{"id":2830,"date":"2020-03-28T11:58:38","date_gmt":"2020-03-28T15:58:38","guid":{"rendered":"http:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/?p=2830"},"modified":"2020-03-28T11:58:38","modified_gmt":"2020-03-28T15:58:38","slug":"a-medicina-na-india-antiga","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/?p=2830","title":{"rendered":"A MEDICINA NA \u00cdNDIA ANTIGA"},"content":{"rendered":"<p>Prof. Dr. HC Jo\u00e3o Bosco Botelho<\/p>\n<p>\u00c9 prov\u00e1vel que a medicina da \u00cdndia antiga j\u00e1 estivesse sistematizada muitos s\u00e9culos antes da sua invas\u00e3o pelos arianos vedas em torno do ano 2000 a.C.<\/p>\n<p>Essa suposi\u00e7\u00e3o \u00e9 baseada nos estudos arqueol\u00f3gicos\u00a0 feitos na cidade <strong>Mohenjo-Daro<\/strong>, no noroeste da \u00cdndia, nas margens do rio Indo. Nesta cidade foram encontratos diferentes seguimentos aluvionais que podem ter at\u00e9 7000 anos, o que lhe d\u00e1 a primazia de estar entre as cidades mais velhas do Mundo, desde que o homem come\u00e7ou o seu irrevers\u00edvel processo de dentariza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>As escava\u00e7\u00f5es arqueol\u00f3gicas de <strong>Mohenjo-Daro<\/strong>, no noroeste da \u00cdndia, nas margens do rio Indo. nesta ciade foram encontrados diferentes seguimentos aluvionais que podem ter at\u00e9 7000 anos, o que lhe d\u00e1 a primazia de estar entre as cidades mais velhas do Mundo, desde que o homem come\u00e7ou o seu irrevers\u00edvel processo de sedentariza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>as escava\u00e7\u00f5es arqueol\u00f3gica de <strong>Mohenjo-Daro<\/strong> evidenciaram ruas bem tra\u00e7adas com rede de esgotos, canaliza\u00e7\u00e3o para \u00e1gua e banhos p\u00fablicos. Estes achados colaboram na confirma\u00e7\u00e3o de que a civiliza\u00e7\u00e3o que se desenvolveu no vale do indo j\u00e1 tinha id\u00e9ia bem precisa da import\u00e2ncia dos cuidados de sa\u00fade p\u00fablica na prolaxia das doen\u00e7as.<\/p>\n<p>Essa cidade e outras do mesmo per\u00edodo que floresceram no vale do Indo e dos seus cinco afluentes, conhecidos como Pendjad, eram constitu\u00eddas por diferentes grupos \u00e9tinicos que obtinham o seu sustento na agricultura e comercializavam o excedente.<\/p>\n<p>A primeira sistematiza\u00e7\u00e3o da medicina na \u00cdndia antiga est\u00e1 contida no <strong>\u00c2yurveda<\/strong>, escritos originalmente em s\u00e2nscrito e impregnado de forte religiosidade.<\/p>\n<p>O<strong> \u00c2yurdeda<\/strong>\u00a0 significa o <strong>Veda da Longevidade<\/strong> e constitui\u00a0 a base te\u00f3rica da medicina tradicional da \u00cdndia. O texto original tem no seu conjunto mil cap\u00edtulos divididos em cem mil cap\u00edtulos divididos em cem mil vers\u00edculos ou <strong>Shlokas<\/strong>, divididos em <strong>\u00a0Asht\u00e2nga<\/strong>, palavra que at\u00e9 hoje \u00e9 utilizada na \u00cdndia como sin\u00f4nimo de medicina.<\/p>\n<p>O<strong> \u00c2yuerveda<\/strong> tem oito cap\u00edtulos bem defenidos, e que tratam de diferentes assuntos m\u00e9dicos:<\/p>\n<p>1 &#8211; <strong>Shalya<\/strong> &#8211; cirurgia para retirada de corpo estranho, feto\u00a0 morto retido intrauterino, drenagem de feridas com pus e a utiliza\u00e7\u00e3o de instrumental cir\u00fargico para efetuar estes e outros procedimentos,<\/p>\n<p>2 &#8211; <strong>Sh\u00e2l\u00e2kya<\/strong> &#8211; cirurgia dos olhos, nariz, orelhas e garganta, considerado hoje como verdadeiro tratado de oftalmologia e otorrinolaringologia.