{"id":323,"date":"2012-03-18T15:17:20","date_gmt":"2012-03-18T19:17:20","guid":{"rendered":"http:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/?p=323"},"modified":"2016-03-06T09:46:13","modified_gmt":"2016-03-06T13:46:13","slug":"praticas-medicas-no-seculo-19","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/?p=323","title":{"rendered":"Pr\u00e1ticas m\u00e9dicas no s\u00e9culo 19"},"content":{"rendered":"<p><strong>Pr\u00e1ticas m\u00e9dicas no s\u00e9culo 19<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"center\">Prof.Dr.HC Jo\u00e3o Bosco Botelho<\/p>\n<p align=\"center\">\n<p align=\"center\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>Considera\u00e7\u00f5es gerais<br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p><strong>Primeiro corte epistemol\u00f3gico da Medicina<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na Escola M\u00e9dica de C\u00f3s, na Gr\u00e9cia, Pol\u00edbio, o genro de Hip\u00f3crates, baseado nos quatro elementos de Emp\u00e9docles (terra, fogo, ar, \u00e1gua), descreveu o primeiro processo te\u00f3rico capaz de compreender os bin\u00f4mios sa\u00fade-doen\u00e7a e vida-morte fora dos dom\u00ednios dos pante\u00f5es das divindades protetoras e vingadoras: a teoria dos Quatro Humores, preconizando a sa\u00fade como resultado do equilibro de quatro humores \u2013 bilioso preto, bilioso amarelo, sangu\u00edneo, fleum\u00e1tico:<\/p>\n<p>\u201cQuanto \u00e0 doen\u00e7a que n\u00f3s chamamos de sagrada (epilepsia), eis o que ela significa: ela n\u00e3o me parece nem mais divina, nem mais sagrada que as outras; ela tem a mesma natureza que as demais doen\u00e7as e se origina das mesmas causas que cada uma delas. Os homens atribu\u00edram-lhe uma natureza e uma origem divinas por causa da ignor\u00e2ncia e do assombro que ela lhes inspira, pois em nada se assemelha \u00e0s outras\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div align=\"center\">\n<table border=\"1\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td width=\"100\">Ar<\/td>\n<td width=\"100\">\n<h4>Fleuma<\/h4>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"100\">\u00c1gua<\/td>\n<td width=\"100\">Bile amarela<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"100\">Fogo<\/td>\n<td width=\"100\">Sangue<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"100\">Terra<\/td>\n<td width=\"100\">Bile preta<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Desse modo, Pol\u00edbio firmou a correspond\u00eancia estrutural da teoria dos quatro elementos fundamentais da natureza defendida por Emp\u00e9docles com a teoria dos Quatro Humores fundamentais do corpo humano. Sem que at\u00e9 hoje saibamos, exatamente, o que representavam os humores, a id\u00e9ia revolucion\u00e1ria dos m\u00e9dicos gregos da Escola M\u00e9dica, na ilha de C\u00f3s, representados por Hip\u00f3crates, ficou conhecida como teoria dos Quatro Humores. Sob essa formid\u00e1vel concep\u00e7\u00e3o te\u00f3rica, que dominou as pr\u00e1ticas da Medicina-oficial at\u00e9 o s\u00e9culo 17, o corpo humano seria constitu\u00eddo de quatro humores: sangue, fleuma, bile amarela e bile preta.<\/p>\n<p>O equil\u00edbrio entre a quantidade e qualidade dos humores seria o respons\u00e1vel pela sa\u00fade. Ao contr\u00e1rio, os desequil\u00edbrios entre eles provocaram as doen\u00e7as. Como conseq\u00fc\u00eancia imediata, esse sistema te\u00f3rico permitiu aos m\u00e9dicos hipocr\u00e1ticos explicarem a origem das doen\u00e7as e, pela primeira vez, iniciar o conflito de compet\u00eancia entre a Medicina-oficial com as cren\u00e7as e id\u00e9ias religiosas, quando a sa\u00fade e a doen\u00e7a come\u00e7aram a ser compreendidas pelo pequeno grupo de m\u00e9dicos da Escola de C\u00f3s, sob a lideran\u00e7a de Hip\u00f3crates como consequ\u00eancia do desequil\u00edbrio dos humores.<\/p>\n<p>O ponto inicial do conflito pode estar contido na nova abordagem da epilepsia, na \u00e9poca, at\u00e9 ent\u00e3o conhecida como \u201cdoen\u00e7a sagrada\u201d A epilepsia, tida como doen\u00e7a sagrada, de natureza divina, nas palavras de Hip\u00f3crates, foi arrancada do dom\u00ednio abstrato dos deuses e conduzida na trilha da busca da materialidade:<\/p>\n<p>\u201cQuanto a doen\u00e7a que n\u00f3s chamamos de sagrada, eis o que significa: ela n\u00e3o me parece nem mais divina, nem mais sagrada que as outras; tem a mesma natureza das demais doen\u00e7as e se origina das mesmas causas que cada uma delas. Os homens lhe atribu\u00edram natureza e origem divinas por causa da ignor\u00e2ncia e assombro que ela lhes inspira, pois em nada se assemelha \u00e0s outras.\u201d<\/p>\n<p>Sob a leitura de Bachelard, \u00e9 poss\u00edvel entender esse extraordin\u00e1rio avan\u00e7o para retirar dos deuses e deusas o destino dos homens e das mulheres como o primeiro corte epistemol\u00f3gico da Medicina.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Segundo corte epistemol\u00f3gico da Medicina<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>De modo genial, Marcelo Malpighi\u00a0 (1628-1694), em 1666, com o livro \u201cDe viscerum structura\u201d retirou a doen\u00e7a dos humores de Hip\u00f3crates e recolocando-a na microestrutura, estabelecendo o segundo corte epistemol\u00f3gico da Medicina como especialidade social: o pensamento microl\u00f3gico, que mudaria quase tudo nos selos seguintes ate a atualidade.<\/p>\n<p>O resultado foi a institui\u00e7\u00e3o do pensamento microl\u00f3gico, inaugurando o desvendar da multiplicidade das formas e das fun\u00e7\u00f5es escondidas dos sentidos natos, numa dimens\u00e3o invis\u00edvel aos olhos desarmados.<\/p>\n<p>Pouco a pouco, o estudo da c\u00e9lula dominou os meios acad\u00eamicos. Hoje, \u00e9 o sustent\u00e1culo do atual ensino da Medicina-oficial. Mesmo nos hospitais mais bem equipados, na atualidade, nos tratamentos dependem do diagn\u00f3stico microsc\u00f3pico quantitativo e qualitativo das c\u00e9lulas corporais. Isso significa que a estrutura te\u00f3rica dos saberes m\u00e9dicos, em pleno final do s\u00e9culo 20, em grande parte, se alicer\u00e7ada sobre os princ\u00edpios te\u00f3ricos da patologia celular oriunda do s\u00e9culo 17.<\/p>\n<p>O pensamento microl\u00f3gico enfraqueceu as teorias greco-romanas de Hip\u00f3crates e Galeno, entendidas como dogmas das universidades, no medievo europeu. N\u00e3o muito depois, pouco a pouco, os processos te\u00f3ricos que amparavam a micrologia, a busca da materialidade da doen\u00e7a na microscopia, substitu\u00edram as id\u00e9ias da Escola de C\u00f3s.<\/p>\n<p>Os sistemas te\u00f3ricos interligados e dependentes de Hip\u00f3crates e Galeno, capazes de explicar a sa\u00fade, a doen\u00e7a e a express\u00e3o do ser no social, mostraram-se t\u00e3o adequados ao observ\u00e1vel que dominaram as regras do diagn\u00f3stico, da terap\u00eautica e as bases do ensino da Medicina oficial no Ocidente durante vinte s\u00e9culos.<\/p>\n<p>Ao lado dessa forte rela\u00e7\u00e3o em torno das teorias hipocr\u00e1tico-gal\u00eanicas que atravessou a Idade M\u00e9dia, alguns religiosos, como Miguel Servet, estudante da Universidade de Tolousse, em 1530, imbu\u00eddo da leitura dogm\u00e1tica b\u00edblica, ao procurar explica\u00e7\u00e3o para o sopro de ar que deu vida ao primeiro homem, no livro \u201cChristianismi restituio\u201d, descreveu a pequena circula\u00e7\u00e3o cora\u00e7\u00e3o-pulm\u00e3o.<\/p>\n<p>Contudo foram os estudos de Hip\u00f3crates e Galeno que suplantaram todas as outras correntes cientificas. Alcan\u00e7aram o Brasil Col\u00f4nia e os m\u00e9dicos da corte portuguesa. Durante vinte e tr\u00eas dias de febre e convuls\u00e3o que antecederam a sua morte, a Princesa Paula Mariana, filha do primeiro Imperador do Brasil, foi submetida \u00e0s chupadas de quarenta sanguessugas, onze vesicat\u00f3rios, oito cataplasmas e sete clisteres, prescritos pela equipe de dez m\u00e9dicos que se revezaram \u00e0 cabeceira real.<\/p>\n<p>As teorias greco-romanas continuaram influenciara a Medicina-oficial at\u00e9 o s\u00e9culo 19. \u00c9 interessante assinalar que as id\u00e9ias alcan\u00e7aram n\u00e3o s\u00f3 os m\u00e9dicos da Coroa portuguesa, mas tamb\u00e9m os viajantes, do s\u00e9culo 18 que estiveram no Brasil. O m\u00e9dico e viajante Carlos Von Martius, em 1844, descreveu os \u00edndios brasileiros sob a perspectiva greco-romana, associando a teoria dos Quatro Humores de Hip\u00f3crates \u00e0 teoria dos Temperamentos de Galeno.