O conjunto sociopolítico que consolidou o hospital como instituição assis-tencial se originou em algumas decisões elaboradas no Concílio de Trento no século 16. Entre as mais importantes figuram: a unção dos enfermos com o sacra-mento e participação leiga na graça santificante. Sob essa construção, os cristãos encontraram na abertura conciliar a argumentação para justificar o amparo aos enfermos e necessitados.
Na assistência aos doentes, se fortaleceu o atendimento aos doentes em lugares determinados, conhecidos como xenodochium pauperum, debilium et in-firmorum (hospital dos pobres, dos fracos e dos enfermos).
Como uma das conseqüências, irmandades foram organizadas para admi-nistrá-los; as Ordens dos Hospitalários de São João, Antoninos e Espírito Santo se destacaram entre as mais competentes. Essa união de interesses comuns laicos e religiosos gerou frutos imediatos em torno da necessidade coletiva de suprir as grandes deficiências na atenção à saúde, no medievo europeu, funcionando também como mecanismo para afrouxar as tensões sociais geradas pelos flagelos da fome e das doenças endêmicas.
Quanto maior a miséria coletiva, maior o chamamento à caridade. Foi o que aconteceu em Portugal. A península foi particularmente castigada pelos efeitos da peste negra, com duas dezenas de surtos registrados entre 1188 e 1496. Especialmente, no século 14, a epidemia se mostrou tão devastadora que o enter-ro de todos os mortos se tornou impossível. Os cadáveres se acumulavam nas casas e ruas, dando um aspecto da chegada do fim dos tempos e o cumprimento das previsões apocalípticas.
Acompanhando a estrada que ligava Portugal à cidade espanhola de Com-postela, onde ficava a igreja de São Jaime, existiam centenas de xenodochium pauperum, debilium et infirmorum utilizados pelos peregrinos e devotos, que se dirigiam em romaria para obter a cura naquele santuário cristão.
Por outro lado, os xenodochium pauperum, debilium et infirmorum também ofereciam muitas vantagens pessoais, financeiras e políticas aos dirigentes. Essa afirmação ganha suporte no fato de que D. Pedro, em 1420, escreveu ao seu ir-mão D. Duarte, sugerindo a intervenção real na administração desses hospitais, como alternativa para reabilitar a debilitada economia do reino. Por ordem de D. Duarte e publicada nas Ordenações Alfonsinas de 1446, foi decretada a interdição real nos xenodochium pauperum, debilium et infirmoru, ainda determinando que todos os legados que fossem doados às irmandades deveriam passar pelas cortes civis e não mais pelos tribunais religiosos.
Essas mudanças edificaram os alicerces das Santas Casas, nas colônias portuguesas, na Ásia e Américas, administradas pelas ordens religiosas Hospitalários de São João, Antoninos e Espírito Santo.
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