{"id":696,"date":"2013-03-16T13:58:11","date_gmt":"2013-03-16T17:58:11","guid":{"rendered":"http:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/?p=696"},"modified":"2016-03-06T09:25:05","modified_gmt":"2016-03-06T13:25:05","slug":"cidade-organizada-e-saude-publica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/?p=696","title":{"rendered":"CIDADE ORGANIZADA E SA\u00daDE P\u00daBLICA"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Prof.Dr.HC Jo\u00e3o Bosco Botelho<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0Na sociedade grega, especialmente na do s\u00e9culo 4 a.C., pol\u00edticos compreendiam a necessidade de organizar as cidades \u00e0 semelhan\u00e7a dos corpos saud\u00e1veis, como se fossem organismos vivos. Ao contr\u00e1rio, a desorganiza\u00e7\u00e3o causando tens\u00f5es na maior parte da popula\u00e7\u00e3o, gerando ou se aproximando do caos, era considerada sin\u00f4nimo de doen\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0Aos gregos daquele tempo, n\u00e3o seria poss\u00edvel administrar a cidade com compet\u00eancia satisfazendo as aspira\u00e7\u00f5es coletivas de bem-estar se as doen\u00e7as de qualquer tipo fossem prevalentes. O administrador, o pol\u00edtico competente estava identificado, de modo obrigat\u00f3rio, naquele que poderia curar os sinais de qualquer desordem no ritmo urbano, capaz de determinar preju\u00edzo \u00e0s pessoas, impedir o sossego coletivo, as trocas comerciais e as rela\u00e7\u00f5es com as ideias e cren\u00e7as religiosas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 Tanto na administra\u00e7\u00e3o laica do pol\u00edtico quanto na dos sacerdotes e sacerdotisas, no mundo m\u00e1gico da adivinha\u00e7\u00e3o oracular, a passagem da ordem (sa\u00fade) \u00e0 desordem (doen\u00e7a), envolvendo mudan\u00e7as nas coisas e nos acontecimentos, implicando riscos \u00e0 sa\u00fade e \u00e0 vida, estava claramente em polos opostos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0O poder de curar pessoas e sociedades, evitando a enfermidade e adiando a morte, tem sido historicamente utilizado pelo poder pol\u00edtico, como mecanismo de coes\u00e3o e controle sociais. Nessa esteira, sem d\u00favida, mais ou menos, exigida pelos cidad\u00e3os nos quatro do mundo, obrigam que os administradores e pol\u00edticos tanto nos macros quanto nos microssistemas, continuamente, como primeira obriga\u00e7\u00e3o, ofere\u00e7am \u00e0 cidade m\u00e9dicos, hospitais, ambulat\u00f3rios resolutivos e de f\u00e1cil acesso, que s\u00e3o sempre mostrados \u00e0 popula\u00e7\u00e3o como provas da compet\u00eancia gerencial. Desse modo, como na Gr\u00e9cia, do s\u00e9culo 4 a.C., hoje, respeitando as devidas propor\u00e7\u00f5es, construir hospitais, ambulat\u00f3rios e contratar m\u00e9dicos continuam sendo mostrados aos eleitores como indicativo que podem confiar nesse ou naquele pol\u00edtico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00c9 poss\u00edvel teorizar que esse elo motivador para a consolida\u00e7\u00e3o dessa extraordin\u00e1ria associa\u00e7\u00e3o entre competentes sistemas de sa\u00fade e boa administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica tamb\u00e9m esteja relacionado com as compreens\u00f5es da morte. O sofrer e a morte da pessoa amada determinam transtornos complexos, em diferentes n\u00edveis do corpo, trazendo incont\u00e1veis sinais f\u00edsicos de desconforto, variando em cada pessoa. O sistema nervoso central libera subst\u00e2ncias que alteram o ritmo biol\u00f3gico e interferem para amenizar a baixa da defesa imunol\u00f3gica inata. Esse terr\u00edvel padecer, tamb\u00e9m entendido como sensa\u00e7\u00e3o de perigo iminente, provoca mudan\u00e7as nos ciclos do sono, da fome, da sede, da libido e da afei\u00e7\u00e3o. Logo, o pol\u00edtico que consegue transmitir a mensagem p\u00fablica de que consegue amenizar esse sofrimento, por meio da oferta de hospitais, ambulat\u00f3rios e m\u00e9dicos, invariavelmente, \u00e9 identificado como confi\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0Continuando a teoriza\u00e7\u00e3o, parece l\u00f3gico pressupor que as atitudes espec\u00edficas, usadas no enfrentamento da dor temida, minorando o sofrimento do homem e da mulher, tenham sido valorizadas e, continuamente, aperfei\u00e7oadas pela ordem social. As a\u00e7\u00f5es humanas transformando a natureza para atenuar o desconforto, s\u00e3o imperativas! Est\u00e3o ligadas diretamente aos mecanismos neuroqu\u00edmicos que modelam e controlam todos os corpos dos seres vivos, em especial, os humanos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0Na atualidade, a compreens\u00e3o da sociedade organizada sem as dores da mis\u00e9ria dos deserdados que clamam por \u00e1gua e comida, como na Gr\u00e9cia antiga, est\u00e1 ligada aos pol\u00edticos que zelam pelo bem p\u00fablico e buscam solu\u00e7\u00e3o para curar os sofrimentos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Prof.Dr.HC Jo\u00e3o Bosco Botelho \u00a0 \u00a0 \u00a0Na sociedade grega, especialmente na do s\u00e9culo 4 a.C., pol\u00edticos compreendiam a necessidade de organizar as cidades \u00e0 semelhan\u00e7a dos corpos saud\u00e1veis, como se fossem organismos vivos. Ao contr\u00e1rio, a desorganiza\u00e7\u00e3o causando tens\u00f5es na &hellip; <a href=\"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/?p=696\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[13],"tags":[],"class_list":["post-696","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-historiadamedicina"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/696","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=696"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/696\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2103,"href":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/696\/revisions\/2103"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=696"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=696"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=696"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}