{"id":2681,"date":"2019-06-21T11:09:07","date_gmt":"2019-06-21T15:09:07","guid":{"rendered":"http:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/?p=2681"},"modified":"2019-06-21T11:09:07","modified_gmt":"2019-06-21T15:09:07","slug":"ferida-braba","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/?p=2681","title":{"rendered":"FERIDA BRABA"},"content":{"rendered":"<p>MARIA AUXILIADORA CRUZ MESSA CHIARION<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong>Para a disciplina Hist\u00f3ria da Medicina escolhi contar a hist\u00f3ria do bot\u00e3o do Oriente, bot\u00e3o de Alepo, bot\u00e3o de Biskra, ferida braba, bot\u00e3o da Bahia, \u00falcera de nariz. Nomes populares n\u00e3o faltaram para identificar a leishmaniose cut\u00e2nea (tegumentar) no in\u00edcio do s\u00e9culo passado. No entanto, a denomina\u00e7\u00e3o \u201c\u00falcera de Bauru\u201d foi a mais pol\u00eamica e rendeu o mito vergonhoso, pois foram os desbravadores funcion\u00e1rios da Ferrovia Noroeste do Brasil contaminados que trouxeram essa m\u00e1 fama. Ali, os m\u00e9dicos indagavam a proced\u00eancia dos doentes e estes respondiam que procediam de Bauru, ent\u00e3o os m\u00e9dicos tiravam a conclus\u00e3o que tais feridas eram oriundas de l\u00e1. Este injusto batismo, provocou a presen\u00e7a de ilustres cientistas brasileiros Em\u00edlio Ribas e Adolpho Lutz para pesquisar a malvada<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E entenderam que se tratava daquela doen\u00e7a que acompanha o homem desde a antiguidade, existindo relatos e descri\u00e7\u00f5es desde o sec. I d.C. nas cer\u00e2micas pr\u00e9-colombianas feitas pelos \u00edndios do Peru, que apresentam mutila\u00e7\u00f5es de l\u00e1bios e narizes, caracter\u00edsticas da esp\u00fandia, hoje conhecida como leishmaniose cut\u00e2nea-mucosa.\u00a0 A fealdade ali se manifestava. At\u00e9 m\u00famias foram descobertas com les\u00f5es de pele e mucosas caracter\u00edsticas da leishmaniose.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas se algu\u00e9m quiser mesmo saber sobre a primeira refer\u00eancia de LTA \u2013 Leishmaniose Tegumentar Americana no Brasil, vai encontrar no documento da Pastoral Religiosa de 1827, no livro de Telo, intitulado \u201cAntiguidad dela Syfilis en el\u00a0 Peru\u201d,onde ele relata a viagem de Frei Dom Hip\u00f3lito Sanches de Fayas y Quiros, de Tabatinga(AM) at\u00e9 o Peru ,percorrendo as regi\u00f5es do vale amaz\u00f4nico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na \u00e9poca da borracha, a regi\u00e3o amaz\u00f4nica chamava a aten\u00e7\u00e3o por sua centralidade na discuss\u00e3o a respeito das patologias tropicais. Sua localiza\u00e7\u00e3o privilegiada nos tr\u00f3picos atraia m\u00e9dicos e pesquisadores da \u00e9poca que a consideravam como um lugar em que as patologias tropicais se apresentavam \u201ccom suas caracter\u00edsticas verdadeiras, n\u00e3o raro modificadas nas condi\u00e7\u00f5es mais temperadas das zonas intertropicais\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Da\u00ed a fora, foram descritos casos no Norte, Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste, s\u00f3 poupou o Sul.\u00a0 Ops ! que nada, meu colega acaba de contestar que l\u00e1 no Paran\u00e1 tem tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A LTA \u00e9 uma doen\u00e7a n\u00e3o contagiosa, de evolu\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica, que acomete as estruturas da pele, causada por picada da f\u00eamea dos flebotom\u00edneos, popularmente chamados de \u201cmosquito palha\u201d ou \u201ccangalhinha\u201d. Eles s\u00e3o pequenos, de cor clara e pousam de asas abertas. O bicho \u00e9 bem pequenininho, parece mosca de frutas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E\u00b4a\u00ec que quero chegar, essa picada que come\u00e7a como uma espinha, fica logo com bordinha, e dizem que \u00e9 indolor, mas quem sabe \u00e9 o portador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao chegar ao Tropical, nem imagina que o \u201cGuerra\u201d vai enfrentar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antes era s\u00f3 no pescador e agricultor&#8230;mas a expans\u00e3o da zona urbana, que vai empurrando a fronteira, tem ocasionado muitos casos positivo ao longo da