<\/p>\n<p>3 &#8211; <strong>K\u00e2yacikits\u00e2<\/strong> &#8211; trata da terap\u00eautica em geral e descreve mais de oitocentos diferentes tipos de pantas com propriedades medicinais.<\/p>\n<p>4- <strong>Bh\u00fbtavidy\u00e2<\/strong> &#8211; s\u00e3o os ensinamnetos que permitem tratar com os esp\u00edritos dos mortos, com os dem\u00f4nios e com os doentes que foram possu\u00eddos pelos deuses que causam as doen\u00e7as.<\/p>\n<p>5 &#8211; <strong>\u00a0Kaum\u00e2rabhritya<\/strong> &#8211; cuida dos rec\u00e9m-nascidos e das mulheres gr\u00e1vidas.<\/p>\n<p>6 &#8211; <strong>Agadatantra<\/strong> &#8211; se refere a toxicologia, aos venenos e aos ant\u00eddotos.<\/p>\n<p>7 &#8211; <strong>Ras\u00e2yana ou Jar\u00e2<\/strong> &#8211; estuda as ervas do rejuvenecimento e os afrodis\u00edacos que contribuem para a manuten\u00e7\u00e3o da sa\u00fade.<\/p>\n<p>8 &#8211; <strong>V\u00e2jikarana ou Vrisha<\/strong> &#8211; descreve as propriedades dos afrodis\u00edacos.<\/p>\n<p>Como todas as medicinas antigas, a indiana \u00e9 alice\u00e7ada em elabora\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas que tentam explicar a concreticidade dos fen\u00f4menos materiais a partir de uma concep\u00e7\u00e3o emp\u00edrica, mas acima do meramente emp\u00edrico.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A partir desse ponto, a compreens\u00e3o do bin\u00f4mio sa\u00fade doen\u00e7a na \u00cdndia antiga estava voltada para a compreens\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o do microcosmo e do macrocosmo por cinco elementos fundamentais: <strong>Dh\u00e2tu<\/strong> ou o \u00e9ter ou o vazio, <strong>V\u00e2yu<\/strong> ou o vento, <strong>Agni<\/strong> ou o fogo, <strong>jata <\/strong>\u00a0ou a \u00e1gua e <strong>Bh\u00fbmi<\/strong> ou a terra. O corpo humano seria composto da complexa combina\u00e7\u00e3o destes elementos e as doen\u00e7as seriam formadas pelo desequil\u00edbrio entre eles. os alimentos inadequados eram considerados a principal causa do aparecimento da desarmonia entre os cinco componentes maiores do homem.<\/p>\n<p>Provavelmente, como consequ\u00eancia dessas concep\u00e7\u00f5es, a dieta e a higiene desempenharam um papel importante na terap\u00eautica contida no <strong>\u00c2yurveda.<\/strong><\/p>\n<p>As diferentes formas de tratamento encontrada no <strong>\u00c2yurveda.<\/strong>, distingue os rem\u00e9dios que fortaleciam os organismos e os curavam. Os primeiros eram os afrodis\u00edacos e os segundos eram os vegetais com propriedades terap\u00eauticas que deveriam ser tomados segundo as normas rituais contidas nos <strong>Vedas<\/strong>. Neste tratado de terap\u00eautica est\u00e3o descritas mais de setecentas diferentes esp\u00e9cies de vegetais que foram usadas na \u00cdndia durante nais de tr\u00eas mil anos. At\u00e9 hoje ainda se encontra nas cidades da \u00cdndia o curandeiro andarilho shivaista que carrega consigo os conhecimentos das f\u00f3rmulas m\u00e1gicas que administra aos doentes ao som m\u00edstico dos hinos v\u00e9didos cantados em tom melodioso.