{"id":236,"date":"2012-03-18T14:24:22","date_gmt":"2012-03-18T18:24:22","guid":{"rendered":"http:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/?p=236"},"modified":"2016-03-06T09:53:08","modified_gmt":"2016-03-06T13:53:08","slug":"as-santas-casas-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/?p=236","title":{"rendered":"As Santas Casas"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: left;\" align=\"left\"><strong>As Santas Casas<\/strong><\/div>\n<div style=\"text-align: left;\" align=\"left\"><\/div>\n<div style=\"text-align: left;\" align=\"right\"><em><strong>Prof.Dr.HC Jo\u00e3o Bosco Botelho<\/strong><\/em><\/div>\n<div style=\"text-align: left;\" align=\"center\"><\/div>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/3.bp.blogspot.com\/_Kt-aZ2vRve4\/SpScv1AJ3II\/AAAAAAAABso\/K68qX1P-qgU\/s1600-h\/9_FOTO_-_ASSIST%C3%83%C5%A0NCIA_NO_HOSPITAL_MEDIEVAL,_S%C3%83%E2%80%B0CULO_XVII.JPG\"><img decoding=\"async\" id=\"BLOGGER_PHOTO_ID_5374092600855354498\" src=\"http:\/\/3.bp.blogspot.com\/_Kt-aZ2vRve4\/SpScv1AJ3II\/AAAAAAAABso\/K68qX1P-qgU\/s400\/9_FOTO_-_ASSIST%C3%8ANCIA_NO_HOSPITAL_MEDIEVAL,_S%C3%89CULO_XVII.JPG\" alt=\"\" border=\"0\" \/> <\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"center\">Assist\u00eancia em hospital europeu &#8211; s\u00e9culo XVII.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"center\">\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"left\">A primeira Santa Casa foi fundada, em Lisboa, em 1498. A maior motiva\u00e7\u00e3o da realeza portuguesa n\u00e3o foi a assist\u00eancia m\u00e9dica aos milhares de necessitados e famintos que perambulavam at\u00e9 morrer, nas cidades e nos campos, entre um e outro surto da peste negra.<\/p>\n<p>A administra\u00e7\u00e3o real acreditava que poderia controlar melhor um \u00fanico hospital \u2014 Santa Casa \u2014, evitando os roubos dos administradores e os impostos da Igreja. Alguns documentos descrevem o quanto era dif\u00edcil gerenciar as incont\u00e1veis pequenas entidades assistenciais, mantidas pela caridade das generosas doa\u00e7\u00f5es dos ricos, em vida ou firmadas nos testamentos, que em contrapartida esperavam encontrar aberta a porta do c\u00e9u.<\/p>\n<p>Desse o in\u00edcio, a Santa Casa de Lisboa desfrutou de muitas regalias ordenadas pelo rei D. Manuel (1495-1521), em especial, a libera\u00e7\u00e3o de todos os impostos. Em consequ\u00eancia do fechamento dos n\u00facleos assistenciais menores e das vantagens reais, ocorreu vertiginoso crescimento pol\u00edtico e econ\u00f4mico da primeira Santa Casa.<\/p>\n<p>Bem impressionado com o crescente volume das doa\u00e7\u00f5es que chegavam de todas as partes do reino e do al\u00e9m-mar, desafogando as finan\u00e7as, o rei imp\u00f4s novas regras \u00e0 Irmandade da Miseric\u00f3rdia. O Mordomo da Santa Casa, escolhido a dedo, seria o \u00fanico autorizado a realizar a coleta das esmolas em Lisboa e doa\u00e7\u00f5es testament\u00e1rias, tudo perfeitamente embasado em Mt 25, 34-36: Ent\u00e3o dir\u00e1 o rei aos que estiverem \u00e0 sua direita: <em>\u201cVinde, benditos de meu Pai, recebei por heran\u00e7a o Reino preparado para v\u00f3s desde a funda\u00e7\u00e3o do mundo. Pois tive fome e me destes de comer. Tive sede e destes de beber. Era forasteiro e me recolhestes. Estive nu e me vestistes, doente e me visitastes, preso e viestes ver-me\u201d. <\/em><\/p>\n<p>Em pouco mais de vinte anos, tratadas como neg\u00f3cios muito lucrativos, recebendo vultosas doa\u00e7\u00f5es, as Irmandades da Miseric\u00f3rdia, entidades gerenciadoras das Santas Casas, multiplicaram-se nas col\u00f4nias. O testamento de Mem de S\u00e1 pode oferecer as raz\u00f5es desse sucesso: a ter\u00e7a parte dos bens do Governador Geral, no Brasil, ficou com a Miseric\u00f3rdia da Bahia e a mesma percentagem do patrim\u00f4nio, em Portugal, foi legada \u00e0 Miseric\u00f3rdia de Lisboa.