PRATICAS MEDICINA NA PRÉ-HISTÓRIA

As análises arqueológicas e paleopatológicas estabeleceram algumas rela-ções das práticas de curas na pré-história. Como as comunidades ágrafas objeti-vavam a sobrevivência, as relações vida-morte e saúde-doença deveriam estar entre as fundamentais, já que interferiam na segurança pessoal e coletiva.
Nesta fase, quando o homem primitivo começou a tentar modificar o pro-cesso vida-morte e saúde-doença ? fez-se curador!
A comprovada ação intencional do homem sobre o homem com intenção de mudar o curso da morte data de 25.000, com o achado do osso do braço de em neanderthal que foi submetido à amputação. A cirurgia foi bem sucedida e o ho-mem viveu muito tempo após a intervenção cirúrgica.
Sem dúvida, as doenças existiam muito antes do aparecimento do Homo sapiens; a maior questão é tentar saber como as sociedades primitivas se relacio-navam com as doenças, na luta pela sobrevivência.
O estudo dos fósseis mostra que o homem pré-histórico estava sujeito al-gumas doenças semelhantes as que nós continuamos enfrentando nos dias atu-ais. A fratura traumática, no neolítico, foi a doença mais freqüentes, com sinais evidentes de infecção do osso, a osteomielite, semelhante a que se encontra nos hospitais de hoje.
Também se tornou possível estabelecer a existência de doenças sistêmi-cas, não traumáticas, como a denominada gota das cavernas, uma espécie de reumatismo do homem pré-histórico, e várias bactérias pré-históricas fossilizadas. O pólen de Nenúfar, designação de diversas plantas da família das ninfeáceas, capazes de determinar reação alérgica no homem atua, existe desde o pleistoce-no médio, isto é, há mais de 100.000 anos.
Certos autores, especializados em História da Medicina, arriscam res-ponder em comparação com o comportamento de outros animais, quando estão feridos ou doentes: lambem os ferimentos, fazem limpeza mútua e comem plantas eméticas.
É provável que o homem primitivo tivesse se comportado da mesma manei-ra, sugando a área ferida com sangramento e pressionando o local ferido para parar a hemorragia.
Perdura a questão da existência do ritual mítico-religioso ligado à busca das causas e curas das doenças. Na gruta de Trois Fréres, nos Pirineus franceses, é intrigante a pintura do personagem em movimento de dança, datando com mais de 10.000 anos a.C., travestido de cervo, em atitude sugerindo espécie de ritual, semelhante em tudo ao ritual da dança dos bisões, praticado pelos índios do norte dos Estados Unidos, durante cerimônia simbolizando o poder animal na cura das doenças

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TABAGISMO: DO SAGRADO AO PROFANO

NO ESPAÇO SAGRADO
A crença no poder mágico da fumaça, produzida pela ação do fogo em alguns vegetais, foi constante desde tempos imemo¬riais, no universo mítico de muitas sociedades. Esse aspecto das relações sociais não pode ser simples coincidência. Certos pontos comuns ligam esse imaginário entre cultiras distantes milhares de quilômetros entre si.
Os relatos dos cronistas, no Brasil Colônia, muitos acompanha¬dos de icnogravuras, narraram o uso do tabaco nos ritos terapêuticos e divinatórios. Os pajés se comunicavam com os espíritos, para curar e adivinhar, através da força embriagadora da fumaça do tabaco queimado.
Os registros disponíveis, até 1700, não evidenciam a utilização do tabaco, sob nenhuma forma, em muitas áreas do Brasil e América do Sul.
NO ESPAÇO PROFANO
A passagem do tabagismo do espaço sagrado para o profa¬no se deu, no Brasil, com a chegada do colonizador. O vício de fumar, por homens e mulheres, como instrumento de prazer foi imediatamente percebida ainda nos primeiros contatos e cristalinamente assinalado por Cardim, no século 16: ?Costumam esses gentios beber fumo de petigma (tabaco) por, outro nome erva santa… fica como canudo de cana cheio desta herva, e pondo lhe fogo na ponta metem o pau grosso na boca e assim chu¬pando e bebendo aquele fumo, e o tem por grande mimo e regalio?.
Durante a ocupação holandesa do Nordeste brasileiro, na primeira metade do séuclo 16, pelas tropas de João Maurício de Nassau, o médico Guilherme Piso, chefe dos serviços médicos das Indias Ocidentais, fez um registro fundamental para que se possa entender a sedução que o tabagismo exerceu no continente america¬no: ?A célebre erva Tabaco ou Petum, chamada pelos brasileiros Petúme, em quase todas as Indias Ocidentais é, desde remotos tempos, estimada pelos próprios íncolas para sarar feridas. Logo que os europeus souberam disto, pesquisando lhe as virtudes recônditas, aplicaram as folhas frescas, bem como o sumo das mesmas, a usos humanos;depois secas, nos abusos e prazeres também. De sorte que agora, como o vento hibernal, o fumo do tabaco vicia o orbe universal?.
O consumo, em 1920, quase nulo no sexo feminino, alcançou a fantástica cifra, em 1970, de duas mil unidades por adulto. A atenção das autoridades mundiais de saúde pública foram alertadas, pela primeira vez, pelo Relatório de Hammond e Horn, em 1954, financiado pelo American Cancer Society, seguido pelo do Royal College of Phisicians, da Inglaterra, em 1962, descrevendo a nocividade do fumo. Hoje existem mais de setenta mil publicações disponíveis sobre o assunto.
As políticas de saúde, no mundo, desde os últinos anos do século 20, se empenham no combate ao fumo: leis proibem de as pessoas fumarem em lugares públicos.
O mundo conseguiu, nos anos oitenta, colocar o cigarro sob fogo cruzado. Mais de setenta nações estão unidas, pelo menos aparentemente, para varrer o tabaco do planeta.

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