{"id":255,"date":"2012-03-18T14:36:42","date_gmt":"2012-03-18T18:36:42","guid":{"rendered":"http:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/?p=255"},"modified":"2016-03-06T09:51:18","modified_gmt":"2016-03-06T13:51:18","slug":"medicina-e-astrologia-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/?p=255","title":{"rendered":"Medicina e Astrologia"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: left;\" align=\"left\"><strong>Medicina e Astrologia<\/strong><\/div>\n<div style=\"text-align: left;\" align=\"left\"><\/div>\n<div style=\"text-align: left;\" align=\"left\"><\/div>\n<div style=\"text-align: left;\" align=\"right\"><em><strong>Prof.Dr.HC Jo\u00e3o Bosco Botelho<\/strong><\/em><\/div>\n<div style=\"text-align: left;\" align=\"center\"><\/div>\n<div style=\"text-align: left;\" align=\"center\"><\/div>\n<div style=\"text-align: left;\" align=\"center\"><\/div>\n<div style=\"text-align: left;\" align=\"center\"><\/div>\n<div style=\"text-align: left;\" align=\"center\"><\/div>\n<div style=\"text-align: left;\" align=\"center\"><a href=\"http:\/\/4.bp.blogspot.com\/_Kt-aZ2vRve4\/Sl3_DvPShtI\/AAAAAAAABg0\/5ZOhVr7CI0s\/s1600-h\/Mapa+astrol%C3%83%C2%B3gico.jpg\"><img decoding=\"async\" id=\"BLOGGER_PHOTO_ID_5358719571326043858\" src=\"http:\/\/4.bp.blogspot.com\/_Kt-aZ2vRve4\/Sl3_DvPShtI\/AAAAAAAABg0\/5ZOhVr7CI0s\/s400\/Mapa+astrol%C3%B3gico.jpg\" alt=\"\" border=\"0\" \/><\/a><\/div>\n<div style=\"text-align: left;\" align=\"center\">Mapa astrol\u00f3gico.<\/div>\n<div style=\"text-align: left;\" align=\"left\"><\/div>\n<div style=\"text-align: left;\" align=\"left\"><\/div>\n<div style=\"text-align: left;\" align=\"left\"><\/div>\n<div style=\"text-align: left;\" align=\"left\"><\/div>\n<div style=\"text-align: left;\" align=\"left\"><\/div>\n<div style=\"text-align: left;\" align=\"left\"><\/div>\n<div style=\"text-align: left;\" align=\"left\"><\/div>\n<div style=\"text-align: left;\" align=\"left\">O encantamento pela astrologia como pr\u00e1tica divinat\u00f3ria consolidou-se nos primeiros n\u00facleos urbanos, em torno de cinco mil anos.<\/p>\n<p>As pr\u00e1ticas divinat\u00f3rias astrol\u00f3gicas, mesmo ap\u00f3s os complexos processos de adapta\u00e7\u00f5es aos movimentos sociais, continuam mantendo rela\u00e7\u00f5es pr\u00f3ximas com as antigas cren\u00e7as e ideias religiosas estruturadas na Mesopot\u00e2mia.<\/p>\n<p>Os vest\u00edgios dessa estranha depend\u00eancia, entre homem, mulher e os astros reconhec\u00edveis no firmamento, podem ser rastreados em alguns registros da escrita cuneiforme. O sinal gr\u00e1fico correspondente ao divino \u2013 elemento incomensur\u00e1vel e todo-poderoso do passado e do futuro \u2013 \u00e9 o mesmo que designa a palavra estrela. Os deuses babil\u00f4nicos \u2013 Schamasch, Sin e Ischtar \u2013 eram os guardi\u00f5es do c\u00e9u sob a forma do Sol, da Lua e do planeta V\u00eanus, os tr\u00eas astros mais destacados do firmamento.<\/p>\n<p>Assim, a for\u00e7a da astrologia, na modernidade, n\u00e3o deveria causar tanta admira\u00e7\u00e3o. A f\u00e9 no poder dos astros, determinando o destino das pessoas e do mundo, \u00e9 t\u00e3o antiga quanto as primeiras aglomera\u00e7\u00f5es urbanas.<\/p>\n<p>Algumas palavras atuais est\u00e3o repletas de significado astrol\u00f3gico. O prefixo latino menstruus, que originou menstrua\u00e7\u00e3o, est\u00e1 ligado ao processo repetitivo de vinte e oito dias do m\u00eas lunar.<\/p>\n<p>Para estarem mais pr\u00f3ximos dos astros \u2013 representa\u00e7\u00e3o f\u00edsica dos deuses \u2013 os homens idealizaram os elementos mais sagrados fixados nos topos das montanhas mais altas: os chineses, no Himalaia; os japoneses, no Fuji; os gregos, no Olimpo e os hebreus, no Sinai.<\/p>\n<p>Onde n\u00e3o existia montanha os povos constru\u00edram montes artificiais. Um dos mais antigos, o Zigurate, na Mesopot\u00e2mia, com o topo dedicado \u00e0 morada e culto dos deuses. A mesma ideia alcan\u00e7ou os povos do planalto mesoamericano, motivadora das monumentais edifica\u00e7\u00f5es piramidais, plenas de significados religiosos com os elementos celestes, especialmente o Sol e a Lua.