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Terceiro corte epistemol\u00f3gico da Medicina<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os estudos do frade agostiniano Gregor Mendel (1822-1844), mesmo n\u00e3o sabendo a grandeza da sua descoberta, abriu as portas da dimens\u00e3o molecular, provocando nova reconstru\u00e7\u00e3o da Medicina como especialidade social, voltada ao desvendar da sa\u00fade e da doen\u00e7a nas menores dimens\u00f5es da mat\u00e9ria viva..<\/p>\n<p>Os hospitais dos pa\u00edses industrializados utilizam, na rotina di\u00e1ria, os resultados trazidos pelo pensamento molecular, acrescentado ao pensamento celular. Com o prop\u00f3sito de diagnosticar ou tratar certa doen\u00e7a, colocando a materialidade da sa\u00fade e da doen\u00e7a na dimens\u00e3o molecular, s\u00e3o analisadas as quantidades e as qualidades de uma ou mais mol\u00e9culas, entre as centenas de milhares que comp\u00f5em a c\u00e9lula corporal.<\/p>\n<p>O pouco tempo para a adequada dissemina\u00e7\u00e3o dos saberes da Medicina-oficial na dimens\u00e3o molecular, o alto custo e as dificuldades da tecnologia hospitalar de sair da c\u00e9lula para a mol\u00e9cula restringem esse avan\u00e7o em poucos hospitais e institui\u00e7\u00f5es de ensino nos pa\u00edses em desenvolvimento.<\/p>\n<p>Como uma das conseq\u00fc\u00eancias do pensamento molecular, da Medicina-oficial, a clonagem estreitou, geneticamente, a multiplicidade das formas e das fun\u00e7\u00f5es, criando em laborat\u00f3rio seres id\u00eanticos a partir de c\u00e9lulas retiradas de um indiv\u00edduo adulto.<\/p>\n<p>Apesar de assustador, o produto do clone n\u00e3o humano, do mesmo modo como todos os animais nascidos da reprodu\u00e7\u00e3o sexuada, ao longo do processo de amadurecimento, sofrer\u00e1 a incisiva influ\u00eancia do social. Desta forma, no momento, n\u00e3o existe perspectiva de eliminar a multiplicidade geradora das respostas do ser vivente frente aos desafios da sobreviv\u00eancia.<\/p>\n<p>Mesmo sendo teoricamente poss\u00edvel, a clonagem de seres humanos \u00e9 inconceb\u00edvel. N\u00e3o existem na linguagem oral e escrita para preencher a repulsa contra o alucinado ensaio de eliminar a principal caracter\u00edstica do planeta: a multiplicidade.<\/p>\n<p>Com mais liberdade para teorizar, se pode pensar que a busca da materialidade n\u00e3o ser\u00e1 interrompida na mol\u00e9cula. Nada nos impede de pensar na possibilidade de avan\u00e7ar na dire\u00e7\u00e3o do \u00e1tomo.<\/p>\n<p>Se assim ocorrer, a Medicina-oficial na dimens\u00e3o at\u00f4mica, no futuro, acrescentar\u00e1 novas constru\u00e7\u00f5es complementando dados identificados no pensamento celular e pensamento molecular.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>S\u00e9culo 19 <\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Gra\u00e7as aos avan\u00e7os a partir do Renascimento europeu que atingiram a anatomia, fisiologia, histologia e anatomia patol\u00f3gica, o s\u00e9culo 19 foi marcado por novos progressos na Medicina.<\/p>\n<p>Homens extraordin\u00e1rios como Mendel, lan\u00e7ando as bases do terceiro corte epistemol\u00f3gico da Medicina, inaugurando o pensamento molecular e Darwin, divulgando a nova concep\u00e7\u00e3o da evolu\u00e7\u00e3o humana, tornaram esse per\u00edodo o expoente da Medicina voltada para entender o homem al\u00e9m do vis\u00edvel aos olhos desarmados..<\/p>\n<p>Com o aumento da oferta nas universidades, cresceu o n\u00famero de m\u00e9dicos. Ao combaterem ardorosamente a Medicina-emp\u00edrica, muitos deles introduziram significativas mudan\u00e7as nas pr\u00e1ticas m\u00e9dicas, as quais perseguiam sistematicamente:<\/p>\n<p>&#8211; Identificar o agente etiol\u00f3gico da doen\u00e7a por meio da bacteriologia;<\/p>\n<p>&#8211; Aumentar o n\u00edvel de investiga\u00e7\u00e3o de cada doen\u00e7a, no exame cl\u00ednico, com o objetivo de diferenci\u00e1-las rigorosamente e agrup\u00e1-las em grupos nosol\u00f3gicos;<\/p>\n<p>&#8211; Melhorar o conjunto de m\u00e9todos da investiga\u00e7\u00e3o cl\u00ednica por meio de aparelhos que poderiam desvendar a estrutura anat\u00f4mica em \u00e1reas invis\u00edveis aos olhos;<\/p>\n<p>&#8211; Retirada de material para exame microsc\u00f3pico e\/ou f\u00edsico-qu\u00edmico;<\/p>\n<p>&#8211; Reproduzir no laborat\u00f3rio as rea\u00e7\u00f5es f\u00edsico-qu\u00edmicas humanas;<\/p>\n<p>&#8211; Aprofundar os estudos das doen\u00e7as mais comuns e que, historicamente, causaram o medo coletivo da dor e da morte prematuras;<\/p>\n<p>&#8211; Entender o desenvolvimento fetal.<\/p>\n<p>Esse conjunto de a\u00e7\u00f5es, entre os s\u00e9culos 19, voltadas ao melhor compreens\u00e3o do corpo humano e das doen\u00e7as conviveu com o livro de Charles Darwin que continuava causando \u00eaxtase na intelectualidade, sem d\u00favida, contribu\u00edndo para diminuir cada vez mais a interfer\u00eancia da Igreja na produ\u00e7\u00e3o intelectual.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Exame cl\u00ednico e exames auxiliares<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O gradativo amento no rigor no exame para compreender as manifesta\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas das doen\u00e7as, motivou a procura de novos m\u00e9todos:<\/p>\n<p>&#8211; Jean Nicolas Corvisat (1755-1821), descreveu a import\u00e2ncia da percuss\u00e3o tor\u00e1cica nas doen\u00e7as pulmonares;<\/p>\n<p>&#8211; Ren\u00e9 La\u00ebnnec (1781-1826), sistematizou as regras da ausculta pulmonar e card\u00edaca por meio de um cilindro oco de madeira, em 1819, no seu livro <em>Trait\u00e9 de l\u2019auscutation m\u00e9diate<\/em>;<\/p>\n<p>&#8211; Pierre Bretonneau (1778-1862), descreveu com precis\u00e3o os sinais e sintomas da febre tif\u00f3ide a a angina dift\u00e9rica;<\/p>\n<p>&#8211; Gaspard Laurent Bayle (1774-1816), chamou aten\u00e7\u00e3o para as diferentes formas de apresenta\u00e7\u00e3o da tuberculose e as evolu\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas;<\/p>\n<p>&#8211; Jean Baptiste Bouillaud (1796-1881), especificou com detalhes o reumatismo articular agudo;<\/p>\n<p>&#8211; Matthieu Orfila (1787-1853), considerado o pioneiro da toxicologia e da Medicina legal;<\/p>\n<p>&#8211; Joseph R\u00e9camier (1787-1852), inventor do esp\u00e9culo vaginal.<\/p>\n<p>De igual modo, outros m\u00e9todos buscaram m\u00e9todos na fisiologia experimental:<\/p>\n<p>&#8211; Fran\u00e7ois Magendie (1783-1855):<\/p>\n<p>-Precursor da fisiologia experimental;<\/p>\n<p>&#8211; Primeiro cateterismo card\u00edaco;<\/p>\n<p>&#8211; Estudo dos gazes pulmonares;<\/p>\n<p>-Primeiro cateterismo card\u00edaco.<\/p>\n<p>&#8211; Claude Bernard (1813-1878), foi aluno de Megendie, publicou em 1865, o c\u00e9lebre livro <em>L\u2019Introduction \u00e0 l\u2019\u00e9tude de la m\u00e9decine exp\u00e9rimentale<\/em>, no qual estabeleceu a fun\u00e7\u00e3o da gliconeog\u00eanese na glicemia. Em outros trabalhos avan\u00e7o na compreens\u00e3o:<\/p>\n<p>&#8211; P\u00e2ncreas;<\/p>\n<p>-Nervos vasomotores;<\/p>\n<p>&#8211; Gl\u00e2ndulas end\u00f3crinas;<\/p>\n<p>&#8211; Gl\u00e2ndula ex\u00f3crinas;<\/p>\n<p>&#8211; Rela\u00e7\u00e3o do cerebelo no equil\u00edbrio.<\/p>\n<p>-Pierre Flourens (1794-1867), aprofundou os estudos entre o cerebelo e o equil\u00edbrio;<\/p>\n<p>&#8211; Charles Bell (1774-1842), descreveu as localiza\u00e7\u00f5es e as fun\u00e7\u00f5es motoras dos nervos raquidianos, em 1830, no livro <em>The Nervous System of the Human Body<\/em>;<\/p>\n<p>&#8211; Emil Du Bois-Reymond (1818-1896), fundador da eletrofisiologia que demonstrou a natureza el\u00e9trica dos impulsos nervosos;<\/p>\n<p>&#8211; Auguste Chauveau (1827-1917), demonstrou a atividade el\u00e9trica do cora\u00e7\u00e3o;<\/p>\n<p>&#8211; Johannes M\u00fcller (1801-1858), esclareceu alguns aspectos da fisiologia da vis\u00e3o e da audi\u00e7\u00e3o;<\/p>\n<p>&#8211; Carl Ludwig (1816-1895), assinalou a fisiologia da mec\u00e2nica card\u00edaca;<\/p>\n<p>&#8211; \u00c9tienne Jules Marey (1830-1904), formou as bases do registro gr\u00e1fico do cora\u00e7\u00e3o;<\/p>\n<p>&#8211; Charles Brown-Sequard (1817-1894), estudou a fun\u00e7\u00e3o das gl\u00e2ndulas end\u00f3crinas;<\/p>\n<p>&#8211; Ivan Pavlov (1849-1936), autor do trabalhos pioneiros, em 1897, sobre os reflexos condicionados em c\u00e3es;<\/p>\n<p>&#8211; Oskar Hertwig (1849-1922), em estudos experimentais em ursos, demonstrou que a fecunda\u00e7\u00e3o \u00e9 o resultado da fus\u00e3o entre um gameta feminino e um masculino;<\/p>\n<p>&#8211; Karl Ernst von Baer (1792-1876), descreveu com precis\u00e3o o desenvolvimento do ovo humano;<\/p>\n<p>&#8211; Ernst Haeckel (1834-1919), ardoroso defensor do darwinismo, \u00e9 o autor da famosa frase a <em>ontog\u00eanese reproduz a filog\u00eanese<\/em>, assegurando que o desenvolvimento do indiv\u00edduo est\u00e1 intimamente atado \u00e0 esp\u00e9cie.