{"id":269,"date":"2012-03-18T14:47:47","date_gmt":"2012-03-18T18:47:47","guid":{"rendered":"http:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/?p=269"},"modified":"2016-03-06T09:50:28","modified_gmt":"2016-03-06T13:50:28","slug":"tabagismo-do-sagrado-ao-profano-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/?p=269","title":{"rendered":"Tabagismo: do sagrado ao profano"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: left;\">Tabagismo: do sagrado ao profano<\/h3>\n<div style=\"text-align: left;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: left;\"><em><strong>Prof.Dr.HC Jo\u00e3o Bosco Botelho<\/strong><\/em><\/div>\n<div style=\"text-align: left;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: left;\"><\/div>\n<p style=\"text-align: left;\">\n<p>A origem do mito da magia da fuma\u00e7a est\u00e1 obrigatoria\u00acmente ligada ao fogo domesticado. Assim, n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 muito antigo como tamb\u00e9m acompanhou de perto a marcha da humaniza\u00e7\u00e3o. A fuma\u00e7a acabou incorporando esse sentido religioso de ponte entre o c\u00e9u e a terra.<\/p>\n<p>Os relatos dos cronistas e viajantes, no Brasil colonial, muitos acompanha\u00acdos de iconogravuras, narraram o uso do tabaco nos ritos terap\u00eauticos e divinat\u00f3rios. Os paj\u00e9s se comunicavam com os esp\u00edritos, para curar e adivinhar, atrav\u00e9s da for\u00e7a embriagadora da fuma\u00e7a do tabaco queimado.<\/p>\n<p>A passagem do tabagismo do espa\u00e7o sagrado para o profa\u00acno ocorreu, no Brasil, com a chegada do colonizador. O v\u00edcio de fumar, por homens e mulheres, como instrumento de prazer foi imediatamente percebida ainda nos primeiros contatos e assinalado por Cardim, no s\u00e9culo XVI: \u201cCostumam esses gentios beber fumo de petigma (tabaco), por outro nome erva santa&#8230; ficam com o canudo de cana cheio desta erva, e, pondo lhe fogo na ponta, metem o pau grosso na boca e assim, chu\u00acpando e bebendo aquele fumo, o tem por grande mimo e regalo.\u201d<\/p>\n<p>Durante a ocupa\u00e7\u00e3o holandesa do Nordeste brasileiro, na primeira metade do s\u00e9culo XVII, pelas tropas de Jo\u00e3o Maur\u00edcio de Nassau, o m\u00e9dico Guilherme Piso, chefe dos servi\u00e7os m\u00e9dicos das \u00cdndias Ocidentais, fez o registro fundamental da sedu\u00e7\u00e3o do tabagismo: \u201cA c\u00e9lebre erva Taba-co ou Petum, chamada pelos brasileiros Petume, em quase todas as \u00cdndias Ocidentais \u00e9, desde remotos tempos, estimada pelos pr\u00f3prios \u00edncolas para sarar feridas. Logo que os europeus souberam disto, pesquisando lhe as virtudes rec\u00f4nditas, aplicaram as folhas frescas, bem como o sumo das mesmas, a usos humanos; depois secas, nos abusos e prazeres tamb\u00e9m. De sorte que agora, como o vento hibernal, o fumo do tabaco vicia o orbe universal.\u201d<\/p>\n<p>Explicar o sucesso do tabaco n\u00e3o \u00e9 coisa f\u00e1cil. Parece que o prazer proporcionado pelo tabagismo est\u00e1 embutido num sentimento hedonista, envolvendo uma complexa rede social e cul-tural interligada aos fatores biol\u00f3gicos do v\u00edcio.<\/p>\n<p>O consumo, em 1920, quase nulo no sexo feminino, alcan\u00e7ou a fant\u00e1stica cifra, em 1970, de duas mil unidades por adulto. A aten\u00e7\u00e3o das autoridades mundiais de sa\u00fade p\u00fablica foi alerta-da, pela primeira vez, pelo Relat\u00f3rio de Hammond e Horn, em 1954, financiado pelo American Cancer Society, seguido pelo do Royal College of Phisicians, da Inglaterra, em 1962, descrevendo a nocividade do fumo. Hoje existem mais de setenta mil publica\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis sobre o assunto.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tabagismo: do sagrado ao profano Prof.Dr.HC Jo\u00e3o Bosco Botelho A origem do mito da magia da fuma\u00e7a est\u00e1 obrigatoria\u00acmente ligada ao fogo domesticado. Assim, n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 muito antigo como tamb\u00e9m acompanhou de perto a marcha da humaniza\u00e7\u00e3o. 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