{"id":381,"date":"2012-04-04T01:12:31","date_gmt":"2012-04-04T05:12:31","guid":{"rendered":"http:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/?p=381"},"modified":"2016-03-06T09:44:30","modified_gmt":"2016-03-06T13:44:30","slug":"generosidades-bondades-construindo-saberes-nas-academias-22","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/?p=381","title":{"rendered":"Generosidades-bondades construindo saberes nas academias 2\/2"},"content":{"rendered":"<h3><\/h3>\n<div><\/div>\n<div><em><strong>Prof.Dr.HC Jo\u00e3o Bosco Botelho<\/strong><\/em><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<br \/>\n<strong>Compreens\u00e3o laica<\/strong><\/p>\n<p>No cotidiano laico anterior ao s\u00e9culo 16, a generosidade-bondade se ligava, estritamente, \u00e0 aristocracia (generosus = nobre). Mais tarde, passou a identificar a nobreza de esp\u00edrito, espec\u00edfica da pessoa, n\u00e3o mais ligada \u00e0 fam\u00edlia, ao bras\u00e3o. No s\u00e9culo 18, o entendimento da qualidade pessoal se ajustou ao significado que se mant\u00e9m na atualidade: d\u00e1diva.<\/p>\n<p>Dessa forma, fora da abordagem transcendental, nas ideias e cren\u00e7as religiosas, \u00e9 poss\u00edvel iniciar discuss\u00e3o te\u00f3rica da generosidade-bondade entre v\u00e1rias abordagens:<\/p>\n<p>\u2013 Plat\u00e3o: no mesmo eixo dos m\u00e9dicos da Escola de C\u00f3s, em especial, Pol\u00edbio, o genro de Hip\u00f3crates, que estruturou a teoria dos Quatro Humores, entendendo a sa\u00fade e a doen\u00e7a fora do absoluto controle dos deuses e deusas. Plat\u00e3o, nos primeiros livros (A Rep\u00fablica e O Banquete), negou que o bem viver com autossufici\u00eancia \u00e9tica estivesse relacionado \u00e0 posse da fortuna (t\u00fdkhe), onde, em contrapartida, o mal, as cat\u00e1strofes e doen\u00e7as ocorreriam na aus\u00eancia da fortuna. Contudo, mais tardiamente, no Fedro, reabilitou a fortuna moral como pressuposto para alcan\u00e7ar o bem viver, associando a bondade \u00e0 fortuna;<\/p>\n<p>\u2013 Kant (1724-1804)-Blumenbach (1752-1840): genialmente, com an\u00e1lises que beiraram o esplendor da adivinha\u00e7\u00e3o, sem terem a menor no\u00e7\u00e3o do significado da gen\u00e9tica, a partir da concilia\u00e7\u00e3o entre os conceitos \u201cepig\u00eanese\u201d e \u201cpr\u00e9-forma\u00e7\u00e3o\u201d, moldaram reconstru\u00e7\u00f5es quanto \u00e0 possibilidade de haver \u201cimpulso para o desenvolvimento\u201d \u201cherdadas por meio das c\u00e9lulas embrion\u00e1rias\u201d;<\/p>\n<p>\u2013 Heidegger (1889-1976): n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel entender o Ser e o mundo separadamente, somente ser-no-mundo, nessa condi\u00e7\u00e3o como ser-que-morrer\u00e1, certo da ang\u00fastia determinada pela morte inevit\u00e1vel, poder\u00e1 construir dois caminhos: o da aliena\u00e7\u00e3o e o da autenticidade, onde as presen\u00e7as da generosidade-bondade e do mal-maldade est\u00e3o inseridas;<\/p>\n<p>\u2013 Mem\u00f3ria-sociogen\u00e9tica (1998): esse processo te\u00f3rico defende a possibilidade futura do desvendar das fun\u00e7\u00f5es g\u00eanicas. O Projeto Genoma, recentemente conclu\u00eddo, somente identificou os genes. O completo conhecimento das fun\u00e7\u00f5es dos genes possibilitar\u00e1 saber os caminhos das prote\u00ednas que regulam as respostas mentais e f\u00edsicas, ao longo do processo ontogen\u00e9tico, para que os animais de todas as esp\u00e9cies, em especial os humanos, possam fugir da dor e procurar o prazer, aqui compreendido como a fome e a sede saciadas, a garantia do abrigo contra as intemp\u00e9ries, sexualidade-reprodu\u00e7\u00e3o assegurada, inconformidade com a morte.<\/p>\n<p>As linguagens-culturas se adaptaram \u00e0s necessidades individuais e coletivas para instrumentalizar e identificar os sentimentos e a\u00e7\u00f5es que atuam na sobreviv\u00eancia da esp\u00e9cie, especialmente, determinando sensa\u00e7\u00f5es de bem-estar patrocinadas pela generosidade-bondade, atenuando o sofrimento e melhorando as defesas biol\u00f3gicas (n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que as pessoas adoecem mais quando est\u00e3o submetidas ao sofrimento f\u00edsico ou mental).<\/p>\n<p>A generosidade-bondade \u00e9tica n\u00e3o est\u00e1 ligada \u00e0 lassid\u00e3o! Ao contr\u00e1rio, est\u00e1 amarrada aos sentimentos constru\u00eddos na ontog\u00eanese, como um dos mais importantes instrumentos para ajudar na sobreviv\u00eancia da esp\u00e9cie; logo, intimamente, atado \u00e0 t\u00e9cnica, aos saberes.<\/p>\n<p>Esse conjunto complexo da compreens\u00e3o da generosidade-bondade, nos sentidos religiosos e laicos, como instrumentos de vida, poder ser amalgamado na frase de Gandhi: \u201cA bondade deve estar ligada ao saber. A simples bondade pouco adianta; \u00e9 o que tenho constatado\u201d.<\/p>\n<p>\u00c9 exatamente aqui que se unem os ideais das Academias, herdeiras da Academia de Plat\u00e3o, do Liceu de Arist\u00f3teles e da Escola de C\u00f3s de Hip\u00f3crates, transbordantes de generosidades-bondades atadas aos conhecimentos, que instrumentam for\u00e7a de persuas\u00e3o suficiente para impulsionar constru\u00e7\u00f5es-desconstru\u00e7\u00f5es-reconstru\u00e7\u00f5es em prol da educa\u00e7\u00e3o, como o mais importante instrumento de mudan\u00e7a social.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Prof.Dr.HC Jo\u00e3o Bosco Botelho &nbsp; &nbsp; Compreens\u00e3o laica No cotidiano laico anterior ao s\u00e9culo 16, a generosidade-bondade se ligava, estritamente, \u00e0 aristocracia (generosus = nobre). 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