Barreira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O diagn\u00f3stico vai ser dif\u00edcil, se demorar a vir, porque o Claudemir n\u00e3o deixa ningu\u00e9m rir. O caboclo quer at\u00e9 fugir, mas n\u00e3o tem pra onde ir. O Ambulat\u00f3rio o espera. Vai pegar seu relat\u00f3rio com o esquema de inje\u00e7\u00e3o pra curar sua les\u00e3o. E depois de tanta picada, parece que est\u00e1 curada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aff, que nada, passa a chuvarada, entra outras temporadas. \u00c9 <strong>pesca esportiva<\/strong>, <strong>pesca e solta<\/strong> e tantas modalidades que a gente nunca viu. Vem rico gringo, e rico e n\u00e3o gringo. Pra ganhar uma bolada, l\u00e1 v\u00e3o os como barqueiros, servir de escudeiros. E at\u00e9 na distribui\u00e7\u00e3o das doen\u00e7as, o Brasil \u00e9 desigual, embora no per\u00edodo de setembro esteja esse alvoro\u00e7o, S\u00f3 os pobres ficam no osso. Eles t\u00eam tudo telado, filtro solar 100 e respeitam direitinho o hor\u00e1rio do mosquito, se \u00e9 que existe isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E voltam felizes pros seus lugares, deixando em muitos casos, a gratid\u00e3o pela servid\u00e3o&#8230; que mais tarde quem sabe tem les\u00e3o, nos p\u00e9s e nas m\u00e3os. E tr\u00eas meses ent\u00e3o voltar\u00e3o &#8230;ao Claudemir&#8230;.que s\u00f3 faz rir. E diz: &#8211; Pra ti s\u00f3 espera inje\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Negligenciadas n\u00e3o s\u00e3o as doen\u00e7as, e sim os doentes; uma an\u00e1lise da situa\u00e7\u00e3o, diz que \u00e9 a sexta doen\u00e7a mais importante pela OMS e os desafios para o alcance deste controle continua longe&#8230;apesar de ser de notifica\u00e7\u00e3o compuls\u00f3ria, tem muita falta de fechamento de caso. S\u00e3o esses, aqueles que retornar\u00e3o com o narig\u00e3o&#8230;por que a ferida braba n\u00e3o morreu&#8230;.apenas adormeceu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Legenda:<\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Bot\u00e3o do Oriente, bot\u00e3o de Alepo, bot\u00e3o de Biskra, ferida braba, bot\u00e3o da Bahia, \u00falcera de nariz nomes polupales da <strong>Leishmanise Tegumentar Amecicana<\/strong><\/li>\n<li><strong>Esp\u00fandia<\/strong>: Afec\u00e7\u00e3o cut\u00e2nea, comum em algumas regi\u00f5es das Am\u00e9ricas Central e do Sul, causada por uma esp\u00e9cie de Leishmania; \u00falcera de Bauru.<\/li>\n<li><strong>Fealdade:<\/strong> Feiura ou fealdade \u00e9 uma caracter\u00edstica de um ser vivo ou inanimado, cuja apar\u00eancia \u00e9 visualmente desagrad\u00e1vel e resulta numa avalia\u00e7\u00e3o desfavor\u00e1vel. Um Ser feio \u00e9 um Ser n\u00e3o atraente, mas sim repulsivo, ou at\u00e9 mesmo ofensivo, aos que partilham ou n\u00e3o dos mesmos valores culturais.<\/li>\n<li><strong>Flebotominios:<\/strong> Os flebotom\u00edneos s\u00e3o uma subfam\u00edlia de insetos da fam\u00edlia dos Psychodidae. Esta fam\u00edlia inclui v\u00e1rios g\u00e9neros de moscas hemat\u00f3fagas, incluindo os principais vetores de transmiss\u00e3o da leishmaniose, bartonelose e febre por fleb\u00f3tomos<strong>.<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mosquito Palha ou Cangalhinha :<\/strong> nomes populares do flebotom\u00ednio.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>MARIA AUXILIADORA CRUZ MESSA CHIARION \u00a0Para a disciplina Hist\u00f3ria da Medicina escolhi contar a hist\u00f3ria do bot\u00e3o do Oriente, bot\u00e3o de Alepo, bot\u00e3o de Biskra, ferida braba, bot\u00e3o da Bahia, \u00falcera de nariz. Nomes populares n\u00e3o faltaram para identificar a &hellip; <a href=\"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/?p=2681\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-2681","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2681","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2681"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2681\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2682,"href":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2681\/revisions\/2682"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2681"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2681"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2681"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}