{"id":772,"date":"2013-04-06T16:35:55","date_gmt":"2013-04-06T20:35:55","guid":{"rendered":"http:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/?p=772"},"modified":"2016-03-06T09:16:47","modified_gmt":"2016-03-06T13:16:47","slug":"historicidade-da-etica-como-heranca-genetica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/?p=772","title":{"rendered":"HISTORICIDADE DA \u00c9TICA COMO HERAN\u00c7A GEN\u00c9TICA"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Prof. Dr. HC Jo\u00e3o Bosco Botelho<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 razo\u00e1vel pensar a Medicina e o Direito como partes da organiza\u00e7\u00e3o social da ontogenia, voltados \u00e0 valoriza\u00e7\u00e3o da vida em torno da \u00e9tica e da moral estruturando os bons resultados: os agentes da Medicina controlando a dor e empurrando os limites da vida e os operadores do Direto construindo mecanismos nas linguagens para impor a legalidade, a licitude.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nessa longa constru\u00e7\u00e3o, \u00e9 importante relembrar que o alfabeto grego possui duas letras \u201ce\u201d, a longa = <em>eta<\/em> e a curta = <em>eps\u00edlon<\/em>. Dessa forma, <em>\u00eathos<\/em> com <em>eta<\/em> significa: caracter\u00edstica, modo habitual de se comportar; <em>\u00e9thos<\/em> com <em>\u00e9psilon<\/em>, corriqueiro, costume, usual. O processo hist\u00f3rico lingu\u00edstico imp\u00f4s semelhan\u00e7a etimol\u00f3gica entre os dois termos: ambos est\u00e3o vinculados \u00e0 virtude. Talvez tamb\u00e9m por essa raz\u00e3o, no cotidiano, a \u00e9tica oriunda da tradi\u00e7\u00e3o grega tem caminhado ao lado da moral.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A etimologia da palavra \u201cmoral\u201d parece ser de origem latina: \u201cmores\u201d significa \u201ccostume\u201d, mas n\u00e3o qualquer costume, mas o estritamente aderido \u00e0 virtude. Assim, Kant de modo genial caracterizou a a\u00e7\u00e3o moral, em car\u00e1ter universal, plena de virtude e realizada, exclusivamente, por dever legalista, em respeito \u00e0s leis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em muitas circunst\u00e2ncias, essa caracter\u00edstica universal da a\u00e7\u00e3o moral, citada por Kant, isso \u00e9, a busca incessante para que o comportamento humano estivesse sempre ao lado da virtude, independente do processo fiscalizador, ultrapassa as rela\u00e7\u00f5es sociais em si mesmas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o \u00e9 impertin\u00eancia pensar que esse desejo humano, a partir de passado imposs\u00edvel de precisar, de concretizar a \u00e9tica, valorizar a virtude, como antagonismo ao vicio, \u00e0 desordem, seja processo s\u00f3cio-gen\u00e9tico gerado ao longo da ontogenia, ligado \u00e0 sobreviv\u00eancia desde os ancestrais mais distantes, j\u00e1 que n\u00e3o seria poss\u00edvel manter a vida coletiva sem regras e mecanismos para cumpri-las.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Incont\u00e1veis culturas, nos quatro cantos do mundo, pelo menos desde os primeiros registros de natureza religiosa e laica, continuam lutando para instrumentalizar as regras valorizando a \u00e9tica junto \u00e0 moral atadas como caracter\u00edsticas insubstitu\u00edveis e universais da condi\u00e7\u00e3o humana, como genialmente Kant descreveu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dessa forma, \u00e9 poss\u00edvel articular processo te\u00f3rico entendendo esse conjunto como pr\u00e9-social, isto \u00e9, inserido na heran\u00e7a gen\u00e9tica, ao longo da ontogenia, resultando na exist\u00eancia de mem\u00f3rias-s\u00f3cio-gen\u00e9ticas (MSGs) ligadas \u00e0 valoriza\u00e7\u00e3o do bem, da virtude, moral e \u00e9tica como instrumentos para adequar a sobreviv\u00eancia coletiva e superar a desordem, o mal, imoral, que dissolvem sem reconstruir. Simultaneamente, essas MSGs tamb\u00e9m interfeririam na manifesta\u00e7\u00e3o pessoal e coletiva do desprezo ao v\u00edcio que corrompe e compromete a sobreviv\u00eancia pessoal e coletiva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse conjunto organizador social presente nas MSGs da esp\u00e9cie humana, vinculado \u00e0 sobreviv\u00eancia, ajustado ao \u00e9tico-moral, amparando a vida pessoal e coletiva claramente desprezando o v\u00edcio (aqui compreendido como oposi\u00e7\u00e3o ao \u00e9tico-moral, \u00e0 virtude) est\u00e1 em curso, amparando a sobreviv\u00eancia, por meio da Medicina e do Direito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse momento, cabe a pergunta: porque esse mecanismo gen\u00e9tico de busca da \u00e9tica, da virtude ainda n\u00e3o conseguiu controlar a agressividade da esp\u00e9cie <em>Homo sapiens sapiens<\/em>: capaz de matar e trucidar pessoas inocentes; cren\u00e7as religiosas que geram \u00f3dios e matan\u00e7as? Se comparado ao passado distante, \u00e9 poss\u00edvel argumentar que o processo gen\u00e9tico de mudan\u00e7a est\u00e1 em curso.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Prof. Dr. HC Jo\u00e3o Bosco Botelho \u00c9 razo\u00e1vel pensar a Medicina e o Direito como partes da organiza\u00e7\u00e3o social da ontogenia, voltados \u00e0 valoriza\u00e7\u00e3o da vida em torno da \u00e9tica e da moral estruturando os bons resultados: os agentes da &hellip; <a href=\"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/?p=772\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[12],"tags":[],"class_list":["post-772","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-eticamedicabioetica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/772","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=772"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/772\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":774,"href":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/772\/revisions\/774"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=772"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=772"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.historiadamedicina.med.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=772"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}