<\/p>\n<p>Ainda outros m\u00e9dicos aperfei\u00e7oaram os acessos \u00e0s cavidades, firmando a base da endoscopia:<\/p>\n<p>&#8211; Filippo Bozzini (1773-1809), inventor do esp\u00e9culo iluminado por meio do uso de espelhos;<\/p>\n<p>&#8211; Max Nitze (1848-1906), melhorou o instrumento de Bozzinni e montou o primeiro uretrosc\u00f3pio e citosc\u00f3pio. O maior problema enfrentado foi o calor provocado pela l\u00e2mpada incandescente que limitava a dura\u00e7\u00e3o do exame;<\/p>\n<p>&#8211; Pun\u00e7\u00e3o lombar: realizada pela primeira vez pelo m\u00e9dico Heinrich Quincke (1842-1922) possibilitando a an\u00e1lise da composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica, celular e bacteriana do l\u00edquido c\u00e9rebro-raquidiano;<\/p>\n<p>&#8211; Espirometria: idealizada por John Hutchinson (1811-1861), em 1846, para medir a capacidade pulmonar;<\/p>\n<p>&#8211; Oftalmosc\u00f3pio: inventado e colocado em uso pela primeira vez, em 1851, pelo m\u00e9dico Hermann Helmholtz (1821-1894) para examinar o fundo do olho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Pensamento microl\u00f3gico<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O indiscut\u00edvel avan\u00e7o no diagn\u00f3stico das doen\u00e7as infecciosas patrocinado pelas conquistas da micrologia identificando as bact\u00e9rias, n\u00e3o encontrou paralelo nos tratamentos. Ainda sem op\u00e7\u00e3o, os pacientes portadores das doen\u00e7as infecciosas que sempre causaram medo na humanidade continuaram matando, s\u00f3 que, a partir do s\u00e9culo 19, os pacientes morriam com o diagn\u00f3stico realizado.<\/p>\n<p>Ocorreu enorme esfor\u00e7o para controlar as doen\u00e7as causadoras das epidemias de encheram e terror a humanidade:<\/p>\n<p>O maior representante do pensamento microl\u00f3gico, precursor da citologia foi o m\u00e9dico Rudolf Virchow (1821-1902). Na sua obra fundamental <em>Omnis cellula a cellula<\/em> resumiu o princ\u00edpio fundamental da citologia: <em>Toda c\u00e9lula se origina de outra c\u00e9lula<\/em>.<\/p>\n<p>Sob essa perspectiva, os avan\u00e7os podem ser agrupados em quatro segmentos:<\/p>\n<p>A. Bacteriologia:<\/p>\n<p>a. Louis Pasteur (1822-1895)<\/p>\n<p>O monumental trabalho de Pasteur tomou corpo, em 1877, em torno dos estudos sobre a fermenta\u00e7\u00e3o. Logo em seguida, divulgou a m\u00e9todo da pasteurizac\u00e3o, para conservar o vinho e o leite. De modo definitivo, acabou com a teoria da <em>gera\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea<\/em>, defendida durante a Idade M\u00e9dia, que preconizava ser poss\u00edvel surgir vida do ar, ao demonstrar que a c\u00f3lera das galinhas era contagiosa e provocada por bact\u00e9ria.<\/p>\n<p>Mesmo com a clareza das publica\u00e7\u00f5es, enfrentou ferozes inimigos que insistiam em negar a rela\u00e7\u00e3o entre as bact\u00e9rias e as doen\u00e7as infecciosas. Entre os relevantes trabalhos de Pasteur, \u00e9 poss\u00edvel destacar:<\/p>\n<p>&#8211; Identifica\u00e7\u00e3o do estafilococo no fur\u00fanculo e na osteomielite;<\/p>\n<p>&#8211; Identifica\u00e7\u00e3o do estreptococo na febre puerperal;<\/p>\n<p>&#8211; Introduziu a assepsia e anti-sepsia com famosa frase: <em>Se eu tivesse a honra de ser cirurgi\u00e3o, sempre lavaria as m\u00e3os com muito rigor e as exporia, rapidamente, ao calor, e s\u00f3 usaria instrumentos limpos previamente submetidos \u00e0 temperatura entre 130 e 150 graus e \u00e1gua tratada at\u00e9 110 graus<\/em>;<\/p>\n<p>&#8211; Introduziu o termo vacina\u00e7\u00e3o;<\/p>\n<p>&#8211; Realizou a primeira vacina\u00e7\u00e3o anti-r\u00e1bica, em 6 de julho de 1885, numa crian\u00e7a de 9 anos de idade que tinha mordida por c\u00e3o raivoso.<\/p>\n<p>b. Robert Koch (1843-1910)<\/p>\n<p>Esse not\u00e1vel m\u00e9dico alem\u00e3o introduziu os meios de cultura capazes de fazer crescer, no laborat\u00f3rio, a maior parte das bact\u00e9rias causadoras de doen\u00e7as. Entre a sua enorme contribui\u00e7\u00e3o \u00e0 humanidade, destacam-se:<\/p>\n<p>&#8211; Definitiva comprova\u00e7\u00e3o de que cada doen\u00e7a infecciosa \u00e9 causada por bact\u00e9ria espec\u00edfica;<\/p>\n<p>&#8211; Isolamento, em 1882, do bacilo da tuberculose;<\/p>\n<p>&#8211; Identifica\u00e7\u00e3oem 1884, do vibri\u00e3o da c\u00f3lera.<\/p>\n<p>c.Alexandre Yersin (1863-1943)<\/p>\n<p>Durante a epidemia, em Hong-Kong, em 1894, esse m\u00e9dico su\u00ed\u00e7o identificou o bacilo da peste e o papel do rato na transmiss\u00e3o da doen\u00e7a, contudo n\u00e3o associou a pulga como o elemento contagiante.<\/p>\n<p>d. Gehard Hansen (1841-1912)<\/p>\n<p>Identificou o bacilo da lepra (<em>Mycobacterium leprae<\/em>), em 1873, a partir de prepara\u00e7\u00f5es frescas e n\u00e3o coradas.<\/p>\n<p>Algumas doen\u00e7as infecciosas receberam aten\u00e7\u00e3o especial:<\/p>\n<p>&#8211; Peste<\/p>\n<p>Em grande parte resolvida, em 1894, com a publica\u00e7\u00e3o de Alexandre Yersin, que mesmo sem identificar o papel da pulga na transmiss\u00e3o, alertou a import\u00e2ncia do rato contaminado que apresentada altera\u00e7\u00f5es teciduais semelhante \u00e0s pessoas. Assim, foram intensificadas as medidas de higiene p\u00fablica para evitar as condi\u00e7\u00f5es contaminantes.<\/p>\n<p>&#8211; Lepra<\/p>\n<p>Apesar da identifica\u00e7\u00e3o do bacilo infecctante, em 1873, realizada pelo m\u00e9dico Gerhard Hansen, ficou mais clara a hist\u00f3rica correla\u00e7\u00e3o do cont\u00e1gio entre pessoas doentes e s\u00e3s. Desse modo, sem qualquer mudan\u00e7a no tratamento e sem outra alternativa, os leprosos continuaram exclu\u00eddos do conv\u00edvio social.<\/p>\n<p>&#8211; Mal\u00e1ria<\/p>\n<p>Os hematozo\u00e1rios da mal\u00e1ria foram descobertos, em Constantinopla, em 1881, por Alphonse Laveram ((1845-19220) e em reconhecimento mundial, em 1907, recebeu o pr\u00eamio Nobel.<\/p>\n<p>Em 1897, Ronald Ross demonstrou o papel do mosquito no ciclo da transmiss\u00e3o. Por outro lado, as diferentes variedades dos hematozo\u00e1rios foram descritas em:<\/p>\n<p><em>&#8211; Plasmodium malariae<\/em>, em 1897, por Ronald Ross (1857-1932);<\/p>\n<p><em>-Plasmodium vivax, <\/em>em 1890, por Giovanni Grassi (1854-1925);<\/p>\n<p><em>&#8211; Plasmodium falciparum<\/em>, em 1897, por Weleb.<\/p>\n<p>&#8211; Tuberculose<\/p>\n<p>A partir do isolamento da bact\u00e9ria, em 1882, por Robert Koch, o diagn\u00f3stico da tuberculose alarmou as autoridades sanit\u00e1rias do s\u00e9culo 19. Com a melhoria do diagn\u00f3stico por meio da ausculta pulmonar idealizada por Rn\u00e9 La\u00ebnnec, por\u00e9m sem tratamento adequado, alguns famosos escritores, no Brasil e no mundo, tocados pelo drama da morte anunciada dos tuberculosos, imortalizaram o sofrimento de personagens sem esperan\u00e7a de cura.<\/p>\n<p>No Brasil, a doen\u00e7a \u00e9 conhecida nos meios letrados como t\u00edsica pulmonar ou t\u00edsica, e pelas denomina\u00e7\u00f5es populares e euf\u00eamicas: delicada, doen\u00e7a do peito, doen\u00e7a-ruim, fininha, fraqueza do peito, magra, magrinha, mol\u00e9stia-magra, mal-de-secar, mal-dos-peitos, queixa do peito e seca.<\/p>\n<p>&#8211; C\u00f3lera<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a descoberta do agente etiol\u00f3gico, em 1884, por Robert Koch, surgiram as primeiras vacinas, respectivamente, em 1885, idealizadas por Ferran, e em 1892, por Waldemar Haffkine.