<\/p>\n<p>Ainda segundo os ensinamentos contidos no <strong>\u00c2yurveda<\/strong>, as doen\u00e7as de dividem em tr\u00eas tipos: as cur\u00e1veis ou <strong>S\u00e2dhya<\/strong>, as que podem melhorar ou <strong>Yapya<\/strong> e as incur\u00e1veis ou <strong>Praty\u00e2khyeye. <\/strong>Admite claramente que as doen\u00e7as s\u00e3o consequentes de culpas de vidas anteriores ou <strong>\u00a0Karmaja<\/strong> e que cur\u00e1-las totalmente \u00e9 indispens\u00e1vel a penit\u00eancia ou <strong>Pr\u00e2yashcitta.<\/strong><\/p>\n<p>Ap\u00f3s a invas\u00e3o ariana veda da \u00cdndia seguida da destrui\u00e7\u00e3o das cidades e das fortifica\u00e7\u00f5es, os primitivos habitantes foram transformados em escravos e passaram a constituir a quarta e mais inferior das castas dos tempos v\u00e9dicos, os <strong>Shudras<\/strong>. Esta conquista da \u00cdndia \u00e9 relatada nos textos dos <strong>Vedas.<\/strong><\/p>\n<p>Com o nome de <strong>Veda<\/strong> se designa &#8221; o saber, o conhecimento sagrado por excel\u00eancia&#8221;, o conjunto dos textos religiosos que os arianos levaram\u00a0 para a \u00cdndia e desenvolveram ap\u00f3s a conquista. eles s\u00e3o considerados como uma revela\u00e7\u00e3o direta de <strong>Brahma<\/strong>, escrita por autores humanos, os <strong>rishis<\/strong>, ou s\u00e1bios inspirados.<\/p>\n<p>existem quatro <strong>Vedas <\/strong>e eles tratam das rela\u00e7\u00f5es m\u00edticas da trindade bram\u00e2nica, <strong>Vishnu, Braha e Shiva.<\/strong><\/p>\n<p>1 &#8211; <strong>Rigveda<\/strong> &#8211; formada das estrofes<strong> Rik<\/strong> que s\u00e3o cantadas durante os sagrif\u00edcios rituais.<\/p>\n<p>2 &#8211; <strong>\u00a0Yajurveda &#8211; <\/strong>que agrupam os <strong>\u00a0Yajus<\/strong> ou as f\u00f3rmulas dos sacrif\u00edcios.<\/p>\n<p>3 &#8211; <strong>\u00a0S\u00e2maveda &#8211; <\/strong>que reuni os <strong>\u00a0S\u00e2man<\/strong> ou melodia sagrada.<\/p>\n<p>4 &#8211; <strong>\u00a0Atharvaveda &#8211; <\/strong>que forma no seu conjunto o <strong>\u00a0Atharvan<\/strong> ou as f\u00f3rmulas sagradas.<\/p>\n<p>A totalidade destes textos constitui a base doutrin\u00e1ria da religi\u00e3o v\u00e9dica e do brahmanismo. Eles foram transmitidos oralmente durante milhares de anos. Servindo para consolida\u00e7\u00e3o do controle social pelo cinquistador ariano e a medicina teve um papel testacado neste conjunto.<\/p>\n<p>Os deuses e os dem\u00f4nios v\u00e9dicosrepresentam uma parte importante do conjunto m,\u00e9dico contido nos textos v\u00e9dicos. Os deuses curadores mais importantes s\u00e3o os g\u00eameos <strong>\u00c2shvin,<\/strong> como o s\u00e3o Cosme e S\u00e3o Dami\u00e3o da religi\u00e3o crist\u00e3 que no <strong>Rigveda<\/strong> (x, 39, 3b) aparecem como &#8220;m\u00e9dico dos cegos, dos desnutridos e dos que sofrerem fraturas&#8221;. outro deus curador veda \u00e9 <strong>Rudra<\/strong>, de duplo car\u00e1ter mal\u00e9fico e caridoso, e que se transformou em <strong>Shiva<\/strong>, o grande deus moderno do hindu\u00edsmo. O Shiva moderno mant\u00e9m a duplicidade do primitivo Rudra, sendo deus caridoso e col\u00e9rico. O deus Rudra \u00e9 adorado como &#8221; o primeiro m\u00e9dico divino&#8221; nos versos do <strong>Yajurvedra.<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Varuna<\/strong> \u00e9 o terceiro mais importante deus m\u00e9dico da mitologia indiana. Ele \u00e9 considerado o ordenador de ordem c\u00f3smica. A doen\u00e7a \u00e9 entendida como castigo pelo pecado cometido contra a ordem estabelecida pro <strong>Varuna<\/strong>.