A construção teórica da eutanásia está inserida no pressuposto de a morte ocorrer com menos sofrimento e constitue conjunto de atitudes com o objetivo de abreviar a vida de um doente reconhecidamente incurável com incomensurável sofrimento físico e mental impossíveis de serem controláveis por meio de remédios.
O Código Penal brasileiro, sob nenhuma hipótese, autoriza a eutanásia. Contudo, em certas circunstâncias, muito especiais, abreviar a vida a pedido do próprio doente portador de doença incurável, em situação terminal, com incalculável sofrimento, poderia ser entendido homicídio privilegiado. Desse modo, em qualquer circunstância a eutanásia se configura conduta ilícita.
O mundo televisivo acompanhou em março de 2005, do drama familiar da doente norte americana, em coma vegetativo durante quinze anos, após a autorização judicial, em última instância, para interromper a alimentação e hidratação. A paciente morreu treze dias após serem interrompidos os cuidados médicos.
Distanásia representa o conjunto de ações médicas com o objetivo de empurrar os limites da morte, em consequência, em determinas condições, mantendo o sofrimento.
Ortotanásia pode ser entendida como a chegada da morte no processo natural. Nessa circunstância, a assistência médica não contribui para prolongar artificial e desnecessariamente o processo de morte. É importante assinalar que somente o médico poderá conduzir o processo da ortotanásia, portanto não sendo obrigado legal e eticamente a prolongar a vida contra a expressa vontade do paciente.
O drama da doente americana despertou atenção em vários países no mundo, principalmente, aos parentes dos doentes com morte encefálica, sem possibilidade de recuperação, que têm a vida e o sofrimento prolongados pelas ações da Medicina.
Essa discussão pública recebeu a atenção dos teóricos do Direito, da Ética e da Moral, que se manifestaram acaloradamente em torno de concepções da dignidade e autonomia da pessoa humana para morrer.
– Poder das instituições hospitalares e do médico para manter a vida artificialmente dos doentes sem qualquer possibilidade de recuperação;
– Direito de pedir a própria morte quando o doente lúcido, com muito sofrimento, expressa com lucidez que não quer mais sentir dor fora do controle;
– Na impossibilidade de o doente decidir, nas mesmas condições acima citadas, se alguém da família poderia decidir a hora da morte.
De modo geral, a discussão de ordem jurídica, ética e moral, alcançaram diferentes espaços das relações leigas e laicas. Sem unanimidade frente às várias correntes, a discussão acabou restrita aos abusos da tecnologia médico-hospitalar que transformou o doente terminal em mercadoria de valor, seja científico ou monetário.
Prolongar a vida a qualquer preço, sustentando o sofrimento do doente, estaria em choque com a dignificação da própria vida.
Esse confronto entre quem possui recursos para receber o melhor tratamento e os que não conseguem o acesso ao serviço público de assistência médica cunhou a categoria denominada mistanásia ou eutanásia social. Em outras palavras, os pobres morrem mais precocemente e com mais sofrimento so comparados aos ricos!
É importante ressaltar que a tendência, inclusive na Igreja, por meio da Bula Evangelium Vitae, de 1995, do papa João Paulo II, é de valorizar a ortotanásia que além de se opor aos excessos terapêuticos, renuncia aos meios excepcionais e desproporcionais para prolongar a vida.
CATEGORIAS
PÁGINAS
ESPAÇO DO USUÁRIO
-
ARTIGOS RECENTES
- FRAGMENTOS DE ALGUMAS PROPOSTAS LAICAS E SAGRADAS, PARA ORGANIZAR, CONTER E PUNIR OS CONFLITOS SOCIOPOLÍTICOS, NAS PRIMEIRAS CIDADES, NO SEGUNDO MILÊNIO, APÓS O SEDENTARISMO DE GRUPOS DE CAÇADORES-COLETORES QUE OCUPARAM AS TERRAS FÉRTEIS DA MESOPOTÂMIA, EGITO E NA CIVILIZAÇÃO-CULTURA GREGA PRÉ-SOCRÁTICA.
