{"id":260,"date":"2012-03-18T14:43:51","date_gmt":"2012-03-18T18:43:51","guid":{"rendered":"http:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/?p=260"},"modified":"2016-03-06T09:51:03","modified_gmt":"2016-03-06T13:51:03","slug":"praticas-de-curas-na-pre-historia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/?p=260","title":{"rendered":"Pr\u00e1ticas de curas na pr\u00e9-hist\u00f3ria"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><strong><br \/>\n<\/strong><em><strong><\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><em><strong>Prof.Dr.HC Jo\u00e3o Bosco Botelho<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\n<div style=\"text-align: left;\" align=\"center\"><a href=\"http:\/\/1.bp.blogspot.com\/_Kt-aZ2vRve4\/SsqiuxsZgUI\/AAAAAAAAB4w\/wFyFTNToGuY\/s1600-h\/15_FOTO_-_FEITICEIRO_DA_GRUTA_DE_TROIS_FR%C3%83%CB%86RES,_10%5B1%5D.000_ANOS.jpg\"><img decoding=\"async\" id=\"BLOGGER_PHOTO_ID_5389298828599460162\" src=\"http:\/\/1.bp.blogspot.com\/_Kt-aZ2vRve4\/SsqiuxsZgUI\/AAAAAAAAB4w\/wFyFTNToGuY\/s400\/15_FOTO_-_FEITICEIRO_DA_GRUTA_DE_TROIS_FR%C3%88RES,_10%5B1%5D.000_ANOS.jpg\" alt=\"\" border=\"0\" \/><\/a><\/div>\n<div style=\"text-align: left;\" align=\"center\">Feiticeiro da gruta de Trois Fr\u00e8res, 10.000 anos.<\/div>\n<div style=\"text-align: left;\" align=\"center\"><\/div>\n<div style=\"text-align: left;\" align=\"center\"><\/div>\n<p style=\"text-align: left;\">\nDe modo geral, quando se pensa a Medicina como uma especialidade social relacionada ao tratamento de doen\u00e7as, existe a tend\u00eancia de associ\u00e1-la aos m\u00e9dicos e hospitais como partes indispens\u00e1veis ao exerc\u00edcio da cura das mol\u00e9stias. Ao contr\u00e1rio desse pressuposto, hipervalorizado nos \u00faltimos cem anos, historicamente, as pr\u00e1ticas de curas tamb\u00e9m envolveram outros agentes sociais tamb\u00e9m reconhecidos como curadores.<\/p>\n<p>O certo \u00e9 que as a\u00e7\u00f5es manuais humanas, usando ou n\u00e3o instrumentos, sobre outros homens e mulheres, para interromper as amea\u00e7as \u00e0 vida, se perdem no tempo. Mesmo com escassos registros, as an\u00e1lises arqueol\u00f3gicas e paleopatol\u00f3gicas s\u00e3o competentes para estabelecer evid\u00eancias de algumas pr\u00e1ticas de curas na pr\u00e9-hist\u00f3ria, em torno de 10.000 a.C.<\/p>\n<p>\u00c9 razo\u00e1vel pressupor que os grupos de <em>Homo sapiens<\/em> ca\u00e7adores e coletores, presentes na Europa central, nesse per\u00edodo, em permanente enfrentamento das condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas g\u00e9lidas, na metade do ano, nas disputas pessoais ou com outros animais, priorizassem a sobreviv\u00eancia em torno da seguran\u00e7a pessoal e coletiva.<\/p>\n<p>A possibilidade de algu\u00e9m ferir-se, determinando imobilidade, ou morrer, causando mudan\u00e7a no equil\u00edbrio do grupo, podem ter provocado a especializa\u00e7\u00e3o de alguns membros, que se voltaram \u00e0 busca de solu\u00e7\u00f5es, estruturando os primeiros passos da arqueologia do curador.<\/p>\n<p>Viver era o mais importante!<\/p>\n<p>Nesta fase, quando o homem primitivo come\u00e7ou a tentar modificar o processo da vida para evitar a morte temida \u2013 <strong>fez-se m\u00e9dico<\/strong>.<\/p>\n<p>Assim, as primeiras pr\u00e1ticas de cura concretizaram-se na pr\u00e9-hist\u00f3ria em comunidade \u00e1grafas. A a\u00e7\u00e3o intencional do homem sobre o homem com inten\u00e7\u00e3o de mudar o curso da morte data de 25.000 anos, com o achado do osso do bra\u00e7o de um neanderthal que foi submetido \u00e0 amputa\u00e7\u00e3o. A cirurgia foi bem sucedida e o homem viveu muito tempo ap\u00f3s a interven\u00e7\u00e3o cir\u00fargica.<\/p>\n<p>Sem d\u00favida, muitas doen\u00e7as que existem at\u00e9 hoje estavam presentes muito antes do aparecimento do <em>Homo sapiens<\/em>. A quest\u00e3o maior \u00e9 procurar entender como os nossos ancestrais se relacionavam com certas doen\u00e7as, na luta cotidiana pela sobreviv\u00eancia.<\/p>\n<p>O estudo dos f\u00f3sseis mostra que o homem pr\u00e9-hist\u00f3rico estava sujeito a muitas doen\u00e7as semelhantes as que n\u00f3s, homens modernos, continuamos enfrentando. A fratura traum\u00e1tica representou uma das mais frequentes. Em algumas, confirmou-se sinais evidentes de infec\u00e7\u00e3o do osso, a osteomielite, igual a que se encontra nos hospitais de hoje. Tamb\u00e9m, evid\u00eancia de doen\u00e7as sist\u00eamicas, n\u00e3o traum\u00e1ticas, como a gota das cavernas, uma esp\u00e9cie de reumatismo do homem pr\u00e9-hist\u00f3rico.