos do centauro foram Jas\u00e4o e Dion\u00ed\u00adsio.O primeiro,diretamente ligado \u00e0 medicina pela raiz etmol\u00f3gica do seu nome de origem indo\u2011europ\u00e9ia que expressa a id\u00e9ia de CURAR, e o segundo,associado \u00e0 metamorfose e \u00e0 vegeta\u00e7\u00e4o.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Para os gregos predominou a id\u00e9ia de que Ascl\u00e9pio deificava a medicina na mitologia.Por esta raz\u00e4o,era celebrado em grandes festas p\u00fablicas,pr\u00f3ximas ao dia 18 de outubro do nosso calend\u00e1rio,data em que,at\u00e9 hoje,se comemora o Dia do M\u00e9dico no Ocidente.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ele conquistou uma fama inimagin\u00e1vel.Tinha a delicadeza do tocador de harpa e a habilidade agressiva do cirurgi\u00e4o.Todos os doen\u00adtes que n\u00e4o obtinham cura em outros or\u00e1culos procuravam os seus servi\u00ad\u00e7os.Muito mais cirurgi\u00e4o,ele criou as tiras,as ligaduras e as tentas para drenar as feridas.Chegou a ressuscitar os mortos e por essa raz\u00e4o foi fulminado por Zeus com os raios das C\u00edclopes.Zeus matou Ascl\u00e9pio porque temia que a ordem natural das coisas fosse subvertida pelas curas e pela ressurrei\u00e7\u00e4o dos mortos.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O epis\u00f3dio da morte do deus da medicina,motivada pelo ci\u00fame de Zeus, retrata o conflito do sagrado com o profano quando a competi\u00ad\u00e7\u00e4o entre eles tem que trazer um \u00fanico vencedor.Neste caso,Ascl\u00e9pio ao tentar vencer a morte,ressuscitando os mortos,ofendeu a divindade mais forte.Zeus reagiu violentamente e matou\u2011o para manter o seu poder e o determinismo da mortalidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ascl\u00e9pio deixou duas filhas,H\u00edgia e Panac\u00e9ia.A primeira representava a\u00a0 medicina preventiva e a higiene,e a segunda se notabi\u00adlizou por curar os doentes com os segredos das plantas medicinais.Al\u00e9m delas,teve dois filhos,Machaon e Podal\u00edrio,m\u00e9dicos\u2011guerreiros que se destacaram na guerra de Tr\u00f3ia e citados nominalmente por HOMERO (Il\u00eda\u00adda,830).<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Os doentes que recuperavam a sa\u00fade nos templos do deus da medicina,tornavam p\u00fablico os seus agradecimentos em esculturas que especificavam o nome do doente e a cura milagrosa obtida.Existem dois particularmente bem documentados: o caso da cegueira de um certo Pha\u00adlysios e o da cura das varizes de outro paciente an\u00f4nimo.Ambos ofere\u00adceram t\u00e1buas de m\u00e1rmore onde estava esculpida a hist\u00f3ria das suas doen\u00e7as.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Muitas afrescos retratando Ascl\u00e9pio produzidas entre os 2.500 e 2.200 anos AP\u00a0 cont\u00eam uma serpente enrolada num bast\u00e4o.A asso\u00adcia\u00e7\u00e4o da serpente com a medicina j\u00e1 estava presente na sociedade babil\u00f4nica alguns s\u00e9culos antes da consolida\u00e7\u00e4o da polis grega.O deus da cura Ningishzida,da regi\u00e4o de Lagash,era representado por um bast\u00e4o com duas serpentes enroladas nele. \u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">DESTAQUE<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00c9 poss\u00edvel estabelecer duas imagens simb\u00f3licos que uniram\u00a0 a serpente com a medicina.A primeira est\u00e1 ligada ao fato dela poder viver acima e abaixo da terra,mediando dois mundos diferentes,em es\u00adtreito vinculo com a localiza\u00e7\u00e4o subterr\u00e2nea do outro mundo.A outra,mais importante,est\u00e1 associada ao renascimento\u00a0 atrav\u00e9s da renova\u00e7\u00e4o peri\u00f3dica da pele.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011\u2011<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O caminho escolhido pelo imagin\u00e1rio do homem na busca da imortalidade com a participa\u00e7\u00e4o da serpente,est\u00e1 perfeitamente claro em dois fant\u00e1sticos registros.No Rig Veda,onde os Adityas s\u00e4o descri\u00adtos como descendentes dela porque ao perderem a pele velha,eles vence\u00adram a morte e adquiriram\u00a0 a imortalidade e na Epop\u00e9ia de Gilgamesh,on\u00adde o her\u00f3i,depois de in\u00fameras perip\u00e9cias,v\u00ea a planta da vida eterna ser comida pelo r\u00e9ptil e a imediata mudan\u00e7a da pele dele.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O elo da serpente com a medicina \u00e9 a heran\u00e7a viva\u00a0 das his\u00adt\u00f3ricas rela\u00e7\u00f6es do homem com o SENHOR DO ANIMAL e com a M\u00c4E\u2011TERRA,on\u00adde o agente da cura representa o s\u00edmbolo vivo da luta para modificar o determinismo da morte.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>PROF.DR.HC JO\u00c4O BOSCO L.BOTELHO \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 &#8221; Uma palavra ou uma imagem \u00e9 simb\u00f3lica quando implica alguma coisa al\u00e9m do seu significado manifesto e imediato.&#8221; \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Carl G.Jung \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A elabora\u00e7\u00e4o do universo religioso do curador primordial foi processada,no primeiro momento,no &hellip; <a href=\"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/?p=230\">Continue lendo <span 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