{"id":265,"date":"2012-03-18T14:46:03","date_gmt":"2012-03-18T18:46:03","guid":{"rendered":"http:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/?p=265"},"modified":"2016-03-06T09:50:42","modified_gmt":"2016-03-06T13:50:42","slug":"a-medicina-no-brasil-colonia-holandes-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/?p=265","title":{"rendered":"A medicina no Brasil-col\u00f4nia holand\u00eas"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong>A medicina no Brasil-col\u00f4nia holand\u00eas<\/strong><\/p>\n<div align=\"right\"><strong><em>Prof.Dr.HC Jo\u00e3o Bosco Botelho<\/em><\/strong><\/div>\n<div align=\"center\"><a href=\"http:\/\/3.bp.blogspot.com\/_Kt-aZ2vRve4\/SnjsEzb5MxI\/AAAAAAAABmw\/OkmSovSF5Ak\/s1600-h\/6+FOTO+BRASIL+COLONIA1a.jpg\"><img decoding=\"async\" id=\"BLOGGER_PHOTO_ID_5366298523282780946\" src=\"http:\/\/3.bp.blogspot.com\/_Kt-aZ2vRve4\/SnjsEzb5MxI\/AAAAAAAABmw\/OkmSovSF5Ak\/s400\/6+FOTO+BRASIL+COLONIA1a.jpg\" alt=\"\" border=\"0\" \/><\/a><\/div>\n<div align=\"center\">Capa do livro de Guilherme Piso, 1648.<\/div>\n<div align=\"left\"><\/div>\n<div align=\"left\"><\/div>\n<div align=\"left\">\nO breve dom\u00ednio militar holand\u00eas, em Pernambuco, na segunda metade do s\u00e9culo XVII, possibilitou o encontro entre o administrador Maur\u00edcio de Nassau e o m\u00e9dico Guilherme Piso.<\/p>\n<p>Piso nasceu em Leyden, na Holanda, em 1611, e diplomou-se em Medicina em Caen, na Fran\u00e7a, em 1633. Ao chegar ao Brasil, em 1637, tornou-se chefe dos Servi\u00e7os M\u00e9dicos das \u00cdndias Ocidentais, em Pernambuco, durante sete anos.<\/p>\n<p>Nesse per\u00edodo, coletou material e anotou inigual\u00e1veis observa\u00e7\u00f5es que culminaram nos dois mais importantes livros de medicina do Brasil seiscentista: <em>Hist\u00f3ria Natural do Brasil<\/em> e <em>Hist\u00f3ria Natural e M\u00e9dica da \u00cdndia Ocidental<\/em>. Retornou \u00e0 Holanda em 1644, e clinicou em Amsterdam at\u00e9 1678, quando morreu.<\/p>\n<p>Antes da conquista holandesa da Capitania de Pernambuco, as pr\u00e1ticas m\u00e9dicas eram dominadas pelas farm\u00e1cias dos jesu\u00edtas. Sem op\u00e7\u00f5es, os colonos acreditavam que as famosas f\u00f3rmulas m\u00e1gicas dos padres resolviam todos os problemas de sa\u00fade, inclusive o desespero de algumas fam\u00edlias, com o <em>cozimento para a virgindade perdida<\/em>, do Irm\u00e3o Botic\u00e1rio Manoel de Carvalho.<\/p>\n<p>Com a nova diretriz imposta por Piso, sem a influ\u00eancia eclesi\u00e1stica, foi poss\u00edvel reunir no hospital do Forte de S\u00e3o Jorge os m\u00e9dicos judeus e cirurgi\u00f5es-barbeiros fugidos da Contrarreforma. Nesse hospital, o m\u00e9dico holand\u00eas percebeu que o tratamento dos paj\u00e9s curava mais do que as amputa\u00e7\u00f5es preconizadas pela medicina de Coimbra.