<\/p>\n<p>&#8211; Dift\u00e9ria<\/p>\n<p>A identifica\u00e7\u00e3o da difteria como entidade nosol\u00f3gica espec\u00edfica recebeu contribui\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios m\u00e9dicos:<\/p>\n<p>&#8211; Pierre Bretonneau (1778-1862), pela primeira vez, em 1821, utilizou a palavra difteria (<em>diphteria<\/em> = membrana);<\/p>\n<p>&#8211; Theodor Klebs (1834-1913), em 1883, identificou o agente patog\u00eanico <em>Corynebacterium diphteriae<\/em>;<\/p>\n<p>&#8211; Pierre Roux (1853-1933), em 1884, isolou a toxina do <em>Corynebacterium diphteriae<\/em>;<\/p>\n<p>&#8211; Emil Behring (1854-1917), em 1980, iniciou a imuniza\u00e7\u00e3o;<\/p>\n<p>&#8211; Febre amarela<\/p>\n<p>Essa doen\u00e7a matou milhares de oper\u00e1rios durante a constru\u00e7\u00e3o do canal do Panam\u00e1. Em 1881, o m\u00e9dico cubano Carlos Juan Finlay (1833-1915) sugeriu a import\u00e2ncia do mosquito <em>Aedes aegypti<\/em> na cadeia infecciosa. Somente em 1901, as pesquisas realizadas por um grupo de m\u00e9dicos dos Estados Unidos, sob a dire\u00e7\u00e3o de Walter Reed (1851-1902), demonstraram a exist\u00eancia do v\u00edrus causador da infec\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Simultaneamente, no mundo, as autoridades sanit\u00e1rias intensificaram o combate ao mosquito conseguindo, em poucos anos, melhora significativa nos \u00edndices de contamina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O s\u00e9culo 19 se caracterizou por um impressionante progresso na identifica\u00e7\u00e3o das bact\u00e9rias:<\/p>\n<p>&#8211; Febre tif\u00f3ide<\/p>\n<p>&#8211; Carol Eberth (1835-1926), em 1880, identificou o bacilo que recebeu o seu nome;<\/p>\n<p>&#8211; \u00c9mile Achar e Raoul Bensaude, em 1896, descrevem o paratifo.<\/p>\n<p>&#8211; T\u00e9tano: identificado, em 1884, por Arthur Nicola\u00efer (1862-1921);<\/p>\n<p>&#8211; Colibacilo: em 1885, por Theodor Escherich (1857-1911);<\/p>\n<p>&#8211; Meningococo: em 1887, por Anton Weichselbaum (1845-1920);<\/p>\n<p>&#8211; Cancro, em 1889, por Auguto Ducrey (1860-1940);<\/p>\n<p>Ao lado desse incalcul\u00e1vel avan\u00e7o no diagn\u00f3stico microl\u00f3gico, traduzindo a import\u00e2ncia social do segundo corte epistemol\u00f3gico da Medicina por meio dos estudos de Marcelo Malpighi, a cirurgia tamb\u00e9m obteve grande melhoria acrescida das mais novas preocupa\u00e7\u00f5es dos cirurgi\u00f5es para entender a anatomia humana com cada vez mais detalhes e aumentar a sobreviv\u00eancia dos pacientes operados controlando: infec\u00e7\u00e3o, hemorragia e a dor.<\/p>\n<p>Esses tr\u00eas fatores obstaculizaram as pr\u00e1ticas cir\u00fargicas do s\u00e9culo 19. Mesmo com os cuidados da assepsia e anti-sepsia preconizadas por Pasteur, incont\u00e1veis doentes morreram em conseq\u00fc\u00eancia das complica\u00e7\u00f5es decorrentes das infec\u00e7\u00f5es, hemorragia e dor. De certa forma, o cirurgi\u00e3o tinha de ser muito r\u00e1pido e evitar, tanto quanto poss\u00edvel, operar longe das \u00e1reas contaminadas. Por essa raz\u00e3o, as amputa\u00e7\u00f5es dos membros, para manter a vida, secund\u00e1rias aos traumas de guerra tornaram-se mandat\u00f3rias. S\u00f3 assim \u00e9 poss\u00edvel entender o feito pelo cirurgi\u00e3o Dominique Larrey (1766-1842), durante uma batalha, realizou duzentas amputa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O maior controle das infec\u00e7\u00e3o, das hemorragia e da dor nesse contexto em que os cirurgi\u00f5es desejam dispor de mais tempo para poderem debru\u00e7arem-se sobre o objeto da sua arte \u00be o corpo humano.<\/p>\n<p>Ainda com a resist\u00eancia de alguns que n\u00e3o acreditavam nos cuidados da assepsia e anti-sepsia, a maior parte dos cirurgi\u00f5es, em pouco tempo, passaram a usar:<\/p>\n<p>&#8211; M\u00e1scaras cir\u00fargicas;<\/p>\n<p>&#8211; Luvas de borracha esterilizadas ap\u00f3s cada cirurgia, proposta por Halsted em 1889;<\/p>\n<p>&#8211; Esteriliza\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica e rigorosa dos instrumentos cir\u00fargicos;<\/p>\n<p>&#8211; Isolamento das salas de cirurgia e proibi\u00e7\u00e3o de circula\u00e7\u00e3o de pessoal n\u00e3o autorizado;<\/p>\n<p>&#8211; Uso do \u00e1cido f\u00eanico para esterilizar o instrumental cir\u00fargico, introduzido por Joseph Lister (1827-1912), em 1867;<\/p>\n<p>&#8211; Lavagem permanente das \u00e1reas expostas pela cirurgia, durante o ato operat\u00f3rio, com compressas embebidas com \u00e1cido f\u00eanico por St\u00e9phane Tarnier (1828-1897) e Just Lucas Championni\u00e8re (1843-1913);<\/p>\n<p>&#8211; Lavagem obrigat\u00f3ria das m\u00e3os do pessoal m\u00e9dico e auxiliar com solu\u00e7\u00e3o de cloreto de c\u00e1lcio antes de qualquer manuseio genital no ap\u00f3s parto. Com essa medida, o m\u00e9dico Ignace Semmelweis (1818-1865), numa maternidade em Viena, conseguiu reduzir a mortalidade de 27% para 0,23%.<\/p>\n<p>Outra grande mudan\u00e7a na cirurgia ocorreu para conter a eventual hemorragia, durante ou ap\u00f3s os atos cir\u00fargicos, realizados em \u00e1reas anat\u00f4micas cada vez mais de dif\u00edcil acesso, tornou-se necess\u00e1rio a ajuda de instrumentos capazes de ampliar a a\u00e7\u00e3o das m\u00e3os e dos dedos do cirurgi\u00e3o. Nesse sentido, os m\u00e9dicos que sentiam a ang\u00fastia das dificuldades, no dia-a-dia da rotina cir\u00fargica, trataram de inventar os novos instrumentos que serviram de base ao aprimoramento da hemostasia:<\/p>\n<p>&#8211; Edouard Chassaignac (1804-1879), em 1859, o dreno cir\u00fargico lan\u00e7ados em recipientes fechados de vidro para coletar a secre\u00e7\u00e3o e\/ou sangue;<\/p>\n<p>&#8211; Jules \u00c9mile P\u00e9an (1830-1915), em 1868, a pin\u00e7a hemost\u00e1tica que substituiu os dedos na preens\u00e3o do vaso sangrante e permitiu aos cirurgi\u00f5es continuar operando enquanto a hemorragia estava sob controle;<\/p>\n<p>&#8211; Eug\u00e8ne Koeberl\u00e9 (1828-1915), em 1864, a pin\u00e7a com a ponta em <em>dente de rato<\/em>, para imobilizar uma determinada estrutura anat\u00f4mica de pequeno porte, quase sempre imposs\u00edvel realizada com os dedos;<\/p>\n<p>&#8211; Theodor Kocher (1841-1917), a pin\u00e7a hemost\u00e1tica com a ponta em <em>dente de rato<\/em> com o objetivo de fazer a hemostasia em tecidos humanos com pouca ader\u00eancia, como a gordura;<\/p>\n<p>&#8211; Jacques Reverdin (1842-1929), agulhas para suturas curvas de v\u00e1rios tamanhos e espessuras;<\/p>\n<p>&#8211; Louis faraboeuf (1841-1910), o afastador que recebeu o seu nome para separar tecidos e estruturas anat\u00f4micas, evitando a presen\u00e7a das m\u00e3os no campo cir\u00fargico;<\/p>\n<p>&#8211; Melhora dos instrumentos e procedimentos da cirurgia oftalmol\u00f3gica.<\/p>\n<p>A dor sempre desempenhou um papel de dupla fun\u00e7\u00e3o entre o m\u00e9dico e o paciente. Na possibilidade de existir o elo de confian\u00e7a, a dor atua como o principal determinante que impulsiona na procura do m\u00e9dico; se esse elo \u00e9 fr\u00e1gil ou ausente, a dor afasta o doente do m\u00e9dico, fazendo com que o aux\u00edlio para aliviar a situa\u00e7\u00e3o dolorosa seja buscado fora da Medicina oficial.<\/p>\n<p>Assim, desde os primeiros registros, o conhecimento historicamente acumulado tem sido utilizado nas a\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas para aliviar a dor. O mais reconhecido \u00e9 a semente da papoula, seguramente, empregado na Egito e na Mesopot\u00e2mia.<\/p>\n<p>Nenhuma outra subst\u00e2ncia para combater ou evitar a dor foi utilizada at\u00e9 1540, quando o \u00e9ter mostrou-se forte agente anest\u00e9sico, por\u00e9m as s\u00e9rias complica\u00e7\u00f5es decorrentes do seu uso, provavelmente, contribu\u00edram para que esse conhecimento n\u00e3o fosse disseminado.<\/p>\n<p>Em 1799, j\u00e1 existe registro da presen\u00e7a de prot\u00f3xido de nitrog\u00eanio ou g\u00e1s hilariante e, em 1831, Eug\u00e8ne Soubeiran (1797-1858), descobre o clorof\u00f3rmio. Essas extraordin\u00e1rias descobertas iriam revolucionar a pr\u00e1tica cir\u00fargica:<\/p>\n<p>&#8211; Horace Wells (1815-1848), dentista, no dia 14 de dezembro de 1844, perante o audit\u00f3rio lotado de m\u00e9dicos, em Boston, nos Estados Unidos, demonstrou a a\u00e7\u00e3o anest\u00e9sica do prot\u00f3xido de nitrog\u00eanio;<\/p>\n<p>&#8211; John Collins Warren (1773-1856), m\u00e9dico, no dia 16 de outubro de 1846, no Hospital de Massachussetts, em Boston, anestesia o primeiro paciente com \u00e9ter;<\/p>\n<p>&#8211; James Young Simpsom (1881-1870), m\u00e9dico, anestesia a rainha Victoria com clorof\u00f3rmio, durante o parto do seu filho Leopold.;<\/p>\n<p>&#8211; Friedrich Wilhelm Sert\u00fcrner (1783-1841), isolou a morfina a partir da papoula;<\/p>\n<p>As autoridades eclesi\u00e1sticas reagem ao parto sem dor e proclamaram-se contra esse avan\u00e7o argumentando que a B\u00edblia \u00e9 clara:<\/p>\n<p>Ge 3, 16: <em>\u00c0 mulher, ele disse: Multiplicarei as dores de tuas gravidezes, na dor dar\u00e1s \u00e0 luz filhos.<\/em><\/p>\n<p>Em nada adiantou a resist\u00eancia religiosa, o caminho da anestesia cir\u00fargica estava aberto.