- REI HAMURABI, A CONSTRUÇÃO LAICA DA SOCIEDADE
- INTERRELAÇÃO DE PRÁTICAS DE CURAS ÀS IDEIAS E CRENÇAS RELIGIOSAS
- IMPORTÂNCIA ACADÊMICA DA HISTÓRIA DA MEDICINA
- ALGUMAS CONSTRUÇÕES DA MEDICINA NA FILOSOFIA GREGA
- MORFOLOGIA DA DOENÇA: ARQUEOLOGIA DA DOENÇA NA MACRO E MICRO DIMENSÃO
- MIGUEL SERVET, MÁRTIR DAS INTOLERÂNCIAS DE IDEIAS E CRENÇAS RELIGIOSAS
- OS ABORTOS ENTRE O SAGRADO E O PROFANO E AS PERIFERIAS URBANAS
- ESCOLHA DO CURADOR: ELO DE CONFIANÇA
- ANATOMIA: MARAVILHOSO DESVENDAR DO CORPO HUMANO
- MEDICINA COMO PAIDÉIA: o esplendor grego
- PRETENDIDA INFLUÊNCIA DOS ASTROS NAS DOENÇAS NO MEDIEVO EUROPEU
- ALGUMAS PRÁTICAS DE CURAS, EM PERNAMBUCO, DURANTE A INVASÃO HOLANDESA
- REVOLTA À MORTE
- MEDICINA E DIREITO NO CÓDIGO DE HAMMURABI
- ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE A HISTORICIDADE DA ÉTICA E
- EPIDEMIAS E PANDEMIAS: O MEDO COLETIVO DA DOR E DA MORTE
- Saúde, bom; doença, mal
- ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE A HISTORICIDADE DA ÉTICA E
- DOENÇA E DOENTE: DÚVIDAS CONCEITUAIS
- A CIRURGIA COMO ARTE
- DIA DO MÉDICO: PERMANENTE LUTA CONTRA A DOR E A MORTE
- SAGRADO E PROFANO
- CURANDEIROS E ADIVINHOS: AGENTES DE COESÃO SOCIAL
- ABORTO COMO MÉTODO ANTICONCEPCIONAL
- RELAÇÕES MÉDICO-MÍTICAS (RMM)
- RELAÇÕES MÉDICO-MÍTICAS (completo)
- VIDA E MORTE DOS TUPINAMBÁS
- A TRADIÇÃO GREGA: Medicina Romano-cristã
- SÍFILIS E AIDS – A DOENÇA NO LUGAR DO PECADO
- AS EPIDEMIAS – DA PESTE A AIDS – O MEDO COLETIVO DA MORTE I
- SER-TEMPO E O SER-NÃO-TEMPO
- O ENSINO DAS CIÊNCIAS DA SAÚDE FRENTE À TECNOLOGIA
- AS SANTAS CASAS (I)
- AS SANTAS CASAS (II)
- SAGRADO E PROFANO NA ARTE RUPESTRE: ARQUEOLOGIA DO CURADOR
- SAGRADO E PROFANO NA ARTE RUPESTRE: A ARQUEOLOGIA DO CURADOR
- RELAÇÕES MÉDICO-MÍTICAS
- RELAÇÕES MÉDICO-MÍTICAS (IV)
- RELAÇÕES MÉDICO-MÍTICAS (V)
- RELAÇÕES MÉDICO-MÍTICO (III)
- RELAÇÕES MÉDICO-MÍTICAS (II)
- NORMAS PARA MANUSEIO SEGURO DE DROGAS ANTINEOPLÁSICA
- Quimioterapia
- PRÁTICA MÉDICA E FUNCIONALISMO
- O PRANTO DO MÉDICO ROMENO E O PÓS AUTORITARISMO
- O PAJÉ TUPINAMBÁ
- A MEDICINA E AS CIÊNCIAS SOCIAIS
- O homem e a medicina ( IV)
- O homem e a medicina – III
ARTIGOS – MÊS/ANO
- setembro 2025 (2)
- julho 2025 (2)
- janeiro 2025 (5)
- dezembro 2024 (7)
- novembro 2024 (9)
- março 2020 (98)
- junho 2019 (12)
- março 2019 (25)
- fevereiro 2019 (56)
- janeiro 2019 (9)
- março 2016 (19)
- janeiro 2016 (1)
- dezembro 2015 (39)
- outubro 2015 (39)
- março 2015 (16)
- outubro 2014 (12)
- maio 2014 (15)
- março 2014 (30)
- setembro 2013 (157)
- agosto 2013 (106)
- julho 2013 (51)
- abril 2013 (5)
- março 2013 (34)
- outubro 2012 (17)
- julho 2012 (25)
- junho 2012 (1)
- abril 2012 (101)
- março 2012 (133)
ESTATÍSTICAS DO SITE






Usuários hoje : 86
Usuários ontem : 383
Este mês : 3020
Este ano : 21502
Total de usuários : 226839
Visualizações hoje : 690
Total de visualizações : 1255948
Quem esta online : 2