<\/p>\n<p>Ainda dos <strong>Vedas<\/strong>, os dem\u00f4nios como <strong>Nirrite,<\/strong> que encarna a perdi\u00e7\u00e3o,<strong> Grahi<\/strong> o endemoninhado e os <strong>Rakshas<\/strong> especializados nos abortos s\u00e3o os principais causadores das doen\u00e7as incur\u00e1veis.<\/p>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o entre a doen\u00e7a e o castigo divino \u00e9 constante e muito estreita. Todas as causas das doen\u00e7as f\u00edsicas pertencem aos dom\u00ednios das transgress\u00f5es das normas de conduta social. Alguns destes conceitos sobreviveram num tempo e aos diferentes conquistadores que a \u00ednduia j\u00e1 teve e continuam vivos na atualidade.<\/p>\n<p>O processo que contribui na forma\u00e7\u00e3o do pensamento coletivo indiano atual do significado dos bin\u00f4mios sa\u00fade-doen\u00e7a e vida-morte t\u00eam marcas profundas da influ\u00eancia dos conceitos v\u00e9dicos contidos no <strong>Yajurveda.<\/strong> O termo <strong>Yaksma,<\/strong> usado muitas vezes nos textos v\u00e9dicos com o sentido de debilidade e caquexia, continua sendo utilizado at\u00e9 hoje pela medicina indiano com o sentido de caracterizar as doen\u00e7as cr\u00f4nicas como a tuberculose, que exaurem cronicamente o organismo.<\/p>\n<p>De acordo com a mitologia v\u00e9dica a medicina teve uma origem v\u00e9dica. Ela foi revelada por <strong>Brahma<\/strong> a <strong>Praj\u00e2pati<\/strong> o sennhor de todas as criaturas e este a transmitiu aos <strong>Ashvien, <\/strong>os m\u00e9dicos g\u00eameos, estes a <strong>Indra<\/strong>, o rei dos deuses e este \u00faltimo a <strong>Divod\u00e2sa,<\/strong>rei de <strong>K\u00e2shi <\/strong>(atual Benares). Finalmente o rei de Benares a ensinou aos homens mortais, revelando secredos da medicina a um grupo de m\u00e9dicos. Entre eles estavam o lend\u00e1rio m\u00e9dico indiano <strong>Sushruta.<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel que entre esses personagens m\u00edticos, tem existido autores reais que contribu\u00edram para a transmiss\u00e3o do conheimento m\u00e9dico historicamente acumulado na \u00cdndia. Um dos exemplos \u00e9 o personagem semi-divino <strong>Atreya<\/strong>, que \u00e9 contado em v\u00e1rias lendas, hora como m\u00e9dico hora como cirurgi\u00e3o. Talvez tenham existido v\u00e1rios <strong>Atr\u00e9ia<\/strong> que se destacaram como m\u00e9dicos ao longo de milhares de anos.<\/p>\n<p>O m\u00e9dico <strong>Sushruta<\/strong>, o \u00falimo da cadeia da origem m\u00edtica da medicina da \u00cdndia antiga escreveu o <strong>Sushrutasamhita<\/strong> ou o manual m\u00e9dico de <strong>Sushiuta<\/strong>. Este tratado de medicina, com um pouco mais de 900 p\u00e1ginas na edi\u00e7\u00e3o moderna \u00e9 conhecida como <strong>Corpos Sushiuta<\/strong>, a exemplo do <strong>corpos Hipocr\u00e1ticos <\/strong>\u00a0da medicina grega.<\/p>\n<p>Provavelmente o <strong>Sushrutasamhita<\/strong> j\u00e1 estava elaborado nos \u00faltimos s\u00e9culos antes de cristo. Ele est\u00e1 dividido em seis livros que trata da cl\u00ednica, cirurgia, higiene pessoal e coletiva, banhos, massagens patologia, dieta, exerc\u00edcios e gravidez. Aborda os tratamentos descrevendo minuciosamente as plantas com as respectivas modalidades de preparo.