<\/p>\n<p>Infelizmente, as pesquisas arqueol\u00f3gicas jamais encontraram corpos ou \u00f3rg\u00e3os anteriores a 7.000 anos. Por outro lado, foram identificadas v\u00e1rias bact\u00e9rias pr\u00e9-hist\u00f3ricas fossilizadas. O p\u00f3len de Nen\u00fafar, designa\u00e7\u00e3o de diversas plantas da fam\u00edlia das ninfe\u00e1ceas, capazes de determinar rea\u00e7\u00e3o al\u00e9rgica no homem atual, existe desde o pleistoceno m\u00e9dio, isto \u00e9, em torno de 100.000 anos.<\/p>\n<p>A tuberculose \u00f3ssea na coluna vertebral, problema m\u00e9dico frequente nos pa\u00edses subdesenvolvidos, inclusive no Brasil, foi documentada por achado de esqueleto de homem do per\u00edodo Neol\u00edtico, em torno de 7.000 anos a.C., constituindo-se, sem d\u00favida, no primeiro exemplar m\u00e9dico de tuberculose \u00f3ssea.<\/p>\n<p>O achado das doen\u00e7as na pr\u00e9-hist\u00f3ria \u00e9 indiscut\u00edvel. Por\u00e9m, interessa conhecer como os homens primitivos iniciaram a luta para conservar a sa\u00fade e evitar a morte. Nesse sentido, \u00e9 poss\u00edvel teorizar comparando os comportamentos dos neandertalenses e outros ancestrais com os de certos animais quando est\u00e3o feridos ou doentes: lambem os ferimentos, fazem limpeza m\u00fatua e comem plantas em\u00e9ticas.<\/p>\n<p>\u00c9 prov\u00e1vel que os homens pr\u00e9-hist\u00f3ricos tivessem se comportado de modo semelhante, fazendo a suc\u00e7\u00e3o da \u00e1rea ferida sangrante e pressionando o local para parar a hemorragia, construindo as primeiras medidas terap\u00eauticas utilizadas pelos nossos antepassados.<\/p>\n<p>Perdura a quest\u00e3o da exist\u00eancia de ritual m\u00edtico-religioso ligado \u00e0 busca das causas e das solu\u00e7\u00f5es das doen\u00e7as. Na gruta de <em>Trois Fr\u00e8res<\/em>, no Sul da Fran\u00e7a, \u00e9 extraordinariamente significativa a pintura rupestre de um personagem em movimento de dan\u00e7a, datando de 10.000 anos a.C., travestido de cervo, em atitude que sugere ritual m\u00e9dico-m\u00edtico. De certo modo, \u00e9 semelhante ao ritual da dan\u00e7a dos bis\u00f5es, praticado pelo paj\u00e9, no Norte dos Estados Unidos, durante cerim\u00f4nia simbolizando o poder animal na cura das doen\u00e7as.<\/p>\n<p>Durante o Neolitico, entre 10.000 a 7.000 anos a.C., o homem passou a incorporar procedimentos emp\u00edricos no tratamento das doen\u00e7as. Algumas vezes, extremamente agressivos, como a trepana\u00e7\u00e3o do cr\u00e2nio, isto \u00e9 a abertura da cavidade craniana com o auxilio de instrumentos suficientemente fortes para cortar os ossos que protegem o c\u00e9rebro.<\/p>\n<p>\u00c9 facilmente comprovado que alguns dos homens pr\u00e9-hist\u00f3ricos que sofreram essa \u201ccirurgia\u201d sobreviveram muito tempo ap\u00f3s a realiza\u00e7\u00e3o, o suficiente para favorecer novo crescimento do osso cortado.<\/p>\n<p>Foram encontradas dezenas de outros cr\u00e2nios, com marcas semelhantes e com data\u00e7\u00f5es muito mais recentes, comprovadas pelo carbono 14, no altiplano boliviano e em algumas ilhas do Pac\u00edfico, em culturas que n\u00e3o tiveram contato inter\u00e9tnico sugerindo que o conte\u00fado do cr\u00e2nio tem sido entendido com maior import\u00e2ncia, relacionado \u00e0s doen\u00e7as, se comparado com outras \u00e1reas do corpo.<\/p>\n<div align=\"center\"><a href=\"http:\/\/3.bp.blogspot.com\/_Kt-aZ2vRve4\/Ssqil-urnfI\/AAAAAAAAB4o\/UE1dasxr_tY\/s1600-h\/15_FOTO_-_CRANIOTOMIA_REALIZADA_H%C3%83%C2%81_10%5B1%5D.000_ANOS.jpg\"><img decoding=\"async\" id=\"BLOGGER_PHOTO_ID_5389298677479874034\" src=\"http:\/\/3.bp.blogspot.com\/_Kt-aZ2vRve4\/Ssqil-urnfI\/AAAAAAAAB4o\/UE1dasxr_tY\/s400\/15_FOTO_-_CRANIOTOMIA_REALIZADA_H%C3%81_10%5B1%5D.000_ANOS.jpg\" alt=\"\" border=\"0\" \/><\/a><\/div>\n<div align=\"center\">Craniotomia realizada h\u00e1 10.000 anos.<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Prof.Dr.HC Jo\u00e3o Bosco Botelho Feiticeiro da gruta de Trois Fr\u00e8res, 10.000 anos. 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