MEDICINA E TECNOLOGIA

MEDICINA E TECNOLOGIA

 

Prof.Dr.HC João Bosco Botelho

           

            É fundamental distinguir os dois conceitos: técnica e tecnologia. A técnica está inserida nos processos de guarda e reprodução dos conhecimentos relacionados com o saber fazer, atendendo às necessidades pessoais e coletivas. A tecnologia engloba a técnica por meio das ciências, envolvendo-a sob o manto do método da pesquisa científica.

            O salto da técnica à tecnologia é o responsável direto pela exigência de adequar as universidades ao avanço industrial. Pode-se, sem dúvida, questionar o valor da ligação, porém o fato é concreto e serve de parâmetros para identificar certas universidades (Berkeley, Columbia, Paris, Oxford, Stanford, entre outras) como exemplos de instituições onde a tecnologia integra o ensino e a pesquisa.

            Essas universidades jamais se afastaram da centenária estrutura da produção acadêmica em torno dos professores titulados e produtivos. Tornaram-se respeitadas desenvolveram-se em torno de seis pontos:

            1. Resistência à burocratização;

            2. Estrutura administrativa moldada às exigências e potencialidades da pesquisa pura e aplicada;

            3. Recrutamento de professores competentes e motivados;

            4. Construção de laboratórios de pesquisa;

            5. Constante consulta ao sistema produtivo;

            6. Rigor na produção científica.

            Salvo exceções, a pesquisa acoplada ao ensino público ainda ensaia os passos iniciais em poucas instituições de ensino superior do Terceiro Mundo. No Brasil, com o pressuposto de aniquilar a lembrança dos anos de arbítrio institucional, a maior parte das universidades brasileiras optou pela “redemocratização exclusiva”. As direções dos órgãos universitários públicos passaram a ser disputados pelos partidos. O resultado foi a ascensão de políticos-professores inexpressivos, sem produção acadêmica, sem titulação e mais preocupados com as diretrizes do partido, ocupando áreas importantes da administração. O saldo, trinta anos depois, continua se mostrando trágico no imobilismo dos grupos rivais que pregam “não foi o meu candidato, dane-se”. Contudo, o mais grave e que atingiu, mortalmente, a hierarquia da titulação produtiva e com isso, a produção acadêmica do ensino e da pesquisa.

           

 

O autor é membro da Academia Amazonense de Medicina

 

 

 

 

           

            IV. AS CIÊNCIAS DA SAÚDE FRENTE A ESSA REALIDADE

 

 

            A questão fundamental é estabelecer os rumos dessa universidade politizada em excesso, sem créditos na sociedade que a financia e dissociada da produção indus-trial, num Brasil onde trinta milhões de pessoas vivem em miséria absoluta.

            Na realidade, é muito mais. Ou a universidade pública busca, o mais urgente possível, o acesso ao processo produtivo, integrando-se à sociedade que a sustenta, ou sucumbirá frente a inércia da fraca tecnologia incentivadora do ensino e da pesquisa.

            Vencidas os obstáculos quanto a trágica politização político-partidária, a admissão de professores titulados e a montagem dos laboratórios, as ciências da saúde, especialmente na Universidade Federal do Amazonas, poderão participar, com importante parcela, da inevitável reestruturação do ensino público do terceiro grau através de três pontos fun-damentais:

            1. Formação de profissionais – médicos, biólogos, bioquímicos-farmacêuticos e dentistas – capazes de dominarem a tecnologia atual e também de exercerem a profissão ao redor dos programas fundamentais de saúde pública;

            2. Produção de alimentos alternativos e de menores custos;

            3. Domínio da biodiversidade para a produção de remédios.

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DROGA E SAÚDE PÚBLICA

DROGA E SAÚDE PÚBLICA

 

Prof.Dr.HC João Bosco Botelho

 

            Não é necessário ser muito esperto para concluir que os 300 bilhões de dólares movimentados anualmente pelo narcotráfico não podem ter sido estruturados da noite para o dia. A gravidade da situação é conhecida, há muito tempo, pelos serviços de segurança dos países do Primeiro Mundo.

            A produção de heroína, no Paquistão, em 1986, foi de 140 toneladas, contra 40 toneladas em 1984. O preço de algumas drogas chega a rivalizar com o do ouro.  O estudo realizado pelo poderoso Departamento de Agricul­tura dos Estados Unidos, em 1984, demonstrou que 35% das exportações colombianas, naquela época, estavam diretamente relacionadas à cocaína. Todavia, o volume de dinheiro gerado pelo narcotráfico não fica restrito às economias do Terceiro Mundo. A venda de co­caína, em Miami, nos EUA, envolve a fortuna próxima do faturamento da Philip Morris, uma das maiores produtores de cigarro do mundo.

           As drogas como a maconha, a cocaína e a heroína constituem problema fundamental das autoridades sanitárias, de maneira semelhante do álcool e cigarro. O controle pretendido fica difícil porque existem particu­laridades específicas do uso e da comercialização de cada uma delas, ao mudarem continuamente com a aquisição de novas alternativas advin­das dos lucros astronômicos.

            A Corporação Rand, da Califórnia, apresentou relatório ao governo americano, em abril de 1990, evidenciando que apesar do esforço administrativo, não houve ocorreu mudança significativa entre a população que consome as drogas pesadas.

            Enquanto o combate ao traficante é obrigação do Estado moderno por meio do organismo policial competente, o ato noticioso da complexa malha social está inserido no trabalho da imprensa. Entretanto, é necessário unir as forças com os profissionais de saúde para conter o enfoque demoníaco, frequentemente, ligado aos dependentes. Os usuários devem ser entendidos como pessoas que necessitam receber cuidados especiais competentes com o objetivo de romper os elos da dependência química.

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