O MUNDO CONTRA O TABAGISMO

A crença no poder mágico da fumaça, produzida pela açäo do fogo em alguns vegetais, foi uma constante, desde tempos imemo¬riais, no universo mítico de muitas sociedades.
Especificamente sobre o fogo, é possível que a atençäo comum tenha sido despertada pelo amorfismo incontrolável. De maneira diversa dos elementos materiais com formas domáveis, o fogo amorfo, por si só, impedia qualquer contato manual. O produto da combustäo, a fumaça, de igual modo matinha a imprevisibilidade da forma; ao contrário do fogo, era passível de ser possuída por quem a aspirasse.
Os relatos dos cronistas estiveram, no Brasil colônia, muitos acompanha-dos de icnogravuras, narraram o uso do tabaco nos ritos terapêuticos e divinatórios. Os pajés se comunicavam com os espíritos, para curar e adivinhar, através da força embriagadora da fumaça do tabaco queimado.
A passagem do tabagismo do espaço sagrado para o profa¬no se deu, no Brasil, com a chegada do colonizador. O vício de fumar, como instrumento de prazer foi assinalado por Cardim, no século 16: ?Costumam esses gentios beber fumo de petigma (tabaco) por, outro nome erva santa…fica como canudo de cana cheio desta herva, e pondo lhe fogo na ponta metem o pau grosso na boca e assim chu¬pando e bebendo aquele fumo, e o tem por grande mimo e regalio?.
Durante a ocupaçäo holandesa, do Nordeste brasileiro, na primeira metade do séuclo 17, pelas tropas de Joäo Maurício de Nassau, o médico Guilherme Piso, chefe dos serviços médicos das Indias Ocidentais, registrou: ?A célebre erva Tabaco ou Petum, chamada pelos brasileiros Petúme, em quase todas as Indias Ocidentais é, desde remotos tempos, estimada pelos próprios íncolas para sarar feridas. Logo que os europeus souberam disto, pesquisando lhe as virtudes recônditas, aplicaram as folhas frescas, bem como o sumo das mesmas, a usos humanos;depois secas, nos abusos e prazeres também. De sorte que agora, como o vento hibernal, o fumo do tabaco vicia o orbe universa?l .
O consumo, em 1920, quase nulo no sexo feminino, alcançou a fantástica cifra, em 1970, de duas mil unidades por adulto.
A atençäo das autoridades mundiais de saúde pública foram alertadas, pela primeira vez, pelo Relatório de Hammond e Horn, em 1954, financiado pelo American Cancer Society, seguido pelo do Royal College of Phisicians, da Inglaterra, em 1962, descrevendo a gravidade do tabgismo.
Nos anos 1965, a comunidade científica percebeu a brutal mudança nas incidências dos cânceres, todos ligados ao tabagismo: boca, laringe, pulmäo e bexiga..
A patir dos anos 1970, muitos países iniciaram de forma cordenada o combate ao tabagismo. O mundo conseguiu, trinta anos depois, postar o fumante como alguém desperzível.
O Brasil é reconhecido mundialmente como um exemplo na luta contra o tabagismo.
Independete das crenças políticas, ideológicas e religiosas, o mundo está unido cintra o tabagismo

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ALGUNS ASPECTOS DO ENTENDIMENTO DAS DOENÇAS NO ANTIGO TESTAMENTO

E agora, vede bem:eu, sou eu, e fora de mim não há outro Deus! Sou eu que mato e faço viver. Sou eu que firo e torno a curar (e da minha mão ninguém se livra ).Deuteronômio 32, 39

O Antigo Testamento (AT) além do extraordinário símbolo judaico-cristão, contem conjunto de regras voltado ao controle social do povo hebreu nos primór-dios da estruturação sócio-política, quando estava marcadamente influenciado pelas culturas: egípcia, mesopotâmica (Suméria, Acádia, Assíria e Babilônia) e Cananéia.

A necessidade de estabelecer normas competentes para gerir os conflitos pessoais e coletivos amalgamou a tradição oral na Lei, que deveria ser cumprida por todos. A Lei, inspirada na irradiação de uma memória onipotente e justa em si mesma (Deus), compreendia conjunto complexo de regras culturais, religiosas e morais, fundamentais à sobrevivência dos hebreus.A máxima de Israel dizia: ?Es-cuta, oh! Israel: o nosso senhor (a Lei) é nosso Deus, o Eterno e único?.

A inquebrantável relação religiosa consolidada por meio do AT construiu um dos mais eficazes conjuntos de normas de saúde pública, em grande parte, responsável pela sobrevivência do povo de Israel ao longo da caminhada.

Com a destruição de Jerusalém no ano 70, seguiu-se a compilação, pelos rabinos, sábios e escribas, da tradição oral acumulada, como alternativa de man-ter viva a Lei, fazendo com que o Talmude reunisse esclarecimentos e ampliações dos ensinamentos bíblicos de natureza jurídica, teológica , filosófica, ética, histórica e médica.

A Medicina contida no AT foi sobreposta à tradição oral, transcrita no Tal-mude, entre os anos 100 a.C. e 1.500. Os registros interpretativos transcritos por esses homens especiais, ficou conhecido como o da tradição oral.

O conjunto das preciosas informações sobre os cuidados de higiene, dietético e médico transcrito pelos escribas no Talmude, recebeu influência dos processos teóricos médicos das culturas grega, babilônica e persa. Assim, os documentos rabínicos repetiram saberes historicamente acumulados daquelas sociedades, como a crença no mau-olhado e a ajuda dos amuletos para curar cer-tas doenças.
No AT, a tentativa de materializar a doença é percebida a partir do sentido em oposição à saúde, sendo esta representada pelo bem e aquela, pelo mal. Des-sa forma, foi possível oferecer um sentido histórico-teológico, capaz de formar no pensamento coletivo uma divisão nítida pelo afrontamento da saúde como bem, luz, justiça, limpeza e bondade, e, a doença, sinônimo de maldade, escuridão, injustiça e sujeira.

O discurso profético do AT retirou o poder de curar dos vários deuses me-sopotâmicos e fazer adoecer, transferindo-o a Deus. Assim, Deus passou a ser o Senhor da vida e morte, da saúde e doença.
A saúde e a doença também representavam o poder de Deus sobre os ho-mens, oferecidas, respectivamente, como prêmio e castigo pela obediência à Lei. Desse modo, criou-se um antagonismo absoluto: ficou fácil explicar o aparecimento das enfermidades nos pecadores, mas difícil de entendê-la nos obedientes e tementes à Lei. Por meio dessa regra binária de prêmio-castigo, tornou-se confuso caracterizar a hierarquização da falta cometida e justificar como seriam distribuídas entre os homens as diferentes manifestações da vontade divina punindo a desobediência à Lei: quem deveria sofrer com a lepra, loucura e cegueira.

Os estudos exegéticos mostram que esse vazio conflituoso, para justificar as doenças, permaneceu até, pelos menos, o período do judaísmo pós-exílico. O certo é que apareceu, naquela época, a figura do antideus, no sentido de diabo, demônio, como criatura inteligente, ligada ao mal e capaz de favorecer o apareci-mento das doenças também como demonstração de poder para enfrentar Deus.

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