<\/p>\n<p>Com o melhor controle da dor, da hemorragia e da infec\u00e7\u00e3o os cirurgi\u00f5es, no s\u00e9culo 19, iniciaram o melhor acesso \u00e0s doen\u00e7as que imp\u00f5em o tratamento cir\u00fagico e antes eram sin\u00f4nimo de morte anunciada ou representavam deformidades insan\u00e1veis:<\/p>\n<p>&#8211; Nas cavidades abdominal e tor\u00e1cica;<\/p>\n<p>&#8211; Deformidades cong\u00eanitas;<\/p>\n<p>&#8211; Reconstru\u00e7\u00f5es pl\u00e1sticas funcionais.<\/p>\n<p>As profundas modifica\u00e7\u00f5es em curso, determinadas pelo in\u00edcio do processo de industrializa\u00e7\u00e3o, impulsionaram \u00e0s novas rela\u00e7\u00f5es entre a Medicina oficial e a sociedade. Nesse sentido, duas vertentes da a\u00e7\u00e3o m\u00e9dica apareceram para estabelecer essa ponte, em grande parte nascida da press\u00e3o social: higiene p\u00fablica e o seguro de sa\u00fade.<\/p>\n<p>&#8211; Higiene p\u00fablica<\/p>\n<p>Os m\u00e9dicos oitocentistas perceberam com clareza que os avan\u00e7os no diagn\u00f3stico cl\u00ednico e microl\u00f3gico, apesar de importantes, n\u00e3o determinaram redu\u00e7\u00e3o significativa na evolu\u00e7\u00e3o de muitas doen\u00e7as. Dessa forma, incentivaram medidas higi\u00eanicas p\u00fablicas mais rigorosas, inclusive a inclus\u00e3o da mat\u00e9ria nas Universidades. Com essa vis\u00e3o de presente e futuro, os seguintes m\u00e9dicos marcaram a hist\u00f3ria da Medicina:<\/p>\n<p>&#8211; Fran\u00e7ois-Emmanuel Fod\u00e9r\u00e9 (1764-1835), titular da primeira disciplina de Higiene, em Paris, publicou em 1798, o <em>Trait\u00e9 de m\u00e9decine legale et d\u2019hygiene publique<\/em>;<\/p>\n<p>&#8211; Johann Peter Franck (1745-1821), escreveu o cl\u00e1ssico <em>Syst\u00e8me de politique m\u00e9dicale<\/em> onde defendeu uma pol\u00edtica nacional de sa\u00fade sob a responsabilidade do poder p\u00fablico, com a forma\u00e7\u00e3o de estrutura policial especializada com o objetivo de fiscalizar a higiene p\u00fablica;<\/p>\n<p>O n\u00famero de mortos durante a epidemia de c\u00f3lera, em 1832, na Fran\u00e7a, mostrou aos governantes e \u00e0 popula\u00e7\u00e3o o quanto ainda eram fr\u00e1geis os instrumentos p\u00fablicos da higiene p\u00fablica. No mesmo ano, foram criados os Conselhos de Higiene nas principais cidades francesas.<\/p>\n<p>Os primeiros seguros de sa\u00fade \u00be <em>Krankenkassen<\/em> \u00be foram criados, em 1883, na Alemanha. Em pouco tempo, as sociedades que reuniam trabalhadores de determinados setores, como os ferrovi\u00e1rios e mineiros, estabeleceram as pr\u00f3prias regras para assegurar \u00e0 assist\u00eancia m\u00e9dica aos seus membros e \u00e0 fam\u00edlia.<\/p>\n<p>De certa forma, esses dois elos religando a Medicina oficial e a sociedade, no s\u00e9culo 19, resgatou dois aspectos importantes da pr\u00e1tica m\u00e9dica: cuidados com a sa\u00fade p\u00fablica, oriundo dos tempos greco-romanos e guarda da fam\u00edlia, iniciada nas corpora\u00e7\u00f5es, na Idade M\u00e9dia.<\/p>\n<p>A consci\u00eancia cr\u00edtica predominante nas Universidades apontava para a absoluta necessidade de unir os esfor\u00e7os tanto para melhorar a sa\u00fade p\u00fablica quanto o sofrimento dos doentes individualmente. A \u00fanica sa\u00edda era divulgar o mais amplamente poss\u00edvel os novos conhecimentos e descobertas. As rec\u00e9m criadas academias m\u00e9dicas assumiram esse papel e trataram de aumentar o n\u00famero de revistas nas diferentes especialidades.<\/p>\n<p>Gra\u00e7as a essa dissemina\u00e7\u00e3o o mundo da ci\u00eancia tomou conhecimento das seguintes subst\u00e2ncias que poderiam ser usadas no tratamento de v\u00e1rias doen\u00e7as:<\/p>\n<p>&#8211; Emetina, vomit\u00f3rio isolado a partir da raiz da ipeca, da fam\u00edlia das rubi\u00e1ceas (<em>Cephaelis ipecacuanha<\/em>), por Joseph Pelletier (1788-1842);<\/p>\n<p>&#8211; Quinina, alcal\u00f3ide da quina, em 1820;<\/p>\n<p>&#8211; Colchicina, em 1819;<\/p>\n<p>&#8211; \u00c1cido acetilsalic\u00edlico, em 1899;<\/p>\n<p>&#8211; Coca\u00edna, em 1860;<\/p>\n<p>&#8211; Digitalina, em 1844;<\/p>\n<p>&#8211; Trinitrina, em 1879.<\/p>\n<p>O conhecimento j\u00e1 estava suficientemente grande para que fosse poss\u00edvel, j\u00e1 no s\u00e9culo 19, o m\u00e9dico conseguir alcan\u00e7ar as \u00e1reas de conhecimento. Provavelmente, os m\u00e9dicos que trabalhavam nos hospitais p\u00fablicos passaram a assinalar os diferentes modos de apresenta\u00e7\u00e3o das doen\u00e7as, chamando aten\u00e7\u00e3o aqui e ali, para certas condi\u00e7\u00f5es que se repetiam em todos os doentes, chamados sinais patognom\u00f4nicos.<\/p>\n<p>Nesse sentido, as especialidades foram ocupando os espa\u00e7os, inclusive nas universidades e hospitais, onde as enfermarias recebiam doentes que apresentavam sinais e sintomas relacionados com \u00f3rg\u00e3os e sistemas anat\u00f4micos espec\u00edficos:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Especialidades m\u00e9dicas<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>&#8211; Neurologia:<\/p>\n<p>&#8211; Douglas Argyll Robertson (1837-1909), a aus\u00eancia do reflexo pupilar na s\u00edfilis nervosa;<\/p>\n<p>&#8211; Joseph Babinski (1857-1922), as doen\u00e7as nervosas org\u00e2nicas das psicossom\u00e1ticas;<\/p>\n<p>&#8211; Guilhaume Duchenne (1806-1875), ataxia motora progressiva;<\/p>\n<p>&#8211; Alfred Vulpian (1826-1887), a esclerose em placa;<\/p>\n<p>&#8211; Jean Martin Charcot (1825-1893), a esclerose lateral amioatr\u00f3fica;<\/p>\n<p>&#8211; Vladimir Kernig (1840-1917), a meningite;<\/p>\n<p>&#8211; Jules D\u00e9jerine ( 1849-1917), a s\u00edndrome tal\u00e2mica;<\/p>\n<p>&#8211; George Huntington (1851-1917), a corea cr\u00f4nica;<\/p>\n<p>&#8211; Carl Wernicke (1848-1905), a afasia sensitiva;<\/p>\n<p>&#8211; Pierre Paul Broca (1824-1880), o centro da linguagem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8211; Cardiologia:<\/p>\n<p>&#8211; Pierre Potain (1825-1901), a medi\u00e7\u00e3o da press\u00e3o sang\u00fc\u00ednea nas art\u00e9rias;<\/p>\n<p>&#8211; Maurice Raynaud (1834-1881), a gangrena sim\u00e9trica das extremidades;<\/p>\n<p>&#8211; Henri Riger (1809-1891), a comunica\u00e7\u00e3o interventricular;<\/p>\n<p>&#8211; \u00c9tienne Fallot (1850-1911), a tetralogia que ficou com o seu nome.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8211; Endocrinologia<\/p>\n<p>&#8211; Karl Basedow (1799-1854), o b\u00f3cio exoft\u00e1lmico;<\/p>\n<p>&#8211; Thomas Curling (1811-1885), o mixedema infantil;<\/p>\n<p>&#8211; Thomas Addison (1793-1860),a insufici\u00eancia supra-renal;<\/p>\n<p>&#8211; William Gull (1816-1890), o hipotireoidismo;<\/p>\n<p>&#8211; Franz Chvostek (1835-1884), os sinais cl\u00ednicos da hipocalcemia e os do t\u00e9tano;<\/p>\n<p>&#8211; Pierre Marie (1853-1940), a acromegalia;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Dermatologia e doen\u00e7as sexualmente transmiss\u00edveis:<\/p>\n<p>&#8211; Philippe Ricord (1800-1889), estabeleceu a distin\u00e7\u00e3o entre a s\u00edfilis, a gonorr\u00e9ia e o cancro;<\/p>\n<p>&#8211; Paul Diday (1812-1894), descreveu a evolu\u00e7\u00e3o da s\u00edndrome cong\u00eanita;<\/p>\n<p>&#8211; Alfred Fournier (1832-1914), diferenciou a s\u00edfilis cong\u00eanita da ataxia locomotora amioatr\u00f3fica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Hematologia<\/p>\n<p>&#8211; Karl Landsteiner (1883-1946);<\/p>\n<p>&#8211; Loius Malassez (1842-1909), a hematimetria;<\/p>\n<p>&#8211; Charles Richet (1850-1921);<\/p>\n<p>&#8211; Otto Kahler (1849-1893), o mieloma;<\/p>\n<p>&#8211; Henri Vaquez (1860-1936), a poliglobulia;<\/p>\n<p>&#8211; Thomas Hodkin (1798-1866), o tumor maligno prim\u00e1rio dos linfonodos que recebeu o seu nome.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Esse conjunto de progresso em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 microestrutura dos tecidos humanos e dos agentes patog\u00eanicos pouco mudou o curso e o temor das doen\u00e7as mentais. Salvo as mudan\u00e7as impostas pelo m\u00e9dico franc\u00eas Philippe Pinel , em pleno s\u00e9culo 19 ainda predominava a id\u00e9ia da loucura expressa no majestoso quadro de Goya.