<\/p>\n<p>No livro <em>Hist\u00f3ria Natural do Brasil<\/em>, Piso descreveu v\u00e1rias doen\u00e7as infecciosas. No cap\u00edtulo <em>Das lombrigas<\/em>, identificou corretamente o <em>Ascaris lumbricoides<\/em> e o <em>Enterobius vermiculares<\/em>, dois dos parasitas intestinais ainda comuns, no Brasil, afirmando que poderiam ser encontrados no est\u00f4mago, ves\u00edcula biliar e cora\u00e7\u00e3o. Essa afirma\u00e7\u00e3o comprovou de forma incontest\u00e1vel que tamb\u00e9m realizou necropsias na busca das causas da morte.<\/p>\n<p>Piso tamb\u00e9m relacionou a cirrose ao alcoolismo e \u00e0 m\u00e1 nutri\u00e7\u00e3o, quase duzentos anos antes da publica\u00e7\u00e3o de Laennec, em 1826. Como tratamento, prescrevia dieta de alimentos e bebidas frescas, diur\u00e9ticos vegetais e paracentece (drenagem do l\u00edquido acumulado no abdome ou barriga-d\u2019\u00e1gua). Impressiona a clareza com que ele referiu-se \u00e0s caracter\u00edsticas do f\u00edgado cirr\u00f3tico: <em>Na dissec\u00e7\u00e3o dos cad\u00e1veres, sobretudo de doentes que morreram de anasarca ou ascite, \u00e0s vezes se encontra o f\u00edgado de cor tirante a branco, abrindo em fendas, sem vest\u00edgio sequer de sangue.<\/em><\/p>\n<p>O m\u00e9dico holand\u00eas confirmou a presen\u00e7a da s\u00edfilis entre muitos europeus que viviam na Capitania de Pernambuco. Na refer\u00eancia \u00e0s doen\u00e7as femininas, assegurou que mais da metade das holandesas sofriam de corrimento vaginal e que as \u00edndias eram mais sadias que as brancas.<\/p>\n<p>Entre outras precisas observa\u00e7\u00f5es, Piso descreveu o escorbuto, comum entre os marujos seiscentistas. Como tratamento, recomendava o corret\u00edssimo uso em grande quantidade do suco do lim\u00e3o e maracuj\u00e1.<\/p>\n<p>Al\u00e9m das doen\u00e7as com os respectivos quadros cl\u00ednicos e tratamentos, Piso no livro <em>Hist\u00f3ria Natural do Brasil<\/em>, classificou dezenas de plantas e animais, acompanhadas de desenhos detalhados.<\/p>\n<p>Como li\u00e7\u00e3o absolutamente atual, Piso foi um dos poucos europeus, no s\u00e9culo 17, que valorizou os conhecimentos dos paj\u00e9s: <em>Os \u00edndios prescindem de laborat\u00f3rios, ademais, sempre t\u00eam a m\u00e3o sucos verdes e frescos de ervas. Enjeitam os rem\u00e9dios compostos de v\u00e1rios ingredientes, preferem os mais simples.<br \/>\n<\/em>.<\/div>\n<div align=\"center\"><a href=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/_Kt-aZ2vRve4\/Snjr85m8biI\/AAAAAAAABmo\/ZTQlW4_76pk\/s1600-h\/6+FOTO+BRASIL+COLONIA2a.jpg\"><img decoding=\"async\" id=\"BLOGGER_PHOTO_ID_5366298387500789282\" src=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/_Kt-aZ2vRve4\/Snjr85m8biI\/AAAAAAAABmo\/ZTQlW4_76pk\/s400\/6+FOTO+BRASIL+COLONIA2a.jpg\" alt=\"\" border=\"0\" \/><\/a><\/div>\n<div align=\"center\">Desenho de Piso: munduy-gua\u00e7u,<\/div>\n<div align=\"center\">pinh\u00f5es do Brasil.<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A medicina no Brasil-col\u00f4nia holand\u00eas Prof.Dr.HC Jo\u00e3o Bosco Botelho Capa do livro de Guilherme Piso, 1648. 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