<\/p>\n<p>Apesar das adapta\u00e7\u00f5es adquiridas tamb\u00e9m com os novos saberes sobre os elementos vis\u00edveis no firmamento, a astrologia divinat\u00f3ria conservou a primitiva estrutura de sedu\u00e7\u00e3o: utiliza a adivinha\u00e7\u00e3o dedutiva, a partir da interpreta\u00e7\u00e3o do movimento astral.<\/p>\n<p>Sob esse enfoque, pode ser considerada uma hist\u00f3ria de longa dura\u00e7\u00e3o, inserida nas muitas heran\u00e7as f\u00edsicas das divindades, oriundas nas primeiras cidades, moldada pela intelig\u00eancia humana, burlando o futuro desconhecido, tornando-o dom\u00e1vel.<\/p>\n<p>Os saberes acumulados dos ciclos da Lua, dos planetas e das estrelas, em especial, o Sol, como a principal fonte da vida, foram repassados \u00e0s gera\u00e7\u00f5es. Os elos desse poder transcendente metamorfoseado receberam nomes diferentes, nas linguagens superficiais, em muitas culturas. No Imp\u00e9rio de Augusto, adotaram a semana planet\u00e1ria de sete dias, sendo cinco deles dedicados aos cinco planetas conhecidos, um ao Sol e outro \u00e0 Lua.<\/p>\n<p>Com a cristianiza\u00e7\u00e3o em curso, a partir de Constantino, os primeiros te\u00f3ricos crist\u00e3os iniciaram forte resist\u00eancia ao culto do Sol, identificado com o deus eg\u00edpcio Mitra. Parece l\u00f3gico supor que o intento era desfazer a poss\u00edvel associa\u00e7\u00e3o aleg\u00f3rica entre o Sol e Jesus Cristo. Esse relevo teog\u00f4nico se posta ainda mais claro no Evangelho de S\u00e3o Paulo, na repreens\u00e3o dos G\u00e1latas, que insistiam em adorar as divindades do polite\u00edsmo, para identificar os dias e os meses (Gl 4,8-10).<\/p>\n<p>Os m\u00e9dicos medievais, entre os s\u00e9culos VII e XI, criaram situa\u00e7\u00f5es bizarras ao utilizarem a concep\u00e7\u00e3o neoplat\u00f4nica de similitude entre o macrocosmo e o microcosmo, construindo extremados progn\u00f3sticos astrol\u00f3gicos.<\/p>\n<p>Nesse per\u00edodo, predominava a certeza de que a sa\u00fade, a doen\u00e7a, a boa sorte, o azar, a sexualidade e a procria\u00e7\u00e3o estavam sob a decisiva influ\u00eancia dos astros.<\/p>\n<p>Existia, por exemplo, contraindica\u00e7\u00e3o absoluta para realizar uma cirurgia na perna se a Lua estivesse no mesmo signo zodiacal do doente. As inevit\u00e1veis e fatais complica\u00e7\u00f5es seriam consequ\u00eancia da umidade do planeta sobre a cicatriz operat\u00f3ria.<\/p>\n<p>O mestre Jo\u00e3o, mistura de astr\u00f3logo e m\u00e9dico, vindo na esquadra de Cabral, ao desembarcar no litoral brasileiro, n\u00e3o se interessou pelos nativos. Na sua carta ao monarca portugu\u00eas, descreveu a constela\u00e7\u00e3o, em forma de cruz, vis\u00edvel no hemisf\u00e9rio sul, origem do nome da nova terra.<\/p>\n<p>O Renascimento chegou e reafirmou o prest\u00edgio da astrologia. Reis e papas s\u00f3 seriam coroados se a data fosse de press\u00e1gio auspicioso. A express\u00e3o art\u00edstica renascentista ressaltou a alegoria dos corpos celestes. As ricas resid\u00eancias, capelas, igrejas, abadias ficaram repletas de afrescos, ampliando a gl\u00f3ria do poder astral. Os doze ap\u00f3stolos, lembrando os doze signos do zod\u00edaco, e os deuses do Olimpo eram louvados nas obras po\u00e9ticas dos pintores e escultores.<\/p>\n<p>Em pleno s\u00e9culo XVII, a certeza coletiva de que os planetas determinavam o rumo da vida e da morte era de tamanha solidez que a estat\u00edstica de mortalidade da cidade de Londres, no ano de 1632, registrou treze mortes por <em>planet<\/em>, ou seja, pela influ\u00eancia do planeta.<\/p>\n<p>O c\u00e9u continua causando fasc\u00ednio e admira\u00e7\u00e3o. \u00c9 poss\u00edvel v\u00ea-lo, todas as noites, pleno de luzes, de grandeza incomensur\u00e1vel, imposs\u00edvel de ser compreendido e tocado.<\/p>\n<p>Poucas coisas enchem mais de medo do que o futuro imprevis\u00edvel. A medicina astrol\u00f3gica, como no passado, continua sendo utilizada pelos adivinhos, atuando como curadores, para diminuir a inseguran\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o ao futuro desconhecido e \u00e0 morte temida.<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Medicina e Astrologia Prof.Dr.HC Jo\u00e3o Bosco Botelho Mapa astrol\u00f3gico. O encantamento pela astrologia como pr\u00e1tica divinat\u00f3ria consolidou-se nos primeiros n\u00facleos urbanos, em torno de cinco mil anos. 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