<\/p>\n<p>Entre essas muitas mudan\u00e7as da Medicina oficial, sem d\u00favida, a ocorrida nos hospitais marcou, definitivamente, as pr\u00e1ticas m\u00e9dicas oitocentistas porque, pela primeira vez, desde a Idade M\u00e9dia:<\/p>\n<p>&#8211; O ensino abandonou, definitivamente, as disciplinas abstratas como teologia e a filosofia;<\/p>\n<p>&#8211; A hospitaliza\u00e7\u00e3o voltou a interagir com a doc\u00eancia;<\/p>\n<p>&#8211; Programa comum para todas as Faculdades de Medicina;<\/p>\n<p>&#8211; Pr\u00e1tica obrigat\u00f3ria da autopsia em todos os pacientes falecidos nos hospitais;<\/p>\n<p>&#8211; Obrigatoriedade do diploma universit\u00e1rio para exercer a Medicina;<\/p>\n<p>&#8211; Separa\u00e7\u00e3o em pavilh\u00f5es distintos e afastados os doentes portadores de doen\u00e7as infecciosas e transmiss\u00edveis;<\/p>\n<p>&#8211; Constru\u00e7\u00e3o dos sanat\u00f3rios (<em>nasatorius<\/em> = apto \u00e0 cura) destinados aos pacientes portadores de tuberculose.<\/p>\n<p>Nessa leitura do movimento social que transformou a Medicina oficial era imprescind\u00edvel a institucionaliza\u00e7\u00e3o do ensino, em Paris, aconteceu com a cria\u00e7\u00e3o do primeiro programa de Resid\u00eancia M\u00e9dica em 1802.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8211; Homeopatia<\/p>\n<p>\u00c9 importante assinalar que as complica\u00e7\u00f5es decorrentes do tratamento eram em n\u00famero muito elevado, seja nos pacientes submetidos \u00e0 terap\u00eautica cl\u00ednica ou cir\u00fargica. Nessas circunst\u00e2ncias muitos doentes evitavam as prescri\u00e7\u00f5es dos m\u00e9dicos.<\/p>\n<p>Os princ\u00edpios que regem a homeopatia foram lan\u00e7ados por Samuel Hahnemann em 1790, ap\u00f3s ter ingerido a quina verificou que sentiu os mesmos sintomas da mal\u00e1ria. A partir desse fato come\u00e7aram os seus estudos que iriam conduzi\u2011lo a m\u00e1xima homeopatica <em>Similia similibus curantur<\/em> ou <em>semelhante se cura com o semelhante<\/em>.<\/p>\n<p>Hahnemann continuou as suas experi\u00eancias e publicou em 1810, a sua obra fundamental <em>Exposi\u00e7\u00e3o da doutrina homeop\u00e1tica: Organon da arte de curar <\/em>e, em 1828, <em>Mat\u00e9ria m\u00e9dica pura<\/em>. Ambas teorizavam a t\u00e9cnica dinamiza\u00e7\u00e3o, segundo a qual os medicamentos homeop\u00e1ticos s\u00e3o ativos a medida que s\u00e3o dilu\u00eddos At\u00e9 hoje, a estrutura te\u00f3rica da homeopatia \u00e9 baseada nos estudos de Samuel Hahnemann.<\/p>\n<p>Foi naquele contexto, onde a Medicina oficial mais matava, que apareceu a homeopatia. Se n\u00e3o curava, pelo menos n\u00e3o apressava a morte. Esse fato tornou-se evidente na epidemia de c\u00f3lera em 1848, que devastou os Estados Unidos. Sobreviveram mais pacientes que foram tratados pela homeopatia. No ano seguinte foi fundada a Sociedade Homeop\u00e1tica dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>A homeopatia foi introduzida no Brasil, em 1840 pelo comerciante franc\u00eas Benoit Mure, disc\u00edpulo de Hahnemann. Na luta que se travou imediatamente entre a alopatia e a homeopatia ficou caracterizado muito mais que a disputa cientifica, era a conquista do mercado consumidor pelas duas correntes. Com avan\u00e7os e recuos a homeopatia foi se firmando at\u00e9 ser reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina, em 1980, e pelo Previd\u00eancia Social em 1985.<\/p>\n<h1><strong>S\u00e9culos 20<\/strong><\/h1>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O s\u00e9culo 20 foi marcado por transforma\u00e7\u00f5es geopol\u00edticas t\u00e3o grandes e profundas que \u00e9, de certa forma, dif\u00edcil de compreender como foi poss\u00edvel, em t\u00e3o pouco tempo, aumentar trinta anos na perspectiva de vida das pessoas. Esse extraordin\u00e1rio per\u00edodo, tamb\u00e9m reconhecido pelos horrores perpetrados do homens contra homens, de m\u00e1quinas contra homens e homens contra o meio ambiente.<\/p>\n<p>Sem d\u00favida que o terceiro corte epistemol\u00f3gico da Medicina \u00be pensamento molecular \u00be iniciado com os estudos de Mendel, marcou a pr\u00e1tica m\u00e9dica dominante no s\u00e9culo 20, gerando aparecimento da biogen\u00e9tica. Porem, entre os fatos que interferiram, direta ou indiretamente, se destacam:<\/p>\n<p>&#8211; Transportes, dos autom\u00f3veis aos foguetes;<\/p>\n<p>&#8211; Comunica\u00e7\u00e3o, do r\u00e1dio \u00e0 internet;<\/p>\n<p>&#8211; Desvendar do \u00e1tomo;<\/p>\n<p>A melhor compreens\u00e3o do \u00e1tomo impulsionar\u00e1 a Medicina do futuro na dire\u00e7\u00e3o do quarto corte epistemol\u00f3gico \u00be as pr\u00e1ticas m\u00e9dica dominadas sob a chancela do pensamento at\u00f4mico.<\/p>\n<p>Se no s\u00e9culo I20 j\u00e1 era muito dif\u00edcil dominar os saberes m\u00e9dicos acumulados, no s\u00e9culo 20, tornou-se imposs\u00edvel. Sob a \u00e9gide do movimento cada vez mais r\u00e1pido dominando a vida de todo \u00e9 conveniente conceber a Medicina novecentista em \u00e1reas espec\u00edficas de conhecimentos.<\/p>\n<p>&#8211; Virologia:<\/p>\n<p>O resultado direto do pensamento molecular dominando o hist\u00f3rico desvendar da doen\u00e7a escondida atr\u00e1s da pele:<\/p>\n<p>&#8211; Dimitri Ivanovsky (1864-1920), descobre o primeiro v\u00edrus, em 1892, conhecido como o v\u00edrus do mosaico do tabaco;<\/p>\n<p>&#8211; Martinus Beijerinck (1851-1971), revela o v\u00edrus da febre amarela em 1898;<\/p>\n<p>&#8211; Sanarelli, em 1903, identifica o v\u00edrus da raiva;<\/p>\n<p>&#8211; Vacina\u00e7\u00e3o conta a poliomielite em 1909;<\/p>\n<p>&#8211; Wendell Stanley, em 1935, classifica os v\u00edrus como seres vivos;<\/p>\n<p>&#8211; Por meio do microsc\u00f3pio eletr\u00f4nico \u00e9 obtida a primeira imagem do v\u00edrus;<\/p>\n<p>&#8211; John Enders, em 1949, demonstra ser poss\u00edvel entender melhor o crescimento vir\u00f3tico quando estudado dentro da c\u00e9lula.<\/p>\n<p>&#8211; Imunologia: essencialmente ligada \u00e0 mol\u00e9cula, essa especialidade tamb\u00e9m \u00e9 uma decorr\u00eancia do pensamento molecular, dessa forma as premia\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas consagradas s\u00e3o atribu\u00eddas nessa \u00e1rea.<\/p>\n<p>&#8211; Elie Metchnikoff (1845-1916), descreve a fagocitose, mecanismo no qual algumas c\u00e9lulas sang\u00fc\u00edneas englobam no seu citoplasma certas bact\u00e9rias;<\/p>\n<p>&#8211; Charles Richter (1850-1935) e Paul Portier (1866-1962), escrevem sobre a anafilaxia;<\/p>\n<p>&#8211; George Snel, Jean Dausset e Baruj Benacerraf, em 1980, s\u00e3o premiados com o Nobel pelos trabalhos sobre histocompatibilidade;<\/p>\n<p>&#8211; Cesar Milstein, em 1984, ganhou o pr\u00eamio Nobel pela demonstra\u00e7\u00e3o dos anticorpos monoclonais;<\/p>\n<p>&#8211; Susumu Tonegawa, em 1987, recebeu o pr\u00eamio Nobel pela extraordin\u00e1rio trabalho demonstrando que os genes das imunoglobinas podem adquirir nova estrutura durante a vida, significando a exist\u00eancia de processo adaptativo durante a vida e que os genes n\u00e3o est\u00e3o engessados.<\/p>\n<p>A descoberta do cientista Tenegawa \u00e9 uma das bases da minha teoria da mem\u00f3ria-s\u00f3cio-gen\u00e9tica, na qual ao longo do processo de evolu\u00e7\u00e3o, a estrutura ontogen\u00e9tica foi adaptada para fugir da dor utilizando al\u00e9m dos mecanismos biol\u00f3gicos at\u00e1vicos, as religi\u00f5es e as Medicinas como elos da prote\u00e7\u00e3o plena.<\/p>\n<p>&#8211; Gen\u00e9tica:<\/p>\n<p>Da mesma forma que a imunologia, a gen\u00e9tica diz respeito, exclusivamente, ao gradativo dom\u00ednio do pensamento molecular que passou a buscar a causa e o tratamento das doen\u00e7as na estrutura da mol\u00e9cula.<\/p>\n<p>&#8211; James Watson e Francis Crick, em 1953, propuseram o modelo da dupla h\u00e9lice do ADN;<\/p>\n<p>&#8211; Raymond Turpin e J\u00e9r\u00f4me Lejeune, em 1959, comunicam a presen\u00e7a do cromossomo an\u00f4malo no 21<sup>o<\/sup>. par cromoss\u00f4mico, doen\u00e7a gen\u00e9tica que ficou conhecida como <em>trissomia 21<\/em>;<\/p>\n<p>&#8211; Diversos autores, nos Estados Unidos da Am\u00e9rica e em pa\u00edses da Europa central, publicam artigos sobre a recombina\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica, isto \u00e9, o isolamento de fragmento de ADN de um cromossomo, em seguida modificar a sua estrutura e reintroduzir em outro organismo;<\/p>\n<p>&#8211; Em 1999, termina o estudo morfol\u00f3gico do mapa gen\u00e9tico do homem levado a cabo por meio de cons\u00f3rcio internacional de laborat\u00f3rios e cientistas dos pa\u00edses industrializados.