<\/p>\n<p>A Miseric\u00f3rdia de Goa, fundada no governo de Lopo Soares (1515-1518), tamb\u00e9m teve import\u00e2ncia estrat\u00e9gica porque essa cidade indiana recebia muitos viajantes e era o porto final da penetra\u00e7\u00e3o dos portugueses no Oriente. Os jesu\u00edtas, atentos \u00e0 din\u00e2mica das rela\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, ao perceberem o significado dessa Miseric\u00f3rdia, reivindicaram e obtiveram do Vice-Rei Mathias de Albuquerque, em 1551, a exclusividade da Mesa Diretora e o recolhimento dos donativos.<\/p>\n<p>As regalias patrocinadas pelo cargo de Mordomo n\u00e3o deveriam ser poucas. S\u00f3 isso explica a atitude do paulista Jos\u00e9 Ortiz de Camargo, em 1651, que recusou ser juiz de S\u00e3o Paulo de Piratininga para n\u00e3o renunciar ao t\u00edtulo de provedor da Miseric\u00f3rdia.<\/p>\n<p>O chamamento \u00e0 caridade, subentendida como pressuposto do acesso mais f\u00e1cil ao para\u00edso, colocado na ordem do dia pelas diversas ordens religiosas, principalmente a jesu\u00edta, teve papel de destaque no conjunto pol\u00edtico que favoreceu a consolida\u00e7\u00e3o das Santas Casas como centros de assist\u00eancia m\u00e9dico-social. Na administra\u00e7\u00e3o da coleta das esmolas, os religiosos estendiam o poder temporal e aumentavam a riqueza da Igreja, sempre amparados pelo imagin\u00e1rio da caridade crist\u00e3.<\/p>\n<p>Nos s\u00e9culos seguintes, ocorreu o fortalecimento da alian\u00e7a Estado-Igreja, para suprir as graves defici\u00eancias da assist\u00eancia m\u00e9dica. A resultante materializou-se nas Santas Casas da Miseric\u00f3rdia espalhadas em mais de setecentas cidades no mundo crist\u00e3o.<\/p>\n<p>No Brasil, a primeira Santa Casa, a do Rio de Janeiro, j\u00e1 estava consolidada em 1582, quando a frota de Diogo Flores Vald\u00e9s chegou com muitos doentes a bordo. Nos tr\u00eas s\u00e9culos seguintes, seguiram-se trezentas e vinte e seis Irmandades da Miseric\u00f3rdia.<\/p>\n<p>A Santa Casa da Miseric\u00f3rdia de Manaus, encravada na floresta amaz\u00f4nica, mais de tr\u00eas s\u00e9culos depois, reproduziu os mesmos princ\u00edpios da caridade crist\u00e3 que nortearam a primeira Santa Casa em Lisboa.<\/p>\n<p>Uma das \u00faltimas, a Miseric\u00f3rdia amazonense chegou como onda retardat\u00e1ria do processo colonizador portugu\u00eas, na \u00e9poca em que, na Europa, os antigos crit\u00e9rios da hospitaliza\u00e7\u00e3o dos doentes sofriam severas cr\u00edticas.<\/p>\n<p>O reclamo popular da falta de hospital, em Manaus, influenciou a decis\u00e3o tomada pelo Presidente da Prov\u00edncia do Amazonas para fundar a Irmandade da Miseric\u00f3rdia. Era tr\u00e1gica a situa\u00e7\u00e3o hospitalar em Manaus, na segunda metade do s\u00e9culo XIX. A inaugura\u00e7\u00e3o da Santa Casa da Miseric\u00f3rdia ocorreu em 16 de maio de 1880. Apenas nove anos depois, apareceram os primeiros problemas da viabilidade econ\u00f4mica do hospital, apesar das facilidades tribut\u00e1rias recebidas.<\/p>\n<p>Em Manaus, tamb\u00e9m foram mantidos os principais pontos do Estatuto da Miseric\u00f3rdia de Lisboa, baseados em Mt 25, 34-36, onde predominavam a\u00e7\u00f5es de caridade, como obriga\u00e7\u00f5es voltadas \u00e0 assist\u00eancia aos necessitados e doentes, tamb\u00e9m entendidas como a\u00e7\u00f5es facilitadoras para ganhar o para\u00edso ap\u00f3s a morte.<\/p>\n<div style=\"text-align: left;\" align=\"center\"><a href=\"http:\/\/1.bp.blogspot.com\/_Kt-aZ2vRve4\/SpScnLlCxvI\/AAAAAAAABsg\/Phb1OrJGlHs\/s1600-h\/9_FOTO_-_SANTA_CASA_RIO_DE_JANERO_SECULO_18.jpg\"><img decoding=\"async\" id=\"BLOGGER_PHOTO_ID_5374092452296836850\" src=\"http:\/\/1.bp.blogspot.com\/_Kt-aZ2vRve4\/SpScnLlCxvI\/AAAAAAAABsg\/Phb1OrJGlHs\/s400\/9_FOTO_-_SANTA_CASA_RIO_DE_JANERO_SECULO_18.jpg\" alt=\"\" border=\"0\" \/><\/a><\/div>\n<div style=\"text-align: left;\" align=\"center\">Santa Casa &#8211; Rio de Janeiro, s\u00e9culo XVIII.<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As Santas Casas Prof.Dr.HC Jo\u00e3o Bosco Botelho Assist\u00eancia em hospital europeu &#8211; s\u00e9culo XVII. 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