<\/p>\n<p>O segundo grande tratado m\u00e9dico da \u00cdndia antiga \u00e9 o atribu\u00eddo a <strong>Caraka<\/strong>. De data posterior ao de <strong>Sushruta<\/strong> \u00e9 muito semelhante a este excetuando a pouca import\u00e2ncia que d\u00e1 a cirurgia como forma de tratamento das doen\u00e7as.<\/p>\n<p>\u00c9 prov\u00e1vel que tenha existido influ\u00eancia da medicina grega sobre alguns aspectos da medicina da \u00edndia antiga e vice-versa. Um dos exemplos da conflu\u00eancia dos conceitos que existiu entre as duas medicinas \u00e9 refer\u00eancia ao vento nas obras de <strong>Sushruta,<\/strong> <strong>Caraka<\/strong> e as da Escola de C\u00f3s. A semelhan\u00e7a dos conceitos \u00e9 muito grande para ser somente uma mera coincid\u00eancia. No livro <strong>\u00a0dos ventos \u00e1gua e regi\u00f5es<\/strong> atribu\u00eddo a v\u00e1rios autores e escrito em torno do s\u00e9culo IV antes de cristo na Gr\u00e9cia, existem passagens que existem praticamente iguais aos do livro indiano.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>o juramento que era feito pelos iniciados na medicina da \u00cdndia antiga guarda uma semelhan\u00e7a muito grande com o serm\u00e3o atribu\u00eddo a Hip\u00f3crates, que tamb\u00e9m era jurado pelos iniciantes da Escola de C\u00f3s. Os pontos doutrin\u00e1rios de ambos os juramentos s\u00e3o basecamente os mesmos, a dedica\u00e7\u00e3o plena a necessidade de curar a origem divina da medicina, o postura de resiat\u00eancia frente as tenta\u00e7\u00f5es do sexo com os pacientes de ambos os sexos, a manuten\u00e7\u00e3o do segredo profissional e a obedi\u00eancia \u00e0s normas sociais.<\/p>\n<p>A presen\u00e7a dos gregos na porta da \u00cdndia est\u00e1 bem documentada a partir do s\u00e9culo VI antes de Cristo quando, soube o reinado de Dario, foi fundada a cidade de Barce (Her\u00f4ndotos, IV, 204) por gregos da religi\u00e3o de Cirenaica. Nesta \u00e1rea j\u00e1 florecia o importante n\u00facleo de conhecimentos m\u00e9dicos, que podem ter sidos levados para a \u00edndia e que teriam dado in\u00edcio as trocas de conhecimento m\u00e9dico entre as duas popula\u00e7\u00f5es. Por outro lado, j\u00e1 existia uma rota comercial entre a \u00cdndia e a gr\u00e9cia, descrita por Estrab\u00e3o e pl\u00edneo, que pode ter contribu\u00eddo nio conhecimento m\u00e9dico dos indianos e gregos.<\/p>\n<p>A busca da comprova\u00e7\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o entre a antiga medicina da \u00cdndia e da Gr\u00e9cia \u00e9 muito importante para que se compreenda na atualidade os conceitos m\u00e9dicos que influenciaram no entendimento do bin\u00f4mio sa\u00fade-doen\u00e7a naquela sociedade escravista. Ajuda tamb\u00e9m na compreens\u00e3o do porque da semelhan\u00e7a dos conceitos contidos no <strong>Corpos Hipocr\u00e1ticos e no corpos Sanshruda,<\/strong> al\u00e9m da influ\u00eancia que ambos ainda hoje determinam na mem\u00f3ria coletiva dos povos ocidentais.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Prof. Dr. HC Jo\u00e3o Bosco Botelho \u00c9 prov\u00e1vel que a medicina da \u00cdndia antiga j\u00e1 estivesse sistematizada muitos s\u00e9culos antes da sua invas\u00e3o pelos arianos vedas em torno do ano 2000 a.C. 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