<\/p>\n<p>A Medicina do s\u00e9culo 20 ao mesmo tempo em que enveredava no pensamento molecular, aperfei\u00e7oava os avan\u00e7os da anatomia e da fisiologia, intimamente atadas \u00e0s especialidades:<\/p>\n<p>&#8211; Cardiologia<\/p>\n<p>&#8211; Jules-\u00c9tienne Marey e Jean-Baptiste Chauveau, em 1902, descrevem os mecanismos card\u00edacos respons\u00e1veis pelas press\u00f5es sist\u00f3lica e diast\u00f3lica;<\/p>\n<p>&#8211; MIchel Pachon, em 1909, inventou o aparelho para medir a press\u00e3o arterial;<\/p>\n<p>&#8211; Willem Einthoven (1860-1927), registrou o primeiro eletrocardiograma e, em 1907, o pioneiro fonocardiograma. Em 1924, foi agraciado com o pr\u00eamio Nobel;<\/p>\n<p>&#8211; Werner Forssmann (1904-1979), realizou o primeiro cateterismo card\u00edaco.<\/p>\n<p>Hematologia:<\/p>\n<p>A terr\u00edvel carnificina da guerra de 1914-1918, de certa forma, impulsionar\u00e1 a melhoria da transfus\u00e3o de sangue nos soldados dilacerados pelas bombas e metralhadoras dos dois lados.<\/p>\n<p>&#8211; Karl Landsteiner (1868-1943), em 1901, descreve os quatro grupos sang\u00fc\u00edneos;<\/p>\n<p>&#8211; Jansky, em 1910, os denomina de A, B, AB e O;<\/p>\n<p>&#8211; \u00c9mile Jeanbrau, no dia 16 de outubro de 1914, em Montpellier, na Fran\u00e7a, realizou a primeira transfus\u00e3o de sangue num militar vindo da frente de batalha;<\/p>\n<p>&#8211; Uso do citrato de s\u00f3dio, na Primeira Guerra, para manter o sangue incoagul\u00e1vel e permitir a transfus\u00e3o;<\/p>\n<p>-Arnault Tzanck, em 1923, em Paris, organizou o primeiro centro de transfus\u00e3o sang\u00fc\u00ednea;<\/p>\n<p>&#8211; Landsteiner e Wiener, em 1940, em Nova Iorque, os sub-grupos sang\u00fc\u00edneos caraterizados pela presen\u00e7a e aus\u00eancia do fator Rhesus;<\/p>\n<p>&#8211; Micha\u00ebl Arinkin, em 1947, realizou o primeiro transplante de medula \u00f3ssea;<\/p>\n<p>&#8211; Cancerologia<\/p>\n<p>Os maiores avan\u00e7os da cancerologia, no s\u00e9culo 20, tamb\u00e9m foram a passagem do pensamento celular oncol\u00f3gico, de certa forma, atribu\u00eddo a Virchow, para o pensamento oncol\u00f3gico molecular, gerador tanto do melhor diagn\u00f3stico no n\u00edvel gen\u00e9tico, quanto do extraordin\u00e1rio avan\u00e7o terap\u00eautico com a descoberta de novas estruturas moleculares com propriedades tumoricidas e o uso controlado das radia\u00e7\u00f5es eletromagn\u00e9ticas iniciado pela Madame Curie na Fran\u00e7a.<\/p>\n<p>Por outro, como seria \u00f3bvio esperar, a fidelidade das coletas dos dados epidemiol\u00f3gicos resultaria na identifica\u00e7\u00e3o de fatores predisponentes ao aparecimento de certos tumores. Com o suporte dessas informa\u00e7\u00f5es inquestion\u00e1veis, a partir da d\u00e9cada de sessenta, os servi\u00e7os de sa\u00fade dos governos trataram de organizar campanhas institucionais permanentes voltadas ao desest\u00edmulo coletivo dos h\u00e1bitos e v\u00edcios facilitadores da carcinog\u00eanese.<\/p>\n<p>&#8211; Peyton Rous (1879-1970), comunica que o sarcoma da galinha pode ser transmitido entre esses animais por meio inje\u00e7\u00e3o do filtrado celular do tumor;<\/p>\n<p>&#8211; Dominique Stehelin, em 1976, descobre os anti-oncog\u00eanes ou genes supressores do c\u00e2ncer.<\/p>\n<p>Est\u00e1 claro que o inquestion\u00e1vel avan\u00e7o realizado na cancerologia, notadamente no \u00faltimo quarto do s\u00e9culo 20, estamos longe de entender os m\u00faltiplos mecanismos da carcinog\u00eanse. Tamb\u00e9m n\u00e3o seria excesso teorizar que o grande desvendar vir\u00e1, no futuro, com o pensamento at\u00f4mico substituindo o pensamento molecular<\/p>\n<p>&#8211; Endocrinologa<\/p>\n<p>&#8211; Jokichi Takamine e Thomas Aldrich, em 1901, isolaram por meio da cristaliza\u00e7\u00e3o a adrenalina;<\/p>\n<p>&#8211; Ernest H. Starling e William M Bayliss, em 1904, associaram a secretina com a fun\u00e7\u00e3o pancre\u00e1tica;<\/p>\n<p>&#8211; Edward C. Kandall, em 1914, isolou da tiroxina;<\/p>\n<p>&#8211; Frederick G. Banting e John Macleod, em 1923, descobrem a insulina.<\/p>\n<p>O pensamento molecular al\u00e9m das novas descobertas tanto no diagn\u00f3stico quanto na terap\u00eautica enveredou para transpor os mecanismos naturais da gravidez, fazendo com que a concep\u00e7\u00e3o e a anticoncep\u00e7\u00e3o fossem poss\u00edveis em momentos diferentes daqueles permitidos pela ontog\u00eanese.<\/p>\n<p>&#8211; Anticoncep\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>&#8211; Ludwig Haberlandt (1885-1932), em 1927, demonstrou que a administra\u00e7\u00e3o de extrato ovariano em coelhas determinada a estereliza\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria;<\/p>\n<p>&#8211; Willard Allen e Gegorge Corner, em 1929, obt\u00eam extrato cristalizado de horm\u00f4nio retirado do corpo amarelo da porca;<\/p>\n<p>&#8211; Allen e Corner, em 1934, designam o horm\u00f4nio de progesterona;<\/p>\n<p>&#8211; Russel Marker, em 1941, obt\u00e9m a progesterona do ch\u00e1 da planta <em>lithospernum<\/em>, usada h\u00e1 centenas de anos pelas mulheres de uma tribo de Nevada com fim anticoncepcional;<\/p>\n<p>&#8211; Gregory Pincus, em 1956, realizou com pleno sucesso o primeiro ensaio anticoncepcional em 221 mulheres de Porto Rico;<\/p>\n<p>&#8211; \u00c9mile Baulieu, em 1982, descobre a mifepristone ou RU 486 (p\u00edlula do dia seguinte), como meio anticoncepcional epis\u00f3dico e para a interrup\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria da gravidez, nas primeiras horas ap\u00f3s a forma\u00e7\u00e3o do ovo.<\/p>\n<p>O poder eclesi\u00e1stico reagiu a anticoncep\u00e7\u00e3o artificial e, em 29 de julho de 1968, o papa Paulo VI publicou a enc\u00edclica <em>Humanae Vitae<\/em>, na qual condena todas as formas de contracep\u00e7\u00e3o, com exce\u00e7\u00e3o daquelas fundamentadas nos meios naturais.<\/p>\n<p>&#8211; Concep\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>&#8211; Em 1963, a cria\u00e7\u00e3o do primeiro banco de esperma nos Estados Unidos da Am\u00e9rica;<\/p>\n<p>&#8211; Em 1970, as primeiras insemina\u00e7\u00f5es artificiais nos casos de esteriliza\u00e7\u00e3o masculina;<\/p>\n<p>&#8211; Em 1978, nasce o primeiro beb\u00ea fecundado <em>in vitro<\/em> ou <em>beb\u00ea de proveta<\/em>, chamada Louise Brown, cuja m\u00e3e era est\u00e9ril;<\/p>\n<p>&#8211; Em 1984, nasce o primeiro beb\u00ea originado de embri\u00e3o congelado;<\/p>\n<p>&#8211; Em 1985, \u00e9 realizada a primeira inje\u00e7\u00e3o de espermatoz\u00f3ide na zona pel\u00facida do ovo, conhecida como t\u00e9cnica <em>Suzi<\/em> (<em>Subzonal insemination<\/em>);<\/p>\n<p>O movimento para entender as doen\u00e7as psiqui\u00e1tricas foi magistralmente modificadas pela teoria freudiana, na qual lan\u00e7a as bases da psican\u00e1lise. Em 1990, publicou, em Viena, o livro <em>A interpreta\u00e7\u00e3o dos sonhos<\/em>, e em 1902, fundou a Sociedade Psicanal\u00edtica de Viena.<\/p>\n<p>Com as transforma\u00e7\u00f5es na anestesia, no controle da dor e na infec\u00e7\u00e3o, as t\u00e9cnicas cir\u00fargicas para atender o paciente traumatizado sofreram significativas mudan\u00e7as patrocinadas pelas press\u00f5es sociais ocorridas secundariamente:<\/p>\n<p>&#8211; Segunda guerra mundial;<\/p>\n<p>&#8211; Guerra da Cor\u00e9ia;<\/p>\n<p>&#8211; Guerra do Vietn\u00e3;<\/p>\n<p>&#8211; Traumas em acidentes nas estradas.<\/p>\n<p>A tend\u00eancia conservadora do corpo marcou todas as pr\u00e1ticas cir\u00fargicas cir\u00fargica no s\u00e9culo 20. Desse modo, antepondo-se ao passado, predominou a luta para que a cirurgia pudesse mudar diretrizes predominantes dos s\u00e9culos anteiorres para:<\/p>\n<p>&#8211; Preservar o \u00f3rg\u00e3o;<\/p>\n<p>&#8211; Restaurar a fun\u00e7\u00e3o;<\/p>\n<p>-Melhorar a est\u00e9tica;<\/p>\n<p>-Retirada de segmentos largos do corpo mantendo a fun\u00e7\u00e3o;<\/p>\n<p>&#8211; Melhoria da cirurgia experimental.<\/p>\n<p>Em ondas sucessivas de aprimoramento do manuseio cir\u00fargico, ao contr\u00e1rio da tend\u00eancia amputadora dos s\u00e9culos anteriores, a nova ordem voltou-se \u00e0 reconstru\u00e7\u00e3o da forma e da fun\u00e7\u00e3o, surgiram:<\/p>\n<p>&#8211; Pr\u00f3teses;<\/p>\n<p>&#8211; Microcirurgia;<\/p>\n<p>&#8211; Endoscopia<\/p>\n<p>&#8211; Transplantes de \u00f3rg\u00e3os<\/p>\n<p>&#8211; Em 1958, John Meril e Joseph Murray, realizam o primeiro transplante renal com sucesso;<\/p>\n<p>&#8211; No mesmo ano, Jean Dausset demonstra a exist\u00eancia dos grupos leucocit\u00e1rios HLA (<em>human leucocyte antigens<\/em>) como os respons\u00e1veis pela rejei\u00e7\u00e3o dos transplantes;<\/p>\n<p>&#8211; Em 1963, Thomas Starzl, em Denver, nos Estados Unidos da Am\u00e9rica, realiza o primeiro trnasplante de f\u00edgado;<\/p>\n<p>&#8211; Em 1967, na \u00c1frica do Sul, Christian Barnard realizou o primeiro transplante card\u00edaco;<\/p>\n<p>&#8211; Em 1970, transplante de p\u00e2ncreas, nos pacientes insulino-dependentes;<\/p>\n<p>&#8211; Em 1981, transplante de pulm\u00e3o;<\/p>\n<p>&#8211; Em 1982, melhor compreens\u00e3o da imunomodula\u00e7\u00e3o dos transplantes que permitiu extraordin\u00e1rio avan\u00e7o no controle da rejei\u00e7\u00e3o;<\/p>\n<p>&#8211; Em 1996, transplante completo do joelho composto de osso, menisco, ligamentos e vasos, realizado em jovem acidentado;<\/p>\n<p>-Em 1999, transplante de uma m\u00e3o em paciente amputado h\u00e1 10 anos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8211; Imageologia:<\/p>\n<p>A melhoria do diagn\u00f3stico com o aux\u00edlio das imagens congeladas e din\u00e2micas teve in\u00edcio, no s\u00e9culo 19, e foi consolidado no s\u00e9culo 20, por meio dos trabalhos da radiologia m\u00e9dica de Wilhelm Conrad R\u00f6ntgen, da Universidade de W\u00fcrzburg, e de William Crookes:<\/p>\n<p>&#8211; Em 28 de dezembro de 1895, R\u00f6ntgen radiografa a m\u00e3o da sua esposa;<\/p>\n<p>&#8211; Em 1901, Wilhelm Conrad R\u00f6ntgen recebe o pr\u00eamio Nobel de Medicina;<\/p>\n<p>&#8211; Em 1910, o m\u00e9dico austr\u00edaco Guido Holzknecht e o americano Walter Bradford Cannon preconizam o uso de b\u00e1rio nas radiografias contrastadas do aparelho digestivo;<\/p>\n<p>&#8211; Em 1910, iodeto de s\u00f3dio \u00e9 utilizado nas urografias endovenosas;<\/p>\n<p>&#8211; Em 1921, Jean Marie Athanase Sicard usam o lipidiol na cavidade uterina, br\u00f4nquios e trajetos fistulosos;<\/p>\n<p>&#8211; Em 1927, Egas Moniz realiza a arteriografia;<\/p>\n<p>&#8211; Em 1916, o f\u00edsico Paul Langevin demonstra a import\u00e2ncia do princ\u00edpio do ultra-som usado para detectar submarinos no diagn\u00f3stico m\u00e9dico;<\/p>\n<p>&#8211; Na d\u00e9cada de 1960, o f\u00edsico Gordon Hounsfielf, trabalhando nos laborat\u00f3rios da EMI, descobre a tomografia computadorizada;<\/p>\n<p>&#8211; Em 1976, o f\u00edsico belga Raymond Damadian aprimora a resson\u00e2ncia magn\u00e9tica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8211; Infec\u00e7\u00f5es por v\u00edrus:<\/p>\n<p>&#8211; Em 1970, Gertrude B. Elion a partir das pesquisas dos aribonos\u00eddeos derivados das purinas descobre a acicloguanosina (Aciclovir), imediatamente usado no tratamento do herpes;<\/p>\n<p>&#8211; Em 1988, Gertrude B. Elion recebe o pr\u00eamio Nobel de Medicina;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8211; Antib\u00f3ticos:<\/p>\n<p>&#8211; Em 1928, Alexander Fleming descobre a a\u00e7\u00e3o bactericida do fungo <em>Penicillium notatum<\/em>;<\/p>\n<p>&#8211; Em 1935, Gerhard Domagk descobre as sulfamidas;<\/p>\n<p>&#8211; Em 1941, Howard W. Florey e Ernst Boris publicam na revista The Lancet o primeiro tratamento pela inje\u00e7\u00e3o de penicilina;<\/p>\n<p>&#8211; Em 1945, Fleming, Florey e Boris recebem o pr\u00eamio Nobel de Medicina;<\/p>\n<p>&#8211; Em 1944, Selman Abraham Waksman descobre a estreptomicina com a\u00e7\u00e3o sobre o bacilo de Koch;<\/p>\n<p>&#8211; Em 1947, cloranfenicol;<\/p>\n<p>&#8211; Em 1952, a isoniazida \u00e9 associada \u00e0 estreptomicina no tratamento da tuberculose;<\/p>\n<p>&#8211; Em 1948, a descoberta da aureomicina;<\/p>\n<p>&#8211; Em 1951, a terramicina;<\/p>\n<p>&#8211; Em 1953, a tetraciclinas;<\/p>\n<p>&#8211; Em 1954, eritromicina;<\/p>\n<p>&#8211; Em 1968, a rifampicina;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ente o final do s\u00e9culo 19 e os primeiros anos do s\u00e9culo 20, a estrada em dire\u00e7\u00e3o ao terceiro corte epistemol\u00f3gico da Medicina \u00be a mol\u00e9cula \u00be produz inimagin\u00e1vel progresso em torno do controle profil\u00e1tico das doen\u00e7as. Nesse sentido, a vacina\u00e7\u00e3o e o uso da soroterapia em grandes parcelas da popula\u00e7\u00e3o, nos quatro cantos do planeta, muda o perfil da nosologia prevalente desde os primeiros registros escritos:<\/p>\n<p>&#8211; Em 1894, Emil Adolf Von Behring e Emile Roux tratam a difteria tratam os doentes com soro de cavalo previamente infectados com toxinas dift\u00e9rica e tet\u00e2nica;<\/p>\n<p>&#8211; Em 1894, Yersin usa princ\u00edpio semelhante na peste;<\/p>\n<p>&#8211; Em 1895, Sclavo e Marchoxna, no carb\u00fanculo;<\/p>\n<p>&#8211; Em 1906, Georg Jochmann, na meningite meningoc\u00f3cica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8211; Vacina<\/p>\n<p>&#8211; Em 1909, Richar Pfeiffer, Henri Vincent e Fernand Widal aperfei\u00e7oam a vacina\u00e7\u00e3o tr\u00edplice contra os bacilos tif\u00f3ide, paratifo A e B;<\/p>\n<p>&#8211; Em 1921, L\u00e9on Charles Albert Calmette e Jean Marie Gu\u00e9rin, contra a tuberculose<\/p>\n<p>&#8211; Em 1948, a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade recomenda a vacina\u00e7\u00e3o BCG;<\/p>\n<p>&#8211; Em 1923, Gaston L\u00e9on Ramon descobre a toxina tet\u00e2nica e, em 1927, a vacina\u00e7\u00e3o antitet\u00e2nica assegura o controle do t\u00e9tano neo-natal;<\/p>\n<p>-Em 1949, John Enders descobre o vprus da Poliomielite em culturas de tecido nervoso;<\/p>\n<p>-Em 1955, Jonas Salk publica os primeiros resultados da vacina\u00e7\u00e3o contra a poliomielite;<\/p>\n<p>&#8211; Em 1957, Sabin inicia a vacina oral;<\/p>\n<p>&#8211; Em 1958, vacina contra a rub\u00e9ola;<\/p>\n<p>&#8211; Em 1969, vacina contra rub\u00e9ola e parotidite;<\/p>\n<p>&#8211; Em 1976, contra a hepatite B;<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>LEITURA COMPLEMENTAR<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>BOTELHO, Jo\u00e3o Bosco. <em>Epidemias<\/em>: a humanidade contra o medo da dor e da morte. Manaus. Valer. 2008.<em> <\/em><\/p>\n<p>BOTELHO, Jo\u00e3o Bosco.<em> Medicina e religi\u00e3o<\/em>: <em>conflito de compet\u00eancia<\/em>. Manaus. 2\u00aa. Ed. Valer. 2005.<\/p>\n<p>BOTELHO, Jo\u00e3o Bosco. <em>Hist\u00f3ria da Medicina: da abstra\u00e7\u00e3o \u00e0 materialidade<\/em>. Manaus. Valer. 2004.<\/p>\n<p>BOTELHO, Jo\u00e3o Bosco. <em>O Deus gen\u00e9tico<\/em>. Manaus. EDUA. 2000.<\/p>\n<p>BOTELHO, Jo\u00e3o Bosco. <em>Os limites da cura<\/em>. S\u00e3o Paulo. Plexus. 1998.<\/p>\n<p>BELLONI, Luigi. El<em> <\/em>microscopio y la anatomia. <em>In<\/em>: Entralgo, Pedro Lain (org.) <em>Historia universal de la Medicina<\/em>. Barcelona: Salvat. v. 4. 1986.<\/p>\n<p>BIRABEN,<em> <\/em>Jean-No\u00ebl. Les maladies en Europe: \u00e9quilibres et ruptures de la pathoc\u00e9nose. <em>In:<\/em> Grmek, Mirko D. (dir.) <em>Histoire de la pens\u00e9e m\u00e9dicale en Occident<\/em>. v. 1. Paris: Seuil. 1998.<\/p>\n<p>CASTIGLIONE, Arturo. <em>Histoire de la M\u00e9decine<\/em>. Paris: Payot.<em> <\/em>1931.<\/p>\n<p>CHASTEL, Claude; C\u00e9nac, Arnaud. <em>Histoire de la M\u00e9decine<\/em>. Introduction \u00e0 l\u2019\u00e9pistemologie. Paris: Ellipses. 1998.<\/p>\n<p>D\u2019ALLAINES, Claude. <em>Histoire de la chirurgie<\/em>. 3. ed. Paris: Presses Universitaires de France. 1984.<\/p>\n<p>ENTRALGO, Pedro Lain. <em>Estudios de historia de la Medicina y de antropolog\u00eda m\u00e9dica<\/em>.<em> <\/em>Madri: Escorial. 1943.<\/p>\n<p><strong><br \/>\n<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pr\u00e1ticas m\u00e9dicas no s\u00e9culo 19 &nbsp; Prof.Dr.HC Jo\u00e3o Bosco Botelho \u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Considera\u00e7\u00f5es gerais Primeiro corte epistemol\u00f3gico da Medicina \u00a0 &nbsp; Na Escola M\u00e9dica de C\u00f3s, na Gr\u00e9cia, Pol\u00edbio, o genro de Hip\u00f3crates, baseado nos quatro elementos de Emp\u00e9docles (terra, &hellip; <a href=\"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/?p=323\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[13],"tags":[],"class_list":["post-323","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-historiadamedicina"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/323","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=323"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/323\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":324,"href":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/323\/revisions\/324"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=323"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=323"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=